Escola pública em SP tem dia lúdico em homenagem a Mandela

Por: Redação |

Alunos da Escola Municipal Nelson Mandela, no bairro do Limão, na zona norte de São Paulo, tiveram um dia dedicado a aprender um pouco mais sobre líder sul-africano, que dá nome ao local.

Iniciativa marcou o dia dos alunos da Escola Municipal Nelson Mandela, no bairro do Limão

Entre as atividades, promovida pelo South African Tourism, escritório que representa o turismo da África do Sul no Brasil , os alunos participaram de uma oficina de pintura com o grafiteiro Diego Mouro, que recentemente participou da criação de um mural em homenagem a Nelson Mandela no Minhocão, na região central da cidade. As crianças puderam deixar suas marcas nos muros da escola em pinturas de inspiração africana.

Os alunos também puderam brincar com argila e colorir imagens de Nelson Mandela, usando giz de cera que abrangia tons de pele variados. Durante as brincadeiras, surgiram conversas sobre a história e legado do líder sul-africano, que as crianças conhecem tão bem e até chamam de “vovô Mandela”.

Mudança de nome

Alunos participaram de uma oficina de pintura com o grafiteiro Diego Mouro

Intervenções artísticas como a executada no dia 22 de novembro não são raras na escola, e começaram a existir em 2011, quando uma pichação nazista foi feita durante a madrugada em um dos muros. Na época a direção da escola decidiu responder ajudando os alunos a pintarem o rosto de Nelson Mandela. “A intenção é fazer com que os alunos usem nossos muros para comunicar ideias e resistências” diz Cibele Racy, diretora da escola.

A escola foi fundada em 1955 com o nome de Guia Lopes, mas em 2014, ano em que Mandela morreu, adotou oficialmente o nome de Nelson Mandela.

A ideia, inicialmente bastante transgressora já que escolas públicas raramente mudam de nome, partiu do pai de um aluno que se sentiu tocado ao aprender mais profundamente a história de Mandela, que estava sendo contada como parte do currículo escolar numa iniciativa de divulgar a jornada de um líder negro e mundialmente reconhecido – boa parte dos alunos da escola é negra.

A direção da escola, que leva em consideração a representatividade e alegremente faz uso da lei 10639 (que estabelece diretrizes e bases para a educação nacional ressaltando a importância do ensino da cultura negra), achou a ideia interessante e começou a se mexer. Fez um abaixo assinado, que reuniu 20 mil nomes, foi atrás de políticos que pudessem colaborar com a iniciativa e, depois de um ano, conseguiu autorização para mudar o nome.

“Estudar a vida de Nelson Mandela foi fundamental para que as crianças ganhassem autoestima. Não contamos apenas a história do Apartheid, mas a história de como Mandela foi de um líder guerrilheiro a um líder pacificador”, diz a diretora.

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