Floresta tem Copa e festival educativo

Por: Redação |

Tem um pessoal muito ansioso pela Copa. Mas não pela da Fifa, que começa nesta quinta (12), e sim pela Copa Floresta Ativa, que acontece na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, no oeste do Pará, já passou pela fase de grupos e espera agora pelas finais, marcadas para agosto.

O evento, organizado pelo PSA (Projeto Saúde e Alegria), em parceria com o ICMBio (gestor das Unidades de Conservação no país) e a Tapajoara (federação intercomunitária que representa os moradores da reserva), está em sua quinta edição e tem, como tema, o desafio de manter a floresta em pé. Missão nada fácil, considerando que a área tem 647,6 mil hectares de extensão, onde vivem cerca de 4.500 famílias (ou 20 mil pessoas), em 74 comunidades tradicionais, muitas delas isoladas e em um quadro de exclusão social.

Por isso essa Copa não é só futebol mas também educação e cultura. Além do torneio esportivo (masculino e feminino), inclui o “Festival de Artes, Cultura, Educação e Comunidades”, com disputas em modalidades como teatro, música, paródia, cartaz, mascote, foto, vídeo e reportagem.

Os eventos começam sempre às sextas-feiras, com palestras realizadas com recursos dos projetos do PSA. Aos sábados, há os eventos esportivos e o festival educativo. Tudo é autossustentável, com orçamento administrado pelas comunidades-sede e pela Tapajoara, a partir de taxas de inscrição dos times, bingos, venda de comidas e bebidas e ingressos para baile.

A cobertura é feita pelos repórteres e locutores esportivos da Rede Mocoronga, uma plataforma intercomunitária de educomunicação (com rádio, vídeo, blogs e impressos) implantada pelo PSA com os jovens ribeirinhos.

Eugenio Scannavino Netto, fundador e coordenador do PSA, explica que a Copa Floresta Ativa é uma campanha de meio ambiente que usa o futebol como combustível. “A ideia da Copa é mobilizar toda a juventude ribeirinha, principalmente quem não está envolvido com a comunidade, mas adora futebol e festa, para que participe das discussões e dos projetos no território.”

Caetano Scannavino, também coordenador do PSA, lembra que “são oportunidades de empreendimentos que se abrem, articulações com os outros projetos pedagógicos voltados para os direitos de crianças e adolescentes; sem falar no encontro de gerações, em que lideranças antigas começam a preparar os mais novos para a condução do futuro da reserva extrativista”.

Se as pessoas comparecem? Segundo a organização, no torneio de futebol, foram cerca de 1.280 pessoas envolvidas com as seleções, mais 1.250 pessoas torcendo pelos times. Na parte cultural, aproximadamente 1.400 pessoas engajadas.

Além de troféus e medalhas, os campeões da parte esportiva levam R$ 1.500. Os vencedores das modalidades educativas também levam medalhas e troféus, além de prêmios como violão, câmera fotográfica e tablet.

Se o legado da Copa da Fifa ainda está sendo discutido, o da Copa Floresta Ativa já está bem definido, diz Eugenio: “Além de melhorar as estruturas das comunidades, esses torneios aumentam a identidade do jovem com o seu território, conscientizando esse grupo que não participou das lutas da região para que valorize os benefícios e seja protagonista da gestão da reserva”.

Por QSocial

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