Retinopatia diabética pode causar cegueira irreversível

Especialista explica o que é a doença, quais os avanços no controle da enfermidade e como prevenir

Por: Redação | Comunicar erro
olho com mancha
Crédito: memorisz/istockEm estágios avançados, há presença de manchas ou escurecimento súbito da visão

Pessoas que sofrem com diabetes têm 25 vezes mais chances de ficarem cegas, segundo uma estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Uma das enfermidades mais graves relacionadas à doença é a retinopatia diabética, uma lesão da retina (estrutura transparente e sensível à luz localizada na parte posterior do olho) e pode afetar até 40% dos pacientes.

A retinopatia diabética favorece o aparecimento do glaucoma, a grande causadora de cegueira irreversível no mundo.

A retinopatia ocorre, principalmente, em pacientes portadores de diabetes, que apresentam a doença há muito tempo ou sofrem com um quadro crônico de descompensação de glicemia. De acordo com o oftalmologista do Hospital CEMA, Antônio Sérgio Franca Neves, a doença costuma ser silenciosa. “Os sintomas ocorrem quando afetam a região central, causando baixa acuidade visual progressiva. Em estágios avançados, há presença de manchas ou escurecimento súbito da visão, secundários à hemorragia e o descolamento tracional da retina”, explica o médico do CEMA.

Tratamento

Embora grave, a medicina segue avançando no tratamento desse problema, com novidades como a injeção intravítrea de antiangiogênicos. Essa técnica revolucionou o tratamento oftalmológico e ajuda a salvar a visão de milhares de pacientes no mundo todo.

imagem mostra uma injeção sendo aplicada no olho
Crédito: reprodução/YoutubeTratamento com injeção dura poucos minutos e é indolor

Apesar de parecer doloroso e complicado, o procedimento é indolor e dura poucos minutos. “Quando há edema na retina, principalmente na região macular, e outras condições que causem sofrimento do tecido retiniano, essa é uma das opções mais novas e eficazes”, explica o oftalmologista do Hospital CEMA.

Os antiangiogênicos inibem a formação de novos vasos, ajudam ainda na regressão do quadro, além de melhorar o desequilíbrio gerado pela diabetes na circulação retiniana.

Além desse tratamento, é possível administrar injeções de anti-inflamatórios, fotocoagulação a laser (para casos avançados) e a vitrectomia, uma cirurgia indicada para casos nos quais o paciente apresenta hemorragia vítrea (sangue na estrutura gelatinosa que fica em contato com a retina), descolamento de retina e alguns outros casos específicos.Todos esses procedimentos são indicados de acordo com o caso e a evolução da doença.

Prevenção de retinopatia diabética

A melhor forma de prevenir a retinopatia diabética é fazer o controle dos índices glicêmicos, com acompanhamento multidisciplinar, e exames oftalmológicos de rotina, principalmente os que avaliam o fundo do olho. Nos últimos dez anos, o Brasil apresentou crescimento de 61,8% dos casos de diabetes, atingindo 8,9% da população, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Estimativas da Organização Mundial de Saúde apontam que cerca de 422 milhões de pessoas no mundo vivam com a doença, sendo que metade delas nem sabe que tem o problema. A Federação Internacional de Diabetes estima que, em 2040, a cada 10 adultos, 1 será diabético.

Compartilhe: