Quem vaga pelo Vale do Anhangabaú sob o sol escaldante provavelmente nem imagina que, ali nas proximidades, mais especificamente no número 26 da Rua Capitão Salomão, lugar ocupado pelo edifício Farol, jaz um importante polo cultural de São Paulo. É lá, no segundo andar, onde repousa a Casa Plana, sede da ex-feira-atual-festival Plana - evento que, em apenas cinco anos de existência, já é um dos maiores voltado para a produção independente de impressos.

Bia Bittencourt, idealizadora e frontwoman do projeto, assistiu à feira (sediada no Museu da Imagem e do Som desde 2012), ganhar proporções cada vez maiores e, neste ano, a Plana Festival Internacional de Publicações de São Paulo, como agora é chamada, foi convidada a realizar a próxima edição no prédio da Bienal de São Paulo. Com o tema "Fim do Mundo", o evento reúne 250 expositores entre editoras, zines, quadrinhos, printers, artistas plásticos e fotógrafos de todo o mundo, além de shows, leituras e bate-papos, entre os dias 17 e 19 de março. A entrada é Catraca Livre.

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Crédito da imagem: Rafaela Piccin

A entrada da Casa Plana sob o sol escaldante de um sábado de verão

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Crédito da imagem: Rafaela Piccin

Entrando...

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Crédito da imagem: Rafaela Piccin

A lojinha diversa

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Crédito da imagem: Rafaela Piccin

Quem visitar a Casa também pode conferir o acervo de publicações, disponível para consulta

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    A entrada da Casa Plana sob o sol escaldante de um sábado de verão

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    A lojinha diversa

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    Quem visitar a Casa também pode conferir o acervo de publicações, disponível para consulta

A curadoria da programação cultural deste ano ficou por conta do coletivo de arquitetos antropólogos Piseagrama, que selecionou os artistas de sábado, e de Thyago Nogueira, da revista ZUM, no domingo - além de Bia, é claro. No dia 18, as atividades programadas desdobram-se em discussões e causas que tenham a ver com o "fim do mundo", como a questão indígena, por exemplo. Um dos convidados é Pedro Nazareth, artista da Grande Belo Horizonte que ficou conhecido por ir a pé até Miami, expor nas Bienais de Lyon e Veneza sem nunca ter ido à Europa e buscar as origens numa tribo Guarani-Kaiowá.

Já no domingo, o destaque vai para a ação Leituras do Fim do Mundo, na qual artistas, escritores e músicos leem trechos de obras que salvariam caso o mundo acabasse, na rampa do Pavilhão da Bienal. Questões de gênero também têm espaço, a exemplo da conversa sobre a "língua do x" com a presença da cartunista Laerte e de Noemi Jaffe, escritora, professora e crítica literária.

MC Linn da Quebrada encerra a programação com show "pós-apocalypso"

Créditos: Ariana Miliorini

MC Linn da Quebrada encerra a programação com show "pós-apocalypso"

Outros nomes que fortalecem a programação são Sofia Borges, fotógrafa que publicou o livro "O Pântano" e ganhou, ano passado, o Prêmio de Primeiro Livro da editora inglesa Mack, e ninguém mais ninguém menos do que a trans que você respeita, MC Linn da Quebrada, com show de encerramento "pós-apocalypso". Para conferir toda a programação, clique aqui.

A orelha do livro

É muito curioso conversar com alguém que diz "O objeto livro me atrai" em um tempo majoritariamente pautado pela lógica digital. É o caso de Bia, que acredita que todo o crescimento do festival em pouco tempo é reflexo da quantidade e qualidade da produção de impressos, o que também revela como o papel resiste na era da internet.

Bia Bittencourt,, frontwoman da Plana

Créditos: Rafaela Piccin

Bia Bittencourt, frontwoman da Plana

Se depender dela e da rede de pessoas que colaboram com a Plana desde seus primórdios, esta continuará sendo uma realidade. De acordo com Bia, que se inspirou na grandiosa New York Art Book Fair, apesar do bom cenário e da movimentação, ainda é difícil enquadrar-se em um modelo econômico autossustentável.

O antro de criatividade visual que é a Plana funciona não só como espaço expositivo mas formativo também, já que na Casa são oferecidos cursos, workshops e oficinas em diversos formatos e com temas abrangentes - desde carimbos até revelação de fotografia analógica.

Desta forma, todo o projeto cria um fluxo e um nicho, permitindo que artistas especializem-se em sua área de interesse, exponham, façam contatos e, assim, sejam inseridos no meio das publicações. É importante e revigorante perceber que iniciativas como esta só provam que é possível tirar do papel - se me permite o trocadilho - ideias que fujam da lógica de mercado tradicional e existam estimulando as trocas e as artes.

Imagem Autor

Escrivinhadora de causos e cousas, entusiasta da cultura independente, amante dos prazeres da vida, rolezeira, brisona e detentora de uma memória terrível.

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Plana Festival Internacional de Publicações de São Paulo

17 Mar
e
19 Mar

Sex 17/03 das 17:00 às 22:00 
Sáb 18/03 das 11:00 às 20:00 
Dom 19/03 das 11:00 às 18:00 

Pavilhão da Bienal
Avenida Pedro Álvares Cabral, s/ nº - Portão 3, Parque do Ibirapuera Parque Ibirapuera - Sul São Paulo - SP
Catraca Livre
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