Em abril, o Centro Cultural de São Paulo recebe uma rica experiência audiovisual grátis em homenagem aos 50 anos do Tropicalismo. Batizada de "São Paulo, A Capital Tropicalista", a mostra é uma proposta de imersão naquele mundo, tão longe, mas ao mesmo tempo, tão perto, e fica em cartaz até o dia 6 de maio.

Tropicalismo

Créditos: Divulgação

Os Mutantes, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros artistas que fizeram parte do Tropicalismo

Ao contrário das exposições tradicionais, essa não terá objetos expostos, somente imagens e sons, que serão projetados simultaneamente em vários anteparos de grandes dimensões. A sala Tarsila do Amaral do CCSP foi totalmente vedada à luz exterior para conduzir os visitantes pelo espetáculo, como se eles estivessem entrando por um túnel do tempo. O sistema de video-mapping usado no espaço reproduz uma experiência tropicalista, com canções que se constituem num desenrolar de imagens nascidas da justaposição de objetos e desejos.

Com trabalhos realizados para grandes audiências, como a abertura da Olimpíada do Rio, o VJ Spetto criou um vídeo de 12 minutos especialmente para a exposição, a partir da preciosa trilha sonora do período. O material será projetado a fim de criar cenários distintos, de realidade e sonho, que permite que os visitantes circulem entre imagens de época, espaçonaves e guerrilhas do final dos anos 60, até filmes e fotos dos artistas em grandes performances. Como não amar?

Se os tropicalistas queriam usar toda a tecnologia então disponível nos seus arranjos, montagens e instrumentos elétricos, a exposição pretende apresentar o que existe de mais avançado hoje, nas técnicas conhecidas como “projecionismo”. Só vendo, ouvindo e sentindo. Como afirmou Caetano Veloso ao se lembrar do movimento tropicalista na cidade, “você sente que São Paulo pode. E que São Paulo ter reunido essa energia dá muita força ao projeto Brasil”.

Tropicalismo

O Tropicalismo nasceu na Bahia, foi batizado no Rio de Janeiro e passou a infância em São Paulo, tendo uma existência efêmera. Em julho de 1968, dois meses depois das manifestações de maio na França, um coletivo de artistas brasileiros, com Caetano, Gilberto Gil, Tom Zé, Mutantes, Torquato Neto e Rogério Duprat, lançava um disco chamado Panis et Circenses.

Foi em São Paulo que Caetano e Gil juntaram os fios soltos de sua revolução. Aqui, eles se alimentaram do concretismo de seus poetas, da piração única de seus escritores e da graça pop e suburbana de seus roqueiros primordiais. Também foi onde conheceram os irmãos Campos, Augusto e Haroldo, que lhes apresentaram a grandeza pantagruélica de Oswald de Andrade, e os Mutantes. Tente imaginar as fantásticas aparições de Caetano e Gil nos festivais da Record sem aquele trio de moleques atrevidos da Pompeia.

Na avenida São Luiz, 43, apartamento 43, onde Caetano morava com a mulher Dedé, Gil, Bethânia, Gal e Tom Zé davam as caras, assim como Rita e os Mutantes, Capinam, Torquato Neto, Rogério Duprat, os irmãos Campos, Décio Pignatari - todos dispostos a desafiar a mesmice, o marasmo e a estagnação cultural do país sob a recente ditadura.

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