Por Jonas Lírio

Se por um lado são ignoradas em meio ao caos urbano de São Paulo, as pessoas invisíveis da cidade – e por invisível entenda as prostitutas, os usuários de droga, os moradores em situação de rua – são para a companhia Os Satyros nortes de criação. Quando decidiu se fixar de vez na capital paulista, em 2000, o grupo ocupou uma das áreas mais perigosas da cidade: a praça Roosevelt, no Centro.

Aos poucos, transformou o local, agora referência de teatro alternativo e independente na metrópole. Os antigos frequentadores da praça, aqueles que estavam à margem da sociedade, no entanto, nunca foram esquecidos pela companhia, fundada em 1989 por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.

Em 2014, os dois diretores e dramaturgos deram início à “Trilogia das Pessoas”, projeto que se debruça sobre a vida de anônimos da cidade. Nesta sexta (5), eles estreiam a última parte da trilogia, Pessoas Brutas. O espetáculo fica em cartaz no Espaço dos Satyros Um até 28 de julho, com sessões de quarta a sexta-feira, sempre às 21h.
A peça fala de dependência química e psíquica, de corrupção e heroísmo. Tudo que, de certa forma, está ligado à solidão.

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Crédito da imagem: André Stefano

"Pessoas Brutas"

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'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

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'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

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'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

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'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

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'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

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'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

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    'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

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    'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

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    'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

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    'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

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    'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

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    'Pessoas Brutas' cumpre temporada de 5 de maio a 28 de julho no Espaço dos Satyros Um, na Roosevelt.

O trabalho é fruto de uma extensa pesquisa feita pela companhia sobre o assunto: os artistas visitaram e entrevistaram grupos de autoajuda, dos Narcóticos Anônimos às Mulheres que Amam Demais, e juntaram a esses relatos suas experiências pessoais. “É um tema difícil, porque não envolve só a questão das drogas, tem a dependência emocional, psíquica, que é bastante complicada numa cidade em que as pessoas vivem muito para si”, diz o diretor Rodolfo García Vázquez, que assina a dramaturgia com Ivam Cabral.

Inspiração
O fio condutor de Pessoas Brutas é o sequestro de Fabiana, filha de um doleiro delatado na Operação Lava Jato. O crime é feito a mando de sua amiga Disneilândia, que, com o dinheiro do resgate, pretende fugir para a Austrália com seu amante, um presidiário. Estes e outros personagens se cruzam no caos solitário e desencantado de São Paulo, todos à procura de heróis que os resgatem de si mesmos ou remendem a sociedade, arrasada por seus próprios vícios morais.

Embora construída a partir de entrevistas e observações de história reais, como foram feitas as outras peças da trilogia, desta vez os autores optaram por uma criação mais aberta, irrestrita. “Antes, os roteiros já estavam prontos e nós só trabalhamos na construção dos personagens e nos diálogos. Agora, tínhamos uns fiapos de roteiro que foram se amarrando à medida que o processo continuava; algumas personagens só foram se definindo com o tempo”, lembra Vázquez.

Segundo ele, a estética exagerada, meio cartunesca, e que dita o tom da trilogia desde o início, continua presente. “A encenação dialoga com os quadrinhos, com um visual dos anos 1970, 1980”, pontua. O diretor, que contou com a mesma equipe dos outros espetáculos (Marcelo Maffei cuida dos cenários, Bia Pieratti e Carol Reissman são responsáveis pelos figurinos), acrescenta que a ideia é que as deformações psicológicas dos seres se manifestem fisicamente na forma como esses personagens surgem para o público.

Trilogia
Pessoas Brutas encerra a trilogia iniciada há três anos com Pessoas Perfeitas (2014) e Pessoas Sublimes (2016). A primeira parte do conjunto venceu o Prêmio APCA de Melhor Espetáculo, o Prêmio Aplauso de Dramaturgia e foi indicada ao Prêmio Shell por seu texto e figurino. Agora, Rodolfo García Vázquez define a nova peça como uma síntese das três montagens, explicando que vários dos elementos abordados nas duas primeiras voltam ao palco com uma outra perspectiva.

A ideia d’Os Satyros é organizar uma mostra para apresentar a trilogia em sequência, de forma que o público possa ter uma visão panorâmica da construção. “É engraçado chegar aqui, porque foi um projeto que surgiu de forma inesperada. Começou como um roteiro de cinema, virou uma peça super premiada e de repente a gente se viu animado para continuar falando desse assunto, um que raramente é discutido”, analisa o diretor.

Imagem Autor

A SP Escola de Teatro é um equipamento cultural da Secretaria do Estado da Cultura e tem por atribuições a formação profissional na arte teatral.

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Pessoas Brutas

05 Mai
a
28 Jul

De 05/05 a 28/07:   Quartas,  Quintas e  Sextas às 21:00

Espaço dos Satyros I
Praça Franklin Roosevelt, 214 Consolação São Paulo - SP (11) 3258-6345
Estação República (Metrô - Linha 3 Vermelha e Linha 4 Amarela)
R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia-entrada); R$ 10 (moradores da Praça Roosevelt)