Por Jonas Lírio

A desconstrução está dada: cisgêneros, transgêneros, agêneros e não binários são algumas das definições de gênero que fogem do conceito de homem/mulher e são parte de uma revolução social e sexual da contemporaneidade. Esses termos e todos os questionamentos que neles estão envolvidos são temas do 100º espetáculo da Cia. Os Satyros, Pink Star.

A montagem, em cartaz na Estação Satyros, na Praça Roosevelt, até 16 de dezembro, tem ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia) às quintas, e R$ 40 e R$ 20 (meia) às sextas e sábados. As sessões são sempre às 21h.

Créditos: André Stefano/Divulgação

'Pink Star', em cartaz na Estação Satyros, é o centésimo espetáculo da Cia. Os Satyros

Para confundir ainda mais o público, atores e atrizes que se definem como de determinado gênero fazem personagens de outro na peça, descrita pela companhia como uma comédia musical queer. Entram na equação, também, diferentes sexualidades: do hétero ao demissexual.

A “confusão”, certamente calculada pelos dramaturgos Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, é fruto do mergulho da dupla em textos de teóricos como Judith Butler e Paul B. Preciado. Como é de praxe, as experiências pessoais do elenco também ajudaram a construir o espetáculo.

“A peça foi surgindo enquanto nós pesquisávamos sobre como as questões de gênero e sexualidade são vistas dentro da família, como é lidar com culpa e repressão”, explica Vázquez. “A partir daí, fomos para a teoria queer olhar para como as pessoas estão se percebendo de outra forma hoje, para como o mundo está mudando”.

Créditos: André Stefano/Divulgação

'Pink Star', uma comédia musical queer

A trama, que se passa em 2501, toca em todas essas questões. Pink Star conta a história de Purpurinex, uma pessoa que não se encaixa dentro de gênero nenhum e que faz parte do primeiro quadrisal legalizado do universo junto com a drag queen Kátia Veroska, a ex-freira Rita de Cássia e a robô erótica Gina Made in China.

Quando ganha o Pink Star, o maior diamante rosa do planeta, de seus avós, Purpurinex desperta inveja em seus parceiros e em seu irmão gêmeo Jair, um ardente defensor da Bíblia que pretende se tornar presidente.

“Não é por acaso que esse espetáculo é o centésimo da nossa trajetória”, diz Vázquez. “A questão de gênero é política também. A crise moral pela qual o Brasil passa hoje não foi feita por imigrantes, feministas ou pelos grupos LGBT. Toda a corrupção que tem consumido nosso País foi feita por homens cisgêneros, heterossexuais e cristãos, mas não é esse o discurso que a direita está tentando impor.”

Para o dramaturgo, essa é a forma que Os Satyros encontraram de se posicionar hoje, quando um possível candidato à Presidência tão polarizador tem um número expressivo de simpatizantes.

“A extrema direita coloca minorias como uma força que quer destruir a família tradicional, mas essas pessoas estão simplesmente buscando suas identidades, se colocar no mundo de uma forma menos opressora e mais livre,” diz Vázquez, que é co-fundador da Cia. Os Satyros.

Pink Star é a primeira das três peças que formam a “Trilogia do Antipatriarcado”. As outras são a remontagem de “Transex”, que estreou em 2004, e a produção inédita “Cabaret Transperipatético”, com estreia prevista para abril de 2018.

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A SP Escola de Teatro é um equipamento cultural da Secretaria do Estado da Cultura e tem por atribuições a formação profissional na arte teatral.

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Pink Star

07 Set
a
16 Dez

De 07/09 a 16/12:   Quintas,  Sextas e  Sábados às 21:00

Estação Satyros
Praça Franklin Roosevelt, 134 Consolação São Paulo - SP (11) 3258.6345 / (11) 3231.1954
Estação República (Metrô - Linha 3 Vermelha e Linha 4 Amarela)
Quintas: R$ 20 e R$ 10 (meia) | Sextas e sábados: R$ 40 e R$ 20 (meia)
Duração: 110 minutos | Classificação indicativa: Livre | Reservas: (11) 3258-6345 / 3231-1954