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Museu das Favelas ocupa o Palácio dos Campos Elíseos, no centro de SP

Espaço cultural coloca a favela no centro e abre diálogos para um passado até então calado pela história. Bora saber mais?

São Paulo tem um novo espaço cultural para chamar de seu: o Museu das Favelas, instituição que tem como princípio abrir caminhos para mudanças sociais que transpassem a vivência das favelas de todo Brasil.

Museu propaga a voz de mais de 8% da população brasileira – tudo isso por meio da arte! 
Créditos: Carlos Pires
Museu propaga a voz de mais de 8% da população brasileira – tudo isso por meio da arte! 

Em um país onde cerca de 17,1 milhões de pessoas vivem em favelas, o espaço abre as portas com a exposição “FAVELA-RAIZ“,  uma ocupação-manifesto que representa o primeiro movimento de transformação do Palácio dos Campos Elíseos, reverenciando a memória e as heranças das lutas dos que vieram antes e dos que seguem resistindo na construção daqueles que são até hoje marginalizados pela sociedade e rotulados como vadios.

“FAVELA-RAIZ”, composta por cinco partes, sendo três internas e duas externas, evoca as raízes da favela – símbolo de saudação à tradição, ancestralidade, maternidade e aos abrigos materiais e afetivos que envolvem os habitantes e a tudo o que ali foi semeado e colhido.

As exposições, instalações e oficinas propostas no espaço mostram a importância de dar voz e vez a quem está e sempre esteve construindo, mas que constantemente não é enxergado pela sociedade.

FAVELA COMO RAIZ. PESSOAS COMO VADIAS.

Na origem da palavrafavela, encontramos uma árvore com espinhos, flores, frutos e sementes altamente nutritivas, muito comum na caatinga e, especificamente, no Morro da Favela, em Canudos, no sertão da Bahia. Os soldados da Guerra de Canudos, convocados a combater os membros da comunidade liderada por Antônio Conselheiro, ali se instalaram, dada a ampla visão oferecida do vale e, ao retornarem para o Rio de Janeiro, sem a assistência prometida pelo Governo, ocuparam o atual Morro da Providência, que passou a ser chamado de Morro da Favela.

Essa linda imagem compõe a Instalação “Visão Periférica” do Museu das Favelas.
Créditos: Christine Jones.
Essa linda imagem compõe a Instalação “Visão Periférica” do Museu das Favelas.

Como tudo nessa vida é história e para reconhecer nossas ancestralidades é preciso entendê-la, a palavra “vadio”, não fica longe dos morros. E o que às vezes é gritado em voz alta e inserido como rótulo aos que são invisíveis a inúmeros livros de história , se procurado no dicionário termos como desocupados e folgados, vão ser encontrados como seus sinônimos.

A palavra aqui tem poder, carrega um peso imenso e às vezes faz sangrar!

MUSEU DAS FAVELAS

O Museu das Favelas surge como reparação social, por meio do protagonismo das pessoas de favela na gestão, na contratação de fornecedores, na criação de abertura para novas  narrativas – partindo da construção coletiva e compartilhada a ser constituída por meio do relacionamento com a vizinhança -, do mapeamento constante de iniciativas que geram impacto social, cultural e econômico nas favelas, escuta ativa e visitas periódicas a espaços e organizações das favelas de São Paulo e do Brasil.

Construindo diálogos que tragam à sociedade vivências que partem de periferias, ocupações, assentamentos, regiões quilombolas, ribeirinhas, entre outras. Espaços distintos, mas que compartilham histórias de segregação e resistência. Com entrada gratuita, você poderá pegar seu  ingresso gratuito pelo site ou retirar na hora da visita, na bilheteria do Museu.


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