Entre uma corrida e outra, uma leitura

Desenvolvido pelo Instituto Mobilidade Verde, o Bibliotaxi - parceiro do site Catraca Livre - visa a promoção da leitura para a integração das pessoas que moram, trabalham ou circulam pela Vila Madalena

Por: André Nicolau Comunicar erro

Nascido e criado na Vila Madalena, tradicional bairro da zona oeste de São Paulo, o taxista Antonio Miranda, de 50 anos, possui uma característica pouco comum entre os seus colegas de trabalho: é admirador das obras do antropólogo Darcy Ribeiro. “Miranda”, como é conhecido entre os habituais passageiros e amigos da região, também cultiva o costume de ler livros ligados à História do Brasil, sobretudo aqueles que se referem aos obscuros anos de ditadura militar. Por tudo isso, ele é um dos dez participantes do programa “Bibliotaxi” que passa a ser implantado a partir desta segunda-feira.

Incentivo à leitura nos táxis de São Paulo

O projeto, idealizado por Lincoln Paiva (Presidente do Instituto Mobilidade Verde), tem por objetivo promover o fomento à leitura e à educação, estimulando a troca de obras entre os passageiros dos táxis. Iniciativa que conta com a aprovação e apoio de Miranda: “Acho que é um projeto muito interessante, porque as viagens terão um propósito maior, que é a disseminação da leitura entre as pessoas. Precisamos desenvolver esse importante costume no Brasil, que já é prática em outros países”.

Acostumado a uma rotina marcada pela correria da capital paulista, Miranda destaca que além de tornar a viagem dos passageiros mais agradável, a campanha também proporcionará aos leitores o que os livros têm de melhor: a magia da literatura. “Os livros conseguem transmitir aos leitores um mundo lúdico, onde é possível viver suas histórias. Isso contribuirá para que as pessoas se atentem menos a questões profissionais e outras obrigações”, explica.

Há 22 anos entre uma corrida e outra, o taxista transporta diariamente de 12 a 15 passageiros. Média que permite uma previsão otimista, se levada em consideração a rotatividade dessas obras. “Se pensarmos que o livro adquirido pelo passageiro chegue às mãos de outras pessoas, seja circulado por aí, então estaremos cumprindo o nosso papel”, finaliza Miranda.

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