Chapinha da Vela, a resistência do samba

Por: Redação Comunicar erro
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Chapinha é um dos sambista mais ativos na difusão e resistência do samba em São Paulo

“O samba nasceu em mim”, conta José Marilton da Cruz, mais conhecido como Chapinha. Nascido no interior do Distrito de Uruburetama, o compositor deixou o Ceará em busca de uma vida melhor em São Paulo, e acabou tornando-se uma das maiores referências do samba paulista.

O gosto pelo samba é de sangue, garante o sambista. Seu pai e seus tios formavam um grupo de samba e choro, gêneros que tiveram contato por meio do rádio. “Eu acredito que eles escutavam Pixinguinha, Clara Nunes, Francisco Alves”, conta Chapinha.

O cearense chegou a São Paulo na década de 1970. Ele buscou conhecer os principais pontos do samba na capital e, por volta de 1978, começou a frequentar a quadra da Vai-Vai, onde conheceu bambas como Geraldo Filme, Osvaldinho da Cuíca e Almir Guineto.

Embora fosse um talentoso compositor, enfrentou diversos obstáculos para ser reconhecido. Entre eles, a discriminação por ser nordestino que, em suas palavras, acontece ainda hoje. No entanto, determinado a ingressar no universo do samba, Chapinha procurou amparo nos estudos. Em 1980, começou a fazer aulas de canto no conservatório Bandeirante, em Santo Amaro.

Dois anos depois, abraçou a oportunidade colocada à sua frente. Foi convidado a entrar na Ala de Compositores da Vai-Vai e em pouco tempo tornou-se Presidente da escola. Atuou no cargo durante 20 anos, experiência que lhe rendeu aprendizados e uma percepção transformadora, a qual mudou o rumo de sua vida: Chapinha se viu empoderado a fazer mais pela periferia e pelo samba.

Desta forma, decidiu se afastar da agremiação para se dedicar a projetos sociais voluntários voltados ao desenvolvimento musical de crianças e jovens. Reflexo do desejo de integrar a comunidade, de oferecer espaço aos compositores anônimos ou com pouco espaço nas mídias e de difundir o samba de raiz, a Comunidade do Samba da Vela é fundada em 2000.

Criado em parceria com Paquera, Magnu Souza e Maurílio de Oliveira, o Samba da Vela faz uma roda por semana e segue uma tradição à risca. O samba começa quando acendem a vela e termina quando ela derrete por completo e se apaga.

“Fazer uma música que tivesse importância sem glamour e estrelismo, essa é a minha realização pessoal como cidadão e sambista”, explica como sendo o DNA da comunidade. Não à toa, Chapinha é um dos maiores símbolos de resistência do samba em São Paulo, cidade onde conquistou seu espaço e fundou um dos maiores redutos do gênero.

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