Peça conta histórias de moradores do Brás e do Belenzinho

Indicado ao Shell de 2018 na categoria Inovação pela pesquisa em Teatro de Objetos, o Grupo Sobrevento estreia espetáculo que entrelaça histórias contadas por moradores do Brás e do Belenzinho, onde está sediado há dez anos.
Até
24
de março 2019
Sexta - Sábado - Domingo
Sexta e sábado, às 20h30
Domingo, às 18h
Por: Redação | Comunicar erro

Criado a partir de depoimentos da vizinhança do Grupo Sobrevento, espetáculo Noite tece um mosaico de memórias

No palco, um mosaico cênico com histórias, memórias, como se fossem caixinhas de lembranças. Por meio de dispositivos – a princípio simples – como escutar histórias na feira, observar um velário, conversar com pessoas e ir a uma igreja, o Grupo Sobrevento recolheu diversos depoimentos para criar seu mais novo espetáculo, Noite, que estreia em 1º de fevereiro de 2019 no Espaço Sobrevento, às 20h30, com entrada franca. O projeto foi contemplado pera 31ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo e tem entrada gratuita.

Crédito: Arã RibeiroIndicado ao Shell de 2018 na categoria Inovação pela pesquisa em Teatro de Objetos, o Grupo Sobrevento estreia espetáculo que entrelaça histórias contadas por moradores do Brás e do Belenzinho, onde está sediado há dez anos.

Criado a partir do Teatro de Objetos – linguagem que o grupo pesquisa profundamente desde 2010 – o espetáculo tem uma dramaturgia que nasceu dos depoimentos de seus vizinhos e das suas histórias, todas relacionadas a objetos guardados, secretos, carregados de afetos, ou ainda do sentimento pela ausência/perda deles.

Sandra Vargas, que divide a direção da peça com Luiz André Cherubini, conta que Noite foi concebido a partir da prática da escuta dos moradores locais e não de um tema pré-determinado pelo grupo. Entender como a população lida com as próprias memórias e quais histórias elegem para contar ao outro foi determinante para que a dramaturgia, criada em conjunto pela companhia, tomasse forma.

Em cena, um homem cego interpretado por Luiz André Cherubini conversa com um menino e sua fala é atravessada por suas memórias. O cenário composto por 11 nichos de tamanhos variados, sobrepostos, torna possível contemplar na cena todas as personagens que compõem a memória desse homem. A princípio, a luz ilumina cada figura por vez, dando vida a uma determinada memória, mas como num processo típico do pensamento humano, há momentos em que as memórias se misturam, se interrompem ou aparecem de forma fragmentada. Cada ator representa a potência máxima dessa memória, carregando em seu nicho elementos visuais que remetem ao pensamento do homem cego.

“As pessoas pensam que a vida é um longo caminho para frente, mas ela não é mais do que um passeio pela vizinhança”, diz o protagonista em determinado momento da peça. Durante o processo de criação, depoimentos pessoais de vizinhos, histórias do bairro e dos arredores do Sobrevento reuniram-se para contar as lembranças de alguém que “já não vendo mais a luz que há, se apega a luz que havia”. Na narrativa se misturam memórias de esperança e alegria, fantasmas que perseguem na escuridão e evocam o medo da morte, da dor das perdas, da fragilidade humana e das saudades.

O desafio do grupo foi amarrar as histórias colhidas e ressaltar na cena como determinado objeto conduz a narrativa. Um vestido, uma vela, uma tesoura e pratos de cozinha são alguns dos objetos que disparam as memórias. “Foi importante preservar a simplicidade com que cada pessoa nos contou sua história”, destaca Sandra. A artista ressalta que os assuntos mais recorrentes durante as conversas eram os relacionados com terra, morte e jardim.

Os figurinos assinados pelo estilista e figurinista João Pimenta, remetem a temas religiosos. Coroas de flores, túnicas, vestidos brancos, asas e penas compõem a vestimenta das personagens. O Grupo Sobrevento está indicado ao Prêmio Shell de Teatro de 2018, na Categoria Inovação, pela sua pesquisa no Teatro de Animação e de Objetos.

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Autor: Por: Redação