Conheça com exclusividade o Museu do Absinto, na Suíça

Por Eduardo Vessoni, do site Viagem em Pauta

Por: Redação Comunicar erro

Só pela lista dos personagens que eram adeptos de absinto, já dá para entender o que foi a febre do consumo da bebida, nas últimas décadas da história da Humanidade.

Aquele líquido de tons surreais que encantara (em todos os sentidos) europeus do século 19 foi o aperitivo preferido de figuras como Vincent van Gogh, o pintor neerlandês que cortou a própria orelha, supostamente, sob o efeito da bebida.

Outro devoto da Fada Verde, como também era conhecida, é o esquisitão Marilyn Manson, cuja paixão exagerada pela bebida o encorajou a criar a sua própria marca, o esverdeado Mansinthe produzido na Suíça.

Até a banda britânica de indie rock Kasabian já prestou homenagem ao personagem na música “La Fée Verte” no álbum “Velociraptor” (2011).

É tanta devoção pela bebida maldita, proibida na Suíça por abstêmios 95 anos, que aquele país alpino conta até com um museu inteirinho dedicado ao assunto.

Localizada em Val-de-Travers, a região do cantão de Neuchâtel que deu origem à bebida no século 18, abriga a Masion de l’Absinthe, casarão histórico de Môtiers que conta a trajetória da Fada Verde.

O local foi inaugurado em julho deste ano e o Viagem em Pauta foi o primeiro veículo brasileiro a conhecer o local, pessoalmente.

Nesse museu interativo, o visitante circula por salas que recriam ambientes relacionados à história da bebida como cafés parisienses do período da Belle Époque –onde estão expostos também cartazes publicitários antigos e objetos dos rituais de degustação como as colheres cromadas sobre cálices para adoçar aquele aperitivo de gosto questionável (devo confessor que tem que ser bem fã de anis para apreciar absinto).

Nas salas seguintes é possível ver também receitas antigas de preparação da bebida com fins medicinais, tocar e sentir os ingredientes usados na produção e conhecer a garrafa histórica de absinto de Couvet encontrada no naufrágio do navio Marie-Thérèse, em 1897, na Indonésia.

Entre as curiosidades do acervo está um sino francês de mesa do início do século passado, com extremidade em forma de figura diabólica, usado para chamar o garçom na hora de outra dose de absinto (dizem que era o diabo que abria as garrafas de absinto), e o divertido cartaz original de “A morte da Fada Verde” publicado na revista semanal Guguss, que satirizava a proibição do consumo da bebida na Suíça.

Na sala vizinha, o museu dedica parte do acervo ao período da produção clandestina, na Suíça e na França, como o barril de transporte ilegal de absinto da Madame Berthe Zurbuchen, considerada uma das melhores produtoras de absinto do século 20; o inusitado recipiente de metal usado para enviar absinto pelo correio, e até latas de frutas em conservas que eram, cirurgicamente, esvaziadas para transportar a bebida proibida.

Tudo isso bem diante dos olhos do visitante (e da mesa original do juiz que atuava no mesmo edifício, aplicando multas aos insurgentes).

O museu está situado no antigo apartamento onde morava (vejam que ironia!) o juiz responsável pelas condenações dos produtores ilegais de absinto.

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