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Que tal velejar pelo mundo?

Por: Redação | Comunicar erro
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Desde a minha primeira experiência velejando, um novo mundo se abriu à minha frente. Um mundo cheio de possibilidades. Ouso até dizer que esse mundo transformou sutil e intensamente a minha forma de ser.

Velejar me deu uma nova perspectiva de tempo e espaço; me fez sentir pequenina, e ao mesmo tempo forte, grandiosa por desbravar e se expor à natureza de uma forma tão plena, com pessoas desconhecidas, mas com histórias inspiradoras que tornaram isso possível. Ali, no meio daquela imensidão azul, somos um ser tão vulnerável. Mas quão vulnerável estamos todos os dias dirigindo numa rodovia? Qual tipo de vulnerabilidade a gente diariamente se propõe a viver? Aquela que nos conecta de alguma forma com a natureza, ou a que simplesmente te transporta de um lugar ao outro através de um chão cinza?

Me parecia impossível deixar de ir encontrar Tasha, Ryan e Kristi, esse trio de aventureiros que já pararam de contar o número de experiências no mar que viveram. Com um Catamaran de 44 pés, eles estão velejando o mundo. E transformaram essa história em mais que uma simples viagem: registrando cada momento em suas câmeras e se arriscando na edição de vídeos, eles criaram um canal no youtube chamado Chase The Story, onde nenhum momento passa imune sem ser gravado pelas lentes dos 3. Dá pra passar horas assistindo Tasha e os demais interagindo da forma mais autêntica e real. Há 2 gatinhas que viajam com eles também! Uma delas eu sou completamente apaixonada, pois na primeira semana que cheguei, ela ia dormir todas as noites coigo.  Essa delícia da foto abaixo.

O mundo é grande mas ao mesmo tempo é tão pequenino, e a tecnologia está a nosso favor se soubermos usá-la para tornar as distâncias mais curtas. E foi pela internet que encontrei Chase the Story. “Adventure crew wanted”, o anúncio literalmente pipocou na minha timeline do facebook. Eles procuravam um(a) videomaker pra entrar pro time numa travessia ousada de 3 semanas pelo Oceano Pacifico. Vendo a impossibilidade de cruzar as agendas por trabalhos que já estavam programados, mas ansiosa por viver mais uma Aventura, arrisquei e escrevi para Tasha sugerindo fazer o trecho anterior ao Pacífico, que seria St. Maarten > Anguilla > Colômbia (Catagena) > Panamá. Anexo enviei um breve texto sobre mim e um link dos meus trabalhos (aquelas mensagens que você manda e não sabe se terá resposta). Três ou quarto dias depois, várias mensagens trocadas, um call de 40 minutos no skype. Uma semana depois estava de malas prontas embarcando pra St. Maarten, no Caribe.

Meu histórico de notícias repentinas é vasto, então minha família já não se assusta mais. Acho que um dia vou conseguir escrever um pequeno livro com as frases que ouço da minha mãe quando ligo pra contar algo: “Ai meu deus, lá vem!”. Sempre começa assim. Depois surge um:“Filha, se joga!”; “Às vezes sinto que queria uma filha mais normal”. Mas eu duvido que ela queria mesmo. E ouso dizer que as melhores coisas que já fiz na vida não tiveram o mínimo de programação ou planejamento. Loucura pra mim seria ter deixado de faze-las.

Cheguei em St. Maarten e fui barrada na imigração por 2 horas: não conseguiam entender como eu estava chegando a um país pra ficar num barco, com passagem de volta comprada partindo do Panamá, outro país e sem saber onde o barco estava ancorado. Eu realmente só sabia o nome do barco: Cheeky Monkey. Passou aquele filme de 50 minutos em 2 segundos na minha mente, eu indo embora dali quando cogitaram me mandar de volta ao Brasil. Mas mantive a calma e fui a pessoa mais tranquila e educada do mundo, até que me deixaram ir até o portão de desembaque com uma das policiais para ver se encontrava Kristi. E lá estava ela, que precisou voltar ao barco e redigir uma carta official do capitão (Ryan), autorizando e se responsabilizando pela minha entrada. Terminamos o dia sentados no bar rindo de toda a situação!

(Neste vídeo, contamos um pouco do momento que cheguei a bordo do Cheeky Monkey!)

St. Maarten é bacana, apesar de estar bem longe do tipo de destino que eu escolheria para viajar. Ali dá pra ter idéia de quão grande é a comunidade de velejo no mundo. Rota de grandes iates, navios, cruzeiros, a ilha é cheia de barcos por todo o canto. Passamos cerca de 10 dias por ali organizando o barco, trabalhando nos vídeos para deixar tudo pronto para velejar por 7 dias até a Colômbia. Entre algumas coisas que precisavam ser arrumadas, estava o piloto automático. Decidimos ir até Anguilla, uma ilha vizinha (que é na verdade um país) passar 4 dias com Cat e Will, um casal de velejadores que está num ano sabático e também têm um canal no Youtube, onde mostram o dia a dia na vida no barco chamado Monday Never.

Cada vez mais percebo como é grande, unida e incrível a comunidade de velejo no mundo! Cada marina é um novo encontro com famílias inteiras viajando de barco com crianças, animais, gatos, cachorros. Conhecer e conversar com essas pessoas é, por si só, uma experiência única. Cada história, o que os move, o que e quem os inspira, os motiva, ver toda essa paixão por viver no mar, do mar e deixar certos confortos para trás em busca de viver uma aventura e de certa forma uma vida mais simples. Ensinando novos valores a essas crianças, dando a elas a oportunidade de ter uma intimidade impressionante com o mar e viver uam vida tão diferente dos padrões da cidade. Muitas delas só começam a frequentar escolas com idades muito avançadas comparadas às que nós, pessoas “comuns” somos inseridas. Mas nessa escola da vida, se aprendem outras matérias que não se ensinam nos livros. Algo lindo de se ver!

Bocas del Torro, Isla de Zapatilla Cays[/img]

Viver no mar pode ser simples. Envolve se adequar a um espaço pequeno, envolve ter a capacidade de dividir e compartilhar esse espaço com outras pessoas, envolve ficar 3, 4 dias sem tomar banho ou se jogando na água salgada porque o sistema de fazer água a partir da dessalinização parou de funcionar, ou de repente reaprender a lavar louça de forma a utilizar menos água – isso é um desafio para os brasileiros. E tudo bem, sabe? Pescar sua comida, passar dias, semanas desconectado, pensar como separar e descartar seu lixo quando chega numa marina, ou o que você pode ou não descartar no mar, cozinhar pra todo mundo, dividir as funções no barco, acordar às 2, 3, 4 da manhã para seu turno no leme.

E as recompensas que mal posso enumerar aqui: acordar as 4 da manhã para seu turno no leme e ver golfinhos nadando ao ser redor enquanto o sol surge no horizonte e sentir aquele respeito profundo pela vida e pelos seres que ali vivem, ser surpreendida por uma “chuva” de peixes voadores no melhor estilo “As aventuras de Pi” e sair correndo pelo barco no meio da noite tentando salvá-los jogando-os de volta ao mar enquanto outros vão voando e te atingindo na cabeça e você chora de tanto rir, chegar a lugares totalmente remotos e isolados, ilhas sem um único habitante, ancorar num local de água cristalina enquanto arraias passam tranquilamente por baixo do barco; fazer uma fogueira na praia logo abaixo das estrelas, estar num lugar onde você só conseguiria chegar após pegar 2 vôos e 3 barcos.

Hoje me pego pensando que desde o momento que decidimos fazer uma viagem, somos bombardeados de informação, do check in no aeroporto, passando por lojas e lojas no Duty free tentando nos vender itens que não necessariamente precisamos, aí sentamos para esperar por 2 horas na área de embarque usando o wi-fi livre do aeroporto pra mandar mensagens no whatssap, acessar ainda mais informação como se tudo ao nosso redor já não fosse o suficiente. E quando embarcamos já começamos a ver as opções de filmes pra assistir enquanto você cruza um oceano inteiro! E quanta coisa continua acontecendo nessa nossa jornada distraída pelo mundo?

Foram 40 dias que significaram mais de 4 meses intensos.

Conhecemos a vida nessas pequenas ilhas como Anguilla, um povo amável e simples. Nos divertimos num festival de música e frutos do mar, aparentemente o maior evento do ano para eles e brincamos e dançamos e nos jogamos no chão com as crianças na praia. E voltamos para o barco com o coração tão cheio e feliz!

Foto: Kristi Wilson[/img]

De lá seguimos para Cartagena, dançamos salsa, andamos a pé pela cidade inteira, recebemos mais 2 integrantes no barco que farão parte da travessia do oceano Pacífico: Liam, da Nova Zelândia e Jemma, da África do Sul. Ambos chegaram ao Cheeky Monkey da mesma forma que eu, por um anúncio no facebook. Pessoas lindas com o espírito aventureiro.

Liam está há mais de três anos for a de seus país viajando com uma mochila nas costas e estava buscando uma forma de voltar para casa que não fosse comprar uma passagem aérea. Foi quando viu o Cheeky Monkey. Jemma tem apenas 18 anos e já é apaixonada pela vida no mar. Tem uma mão linda para arte e chegou para adicionar ao crew seu olhar doce e delicado com animações incríveis feitas a partir de massinha de modelar e ilustrações.

Foto: Liam McCorkindale[/img]

Crédito: Bruna Arcangelo Toledo
Crédito: Bruna Arcangelo Toledo
Crédito: Bruna Arcangelo Toledo
Crédito: Bruna Arcangelo Toledo
Crédito: Bruna Arcangelo Toledo
Foto: Bruna Arcangelo Toledo / videocomalma.com
Crédito: Bruna Arcangelo ToledoFoto: Bruna Arcangelo Toledo / videocomalma.com
Crédito: Bruna Arcangelo ToledoFoto: Bruna Arcangelo Toledo / videocomalma.com
Crédito: Bruna Arcangelo ToledoFoto: Bruna Arcangelo Toledo / videocomalma.com

De lá seguimos para o Panamá, Colón, onde ficamos cerca de 1 semana enquanto o barco se preparava para cruzar o Canal do Panamá.

Ficar nas marinas é sempre uma experiência interessante, pois se encontra personalidades únicas que geralmente estão fazendo travessias ousadas, às vezes a mesma que a sua. Então a troca é muito grande.

Eu já estava pronta para deixar o barco e viajar sozinha pelo Panamá, quando Tasha e Ryan decidiram fazer mais um passeio antes de cruzar o canal: fomos para Bocas Del Toro, outro daqueles lugares de tirar o fôlego.

O Panamá tem uma floresta densa, cheia de macacos, bichos preguiça. Linda! E Bocas del Toro é, assim como San Blas, um conjunto de diversas ilhas. Ancoramos em Cayo Zapatilla, éramos o único barco por ali, naquela pequena ilha paradíaca. Passamos o dia fazendo wakeboard, snorkel, aprendendo a dar back flip com o novo integrante Lance e fizemos uma fogueira no pôr do sol.

Foi quando tive uma das experiências mais lindas da minha vida: pulei do barco com a mascara de snorkel à noite, e cada movimento que meu corpo fazia, pontos brilhantes e cintilantes reluziam por toda parte à minha volta! Eram eles, os plânctons! Enlouqueci e chamei todos pra pular do barco comigo, estava fascinada. Liam acolheu e acho que passamos uma hora nadando no meio do mar escuro, enquanto cada poro da minha pele brilhava como se eu tivesse envolvida por milhares de luzes de led verde flúor. São momentos que só acontecem quando a gente se dá a oportunidade de vive-los.

Isso é viver. Quantas vezes me peguei sobrevivendo e fazendo coisas que não gosto ou não acredito?

Decidi que não existe mais espaço ou tempo para sobreviver ou viver se não for intensamente. E vou atrás das minhas pequenas ou longas travessias pelos oceanos pra aprender o que a vida só ensina para quem se permite arriscar.

Se você quiser acompanhar as aventuras do barco Cheeky Monkey, você pode seguí-los no facebook, Instagram (@chasethestory) ou no Youtube, onde eles postam todos os novos vídeos de cada aventura e lugares que passaram!

Se quiser me escrever para saber mais das aventiras ou apenas pra dizer oi, ficarei feliz em te ouvir e responder: parabruna@gmail.com

Se quiser conhecer mais do meu trabalho: www.videocomalma.com / Instagram: @brunaatoledo

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