Como identificar um homem machista no Carnaval

#CarnavalSemAssédio: durante a folia, as situações de abuso são ainda mais comuns

Por: Superela
Muitos homens têm dificuldade para entender que não é não

Você já sabe identificar um homem machista? A gente já falou muito sobre isso por aqui, mas sabe que pode ser complicado no dia a dia – esse é um comportamento tão intrincado na nossa sociedade que ele pode passar despercebido. Em uma situação como o Carnaval, isso pode ficar ainda mais comum e até meio gritante.

Para evitar problemas, a gente pensou em falar sobre como identificar um homem machista em uma situação como essa, quando a gente sabe que o assédio e até as acusações de abuso crescem exponencialmente. O mais importante, nessa e em qualquer outra época do ano, é você lembrar que a sua segurança é a prioridade e, em qualquer situação de perigo, o melhor a fazer é buscar as autoridades ou pedir ajuda a alguém que esteja próximo.

Por mais que a gente saiba que a necessidade é de uma mudança de cultura e mentalidade da sociedade, a gente aconselha você a não andar sozinha à noite, mesmo em vias movimentadas e com a folia dos bloquinhos e manter o celular em um lugar seguro, mas de fácil acesso (como preso ao sutiã), para entrar em contato com alguém, caso seja preciso.

Como identificar um homem machista no Carnaval?

1. Ele te puxa pela mão ou pela cintura sem permissão

Um homem que pega você pelo braço ou pela cintura sem que você tenha permitido esse contato pode, sim, ser considerado machista. No mínimo, ele se vê no direito de ter esse tipo de comportamento já que você é mulher. Pode nem ser algo consciente, mas em algum nível ele sente que isso é certo e que você tem que se sentir lisonjeada pela aproximação dele.

2. Ele te beija à força

Aí a gente sai até do âmbito do machismo para entrar direto no abuso sexual. Qualquer tipo de interação de cunho sexual (um beijo à força, por exemplo) é considerado abuso e deve ser denunciado às autoridades. Não aceite se isso acontecer, ok? Assim como no item anterior, com certeza o cara acredita que tem direito de agir dessa forma e que você deveria ficar feliz com isso.

3. Ele diz que você está ‘provocando’ com a fantasia

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Texto escrito por Marcela De Mingo e publicado no Superela

Como agir em caso de assédio sexual

Seja no Carnaval ou não, o assédio contra mulheres envolve uma série de condutas ofensivas à dignidade sexual que desrespeitam sua liberdade e integridade física, moral ou psicológica.

Lembre-se: onde não há consentimento, há assédio! Não importa qual roupa você vista, de que modo você dance ou quantas e quais pessoas você decidiu beijar (ou não beijar): nenhuma dessas circunstâncias autoriza ou justifica o assédio.

O que fazer caso eu presencie um assédio?

  • Apoie a vítima e a auxilie a realizar a denúncia junto aos canais oficiais;
  • Ofereça-se como testemunha, caso você tenha testemunhado os fatos. Lembre-se: a omissão também ajuda a perpetuar a violência, pois cria uma ideia de que há uma tolerância generalizada a elas;
  • Como denunciar? Qualquer assédio contra a mulher pode ser denunciada pelo número 180. A denúncia pode ser feita de forma anônima e é importante fornecer a maior quantidade de informações possíveis para que haja material suficiente para uma investigação e possível responsabilização do agressor. O fato da denúncia ter sido feita pelo 180 não impede que a vítima vá até uma delegacia fazer um boletim de ocorrência também;
  • Caso esteja diante de uma conduta ocorrendo naquele momento, faça registros (fotografe/filme) e ligue para a autoridade policial. Isso pode permitir que a conduta seja pega em flagrante facilitando a denúncia para as autoridades;
  • Se a pessoa estiver em situação de vulnerabilidade, como, por exemplo, em razão de embriaguez, ela pode não ter consciência do que está acontecendo, ofereça ajuda garantindo a segurança da mesma, pois, infelizmente, muitos casos de assédio e até de estupro ocorrem nessas circunstâncias, o que são elementos levados em conta no processo pois podem aumentar a pena do agressor. Em casos assim, ela não tem condições de consentir ou não. Regra de ouro: a pessoa só pode ter consentido se ela tiver condições para isso e sexo sem consentimento é estupro;
  • Em casos de violência contra criança e adolescentes a denúncia pode ser feita no conselho tutelar, no Ministério Público e/ou na Delegacia da Infância e da Juventude (se não houver delegacia especializada, busque uma delegacia normal).

O que fazer caso eu seja vítima de um assédio?

  • Peça ajuda a quem estiver por perto e acione policiais que estiverem no local. Depois, registre um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima. Casos assim não podem ser registrados por boletim de ocorrência online;
  • Guarde todas as informações que conseguir referentes ao assédio: anote o dia, horário e local, nome e contato de testemunhas, características do agressor, tire fotos, filme etc. Verifique também se há câmeras no local do crime, pois, a partir disso, as imagens poderão ser solicitadas. Quando fizer o boletim de ocorrência ou qualquer outro tipo de denúncia, é importante levar o maior número de provas do ocorrido. Isso inclui vídeos e fotos no celular, testemunhas, conversas em redes sociais, entre outras. As autoridades policiais precisam de material para conduzir a investigação e a depender do caso, repassar para o Ministério Público. Muitos casos não seguem por falta de provas ou falta de indícios de quem é o autor;
  • Infelizmente, é comum o uso de drogas como “Boa Noite Cinderela” e outras para que a vítima fique sonolenta e mais suscetível ao estupro. Caso o abuso tenha ocorrido através desta prática, é importante que a vítima faça o Exame Toxicológico (através de exame de sangue e urina) em no máximo 5 dias após a ingestão. O ideal é realizar o exame o quanto antes possível;
  • Você pode fazer uma denúncia pelos telefones da Polícia Militar (190) e do Disque 180;
  • É importante ressaltar que a autoridade policial não pode se recusar a registrar a ocorrência. Infelizmente, há casos em que a autoridade policial tenta dissuadir a vítima de fazer o boletim. Caso isso aconteça, registre uma reclamação na ouvidoria do órgão em que ocorreu a recusa. Sendo ineficaz, procure o Ministério Público local para denunciar a recusa e o crime.

Campanha #CarnavalSemAssédio

Este ano é um marco: estamos na quinta edição da campanha #CarnavalSemAssédio, e, diferentemente de 2016, quando tudo começou, podemos afirmar que esta se tornou a pauta obrigatória quando se fala em Carnaval. Assédio não deve ser tolerado em situação nenhuma e nosso objetivo é mostrar que isso deve ser aplicado a cada bloco, a cada desfile, a cada baile.

Catraca Livre, em parceria com a produtora Rua Livre e a Prefeitura de São Paulo, com apoio oficial da 99, levará para as ruas, pelo segundo ano consecutivo, a força-tarefa dos Anjos do Carnaval. A equipe, voluntária e treinada, será responsável por acolher e orientar mulheres e LGBTs vítimas de assédio; do alto de trios elétricos de blocos parceiros, eles também ajudarão a identificar assediadores.

Em 2020, a ação dos Anjos cresceu: além de São Paulo, que se tornou o principal destino de Carnaval do país, teremos voluntários também em blocos de Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. Saiba mais aqui.


Imagem Carnaval Sem Assedio

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