Carnaval Sem Assédio
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Estupro de vulnerável aumenta no Carnaval de São Paulo

Levantamento exclusivo da Gênero e Número aponta que adolescentes e mulheres inconscientes são principais vítimas de crime sexual no Carnaval de SP

Por: Gênero e Número
Crédito: Romkaz/iStockPesquisa mostra dados sobre estupro em São Paulo durante o Carnaval

Por Flávia Bozza Martins, Lola Ferreira e Maria Martha Bruno*

Ainda era pré-Carnaval de 2017 quando a jovem Carolina, na época com 22 anos, tomou um susto ao ver que um homem desconhecido havia tirado sua blusa, por trás. A agressão inicial se desdobrou em uma luta corporal, sem apoio de nenhuma das 700 mil pessoas que acompanhavam o bloco Casa Comigo, no Largo da Batata, em São Paulo. Carolina teve de se defender do homem, que ainda a agarrou pelo pescoço e a jogou no chão. Durante os minutos de pavor de Carolina, abusada e agredida, o culpado ria. Ela conseguiu arranhá-lo mas, nas próprias palavras, nunca irá esquecer o que aconteceu.

O relato do abuso sofrido por Carolina foi curtido ao menos 55 mil vezes no Facebook, e foram mais de 11 mil comentários de apoio. Carolina, como outras dezenas de mulheres, foi mais uma vítima do machismo na festa mais popular do país, na cidade que tem despontado como um dos principais destinos da folia: em 2019, São Paulo ultrapassou o Rio de Janeiro em número de blocos e a previsão para 2020 é um aumento de 62% na quantidade de cortejos, com 796 no total.

No primeiro trimestre de 2017, ano em que Carolina entrou para as estatísticas, foram 31 crimes sexuais contra mulheres relacionados a eventos de Carnaval, sendo que 29% deles aconteceram entre a sexta e a terça-feira da festa. Já nos últimos cinco anos, casos de crimes sexuais no primeiro trimestre, em eventos relacionados ao Carnaval (antes, durante ou após a festa), somam 177 registros de ocorrência na Polícia Civil do estado. A Gênero e Número começa por São Paulo uma série de reportagens baseadas em pedidos de dados, via Lei de Acesso à Informação, sobre crimes contra mulheres nos maiores carnavais do país.

Os números de São Paulo foram enviados pela Secretaria de Segurança Pública do estado. A solicitação exigiu que fossem mandados somente os registros de ocorrência com as palavras-chaves “bloco de carnaval”, “bloco” e “carnaval” no registro. O número de casos pode ser maior, pois casos relacionados a crimes sexuais e abuso tendem à subnotificação.

No Carnaval e a qualquer momento, mulheres vítimas de abuso sexual e testemunhas de ocorrências podem denunciar o Disque 180 ou acionar a polícia no 190. Denuncie.

*Flávia Bozza Martins é analista de dados, Lola Ferreira é repórter e Maria Martha Bruno é editora da Gênero e Número.

Leia a reportagem na íntegra aqui.