“Conto Piadas”, diz o cartaz no meio da rua

Andando pelas ruas de São Paulo não é difícil encontrar algum artista dançando, cantando, se fingindo de estátua ou pintando. Mas contando piadas, e de graça, não é sempre. E é isso que faz o comediante Gabriel Cielici, um santista de 28 anos que senta no meio da rua e conta piadas a quem quiser ouvir.

anderson menezes
“Eu sou o Gabe – Conto Piadas” é assim que o comediante Gabriel Cielici trabalha, nas ruas, esperando que alguém apareça para ouvir sua produção.

“Na rua, é muito mais difícil fazer piada, porque você está olhando para a cara da pessoa, contando uma piada só para ela. Se ela não rir, é o pior clima do mundo”, diz Gabe, explicando que ele insiste até que seus ouvintes deixem escapar uma risada. “Mesmo que seja de constrangimento”, brinca.

Gabe não aceita dinheiro pelos risos, a não ser em casos especiais, como quando alguém dá uma piada de presente para outra pessoa. “Eu faço pra testar meu material”, conta, “e também para tentar alegrar a vida de alguém, se a pessoa quiser”.

Para o comediante, a rua é um ambiente único. “É uma coisa incrível. Você absorve tudo ao seu redor e ele te absorve também.” Ele conta que suas piadas acabam sendo inclusivas. “O pessoal associa o stand up tradicional a uma coisa de classe média, até por culpa do contexto, mas aqui é mais abrangente, muitos dos meus ouvintes são moradores de rua”

Do café para a rua

Tudo começou quando Gabe decidiu entrar para o ramo da comédia depois de perder o emprego de classificador de café. Por ser fã de Stand Up Comedy, ele tinha várias ideias, mas era difícil colocá-las no papel.

Ele conta que tentou escrever em casa e em cafés – “Aquela coisa de filme americano”, diz –, mas não deu muito certo. “Na minha casa, uma quitinete, não tinha espaço nem para uma mesa e nos cafés eu gastava muito dinheiro tomando espresso. Aí fui par a rua mesmo.”

Nas primeiras vezes, Gabe só colocava sua mesinha na rua e começava a trabalhar em seus roteiros. “Um dia uma pessoa chegou e perguntou o que eu estava fazendo”, lembra. “Falei que escrevias piadas e ela pediu para contar uma. Foi tão legal que no dia seguinte eu já fiz um cartaz ‘Conto Piadas’”.

Crétido: eusouogabe/Instagram
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Humor sem apelo

“Muita gente passa esperando aqueles estereótipos de stand up. Mas eu não faço piada com machismo, misoginia, homofobia, racismo nem nenhum outro tipo de preconceito”, conta. É possível fazer humor assim? “Eu te dou cinco temas: animal, ex, maconha, piada de pontinho e piada aleatória. Você escolhe um, eu conto uma piada e você tira a prova se é engraçado ou não”, brinca.

Quem quiser conferir as piadas de Gabe pode encontrá-lo de segunda a sexta-feira na frente do Parque Trianon, das 14h às 18h. Aos sábados, ele fica no Parque do Ibirapuera, em vários lugares, das 11h às 17h. E aos Domingos, sua mesinha fica no Minhocão, das 11h às 19h.

Para quem quiser o stand up mais tradicional, atrás do microfone, Gabe se apresenta no show “A espetacular hora da comédia” – com o mesmo estilo de humor – no Frey Café & Coisinhas, às terças-feiras, às 20h.

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