“Conto Piadas”, diz o cartaz no meio da rua

Por: Felipe Blumen

Andando pelas ruas de São Paulo não é difícil encontrar algum artista dançando, cantando, se fingindo de estátua ou pintando. Mas contando piadas, e de graça, não é sempre. E é isso que faz o comediante Gabriel Cielici, um santista de 28 anos que senta no meio da rua e conta piadas a quem quiser ouvir.

anderson menezes
“Eu sou o Gabe – Conto Piadas” é assim que o comediante Gabriel Cielici trabalha, nas ruas, esperando que alguém apareça para ouvir sua produção.

“Na rua, é muito mais difícil fazer piada, porque você está olhando para a cara da pessoa, contando uma piada só para ela. Se ela não rir, é o pior clima do mundo”, diz Gabe, explicando que ele insiste até que seus ouvintes deixem escapar uma risada. “Mesmo que seja de constrangimento”, brinca.

Gabe não aceita dinheiro pelos risos, a não ser em casos especiais, como quando alguém dá uma piada de presente para outra pessoa. “Eu faço pra testar meu material”, conta, “e também para tentar alegrar a vida de alguém, se a pessoa quiser”.

Para o comediante, a rua é um ambiente único. “É uma coisa incrível. Você absorve tudo ao seu redor e ele te absorve também.” Ele conta que suas piadas acabam sendo inclusivas. “O pessoal associa o stand up tradicional a uma coisa de classe média, até por culpa do contexto, mas aqui é mais abrangente, muitos dos meus ouvintes são moradores de rua”

Do café para a rua

Tudo começou quando Gabe decidiu entrar para o ramo da comédia depois de perder o emprego de classificador de café. Por ser fã de Stand Up Comedy, ele tinha várias ideias, mas era difícil colocá-las no papel.

Ele conta que tentou escrever em casa e em cafés – “Aquela coisa de filme americano”, diz –, mas não deu muito certo. “Na minha casa, uma quitinete, não tinha espaço nem para uma mesa e nos cafés eu gastava muito dinheiro tomando espresso. Aí fui par a rua mesmo.”

Nas primeiras vezes, Gabe só colocava sua mesinha na rua e começava a trabalhar em seus roteiros. “Um dia uma pessoa chegou e perguntou o que eu estava fazendo”, lembra. “Falei que escrevias piadas e ela pediu para contar uma. Foi tão legal que no dia seguinte eu já fiz um cartaz ‘Conto Piadas’”.

Humor sem apelo

“Muita gente passa esperando aqueles estereótipos de stand up. Mas eu não faço piada com machismo, misoginia, homofobia, racismo nem nenhum outro tipo de preconceito”, conta. É possível fazer humor assim? “Eu te dou cinco temas: animal, ex, maconha, piada de pontinho e piada aleatória. Você escolhe um, eu conto uma piada e você tira a prova se é engraçado ou não”, brinca.

Quem quiser conferir as piadas de Gabe pode encontrá-lo de segunda a sexta-feira na frente do Parque Trianon, das 14h às 18h. Aos sábados, ele fica no Parque do Ibirapuera, em vários lugares, das 11h às 17h. E aos Domingos, sua mesinha fica no Minhocão, das 11h às 19h.

Para quem quiser o stand up mais tradicional, atrás do microfone, Gabe se apresenta no show “A espetacular hora da comédia” – com o mesmo estilo de humor – no Frey Café & Coisinhas, às terças-feiras, às 20h.

Compartilhe: