Feira Afro abre as portas para o empreendedorismo na ZL de São Paulo

Em resposta ao desemprego, negros representam 51% dos empreendedores no Brasil. Conheça o projeto idealizado por Ednusa Ribeiro na zona leste de SP

Por: Redação

O legado deixado pela quituteira Luiza Mahin, símbolo da revolta dos malês_o maior levante de homens e mulheres escravizados no Brasil ocorrido em 1835 em salvador_foi o que motivou a funcionária pública Ednusa Ribeiro a empreender.

Sua luta é subverter as regras do jogo que colocam a mulher negra na base da pirâmide social por meio do artesanato, cultura e empoderamento comercial. “Usando a metodologia do empreendedorismo, a mulher preta sempre se virou com o que tem. Seja vendendo lanche, coxinha, geladinho ou qualquer coisa para pagar as contas”.

Criou em 2016 a Feira Afro Meninas Mahin, um negócio de impacto social que visa movimentar a economia solidária na zona leste de São Paulo.

O evento acontece no segundo sábado de cada mês na Praça das Professoras, no bairro Cidade A.E. Carvalho e no último sábado do mês no Largo do Rosário, na Penha. Nas tendas, os visitantes encontram  brincos, acessórios, tecidos e vestuários que valorizam a cultura afro brasileira e africana.

Além da feira, o coletivo oferece todo suporte necessário para que as empreendedoras possam gerir o próprio negócio. São oferecidas aulas de custos, gestão financeira, marketing, marketing digital, relações públicas e outras dicas de capacitação por meio de palestras.Formada em administração, Ednusa tem como premissa compartilhar os aprendizados que teve na Faculdade. Para ela, “conhecimento só gera conhecimento quando ele é distribuído”.

E a troca de saberes tem rendido frutos. Desde 2017, quando o coletivo ocupou as ruas da zona leste pela primeira vez, 33 feiras foram realizadas naquele ano. Em 2018, 36 edições e, neste ano, 40 eventos devem ser organizados até dezembro.

“Por que a gente tem que sair daqui ?”

Ednusa comemora o crescimento do projeto que hoje conta com cerca de 90 participantes de todo o estado de São Paulo. “A gente tem feiras em toda a cidade. Por que a gente tem que sair daqui, ir pro outro lado de São Paulo, sendo que nossas artesãs são tão boas quanto as de qualquer outra feira”.

Para o futuro, Ednusa, que ainda se divide entre a organização da feira e o trabalho como gestora pública, reconhece os desafios que enfrentará no caminho. Por isso, escolhe não fazer projeções a longo prazo. Ela reflete: “Trabalhamos a passos curtos e pequenos passos consolidados. Prefiro pensar no mês que vem. Por que ? Eu trabalho com impacto social, eu preciso entender que as pessoas dependem de renda. Elas tem conta para pagar e é diferente de uma empresa consolidada”.

A próxima edição da Feira Afro Meninas Mahim está marcada para o dia 12 de outubro, das 10h às 17h, na Praça das Professoras.

Confira algumas fotos da feira! 

Wilma Rodrigues, sócia e fundadora do projeto, ao lado de Ednusa, faleceu em agosto
Wilma Rodrigues, sócia e fundadora do projeto, ao lado de Ednusa, faleceu em agosto

Os números do afroempreendedorismo

Atualmente, os negros formam o maior contingente de empreendedores no Brasil, 51%, segundo pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Sebrae com dados de 2017.

O grupo representa 38,8% dos pequenos negócios no País, contra 32,9% dos brancos, e lidera tanto no ranking dos empresários já estabelecidos quanto no de iniciantes.

E pesquisa de 2018 do IBGE indica que a população negra do Brasil (114,8 milhões de pessoas) movimenta, em média, R$ 1,7 trilhão por ano no Brasil.

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