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Que comece o matriarcado: a importância das lideranças femininas no mercado de trabalho

Conversamos com 3 mulheres em cargos de liderança na XP Investimentos para saber quais são os desafios para combater a desigualdade de gênero

Por: Publi
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Segundo meta estabelecida pelo G20, que prevê a redução da desigualdade de gênero nas 20 maiores economias do mundo até 2025, o Brasil tem o desafio de reduzir a diferença entre homens e mulheres no mercado de trabalho em até 25%.

O cenário, no entanto, não é nada favorável. Isso porque o relatório apresentado pelo Fórum Econômico Mundial aponta que o Brasil ocupa apenas o 130º lugar no ranking de equidade salarial. Mostra ainda que mulheres ocupam apenas 20% dos cargos de gestão, ainda que a força de trabalho seja composta por 45 milhões de mulheres.

Ana Luisa Monteiro, Marcella Ungaretti e Beatriz Vergueiro trabalham para que mais mulheres assumam posições de liderança na XP Investimentos
Crédito: Montagem | Fotos de arquivo pessoalAna Luisa Monteiro, Marcella Ungaretti e Beatriz Vergueiro trabalham para que mais mulheres assumam posições de liderança na XP Investimentos

Apesar disso, há quem lute para contornar a situação. É o caso de Marcella Ungaretti, analista ESG do time de Research na XP Investimentos, Ana Luisa Monteiro, Innovation na XP Investimentos, e Beatriz Vergueiro, Head de Produtos ESG da XP Inc.

Protagonistas da própria transformação frente aos obstáculos de um mundo dominado pela cultura do machismo, dentro e fora das empresas, elas refletem sobre o que já foi feito até aqui e como podem contribuir para a inserção de mulheres no mercado financeiro.



Quebrando paradigmas

Ana Luisa Monteiro, que fez uma mudança na carreira ao ir para o mercado financeiro, relata sua experiência de sair de um ambiente conhecido pela diversidade para atuar em outro que ainda tem um caminho a percorrer. “Quando fui para o mercado financeiro algumas amigas questionaram se eu não tinha receio de mudar para um ambiente muito mais masculino e não tão diverso. Penso que se a gente não der o primeiro passo ninguém vai dar.”

Ana Luisa Monteiro
Crédito: Acervo Pessoal“Quando fui para o mercado financeiro algumas amigas questionaram se eu não tinha receio de mudar para um ambiente muito mais masculino e não tão diverso. Penso que se a gente não der o primeiro passo ninguém vai dar”,  Ana Luisa Monteiro, uma das líderes do coletivo MLHR3 dentro da XP Investimentos

Para Ana, que é uma das líderes do coletivo MLHR3 dentro da XP Investimentos, além de dar o primeiro passo é importante estar atenta ao protagonismo das mulheres no mercado de trabalho. “Então, tem uma questão também de protagonismo, porque as pessoas precisam enxergar outras com as quais se identificam para aumentar a conexão.”

Ela, que atua na área de inovação da companhia, destaca iniciativas que visam atrair mais colaboradoras femininas não apenas para a XP, como para todo o setor. “Temos um grupo no Telegram com universitárias, que visa a inserção no mercado financeiro. O que mais escutamos é que elas sentem falta de mulheres no setor. Por isso temos que protagonizar essa história e mostrar que aqui também é nosso lugar.”

Para realmente provocar mudanças, Ana explica que a luta contra o machismo estrutural que contamina o mercado de trabalho não pode ficar só no discurso. “É uma questão estrutural, uma luta diária. Mas aqui na XP isso não fica só no discurso. Uma coisa que é muito boa de ver acontecer de fato. Todo engajamento com o público, nossos clientes, os projetos que erguemos. A diversidade só aumenta o potencial da empresa, então é super importante ter essa cultura enraizada.”


Beatriz Vergueiro, Head de Produtos ESG da XP Inc.
Crédito: Acervo Pessoal“Ano passado trabalhamos muito para colocar o grupo de mulheres de pé. Algo que começou com 8 mulheres, hoje tem mais de 200 pessoas”, Beatriz Vergueiro, Head de Produtos ESG da XP Inc.

Já Beatriz Vergueiro, Head de Produtos ESG da XP Inc., área estratégica no desenvolvimento da diversidade, relembra os esforços que envolveram a companhia na construção de um ambiente acolhedor. “Ano passado trabalhamos muito para colocar o grupo de mulheres de pé. Lançamos uma série de projetos e isso nos dá muito orgulho. Algo que começou com 8 mulheres, hoje tem mais de 200 pessoas, ganhou exposição e deu início a esse movimento não apenas na XP, mas em todo o mercado.”

Com mais de 2 anos de casa, Marcella Ungaretti destaca a evolução da companhia para criar um ambiente diverso e ressalta o envolvimento coletivo no trabalho que envolve não apenas a inserção de mulheres, mas profissionais com deficiência, negros e LGBTQI+:

“Por estar há algum tempo na XP, vejo como é importante ter isso disseminado não só na alta liderança, mas presente na companhia como um todo, em diferentes áreas e pessoas que levantam a bandeira. Um poder que é muito grande. No sentido de ter cada vez mais mulheres na liderança, que possam motivar outras profissionais e mostrar que, sim, é possível inspirar. Vejo isso como uma cadeia que se retroalimenta com cada vez mais mulheres presentes.”

De acordo com Marcella, para superar a desigualdade de gênero dentro da XP, criou-se uma estrutura dividida em quatro frentes: atração; recrutamento e seleção; ascensão e retenção; e capacitação. “A gente acredita que não é somente via contratação de estagiárias. Claro que é uma das frentes, mas também há um esforço no que diz respeito à retenção e promoção das mulheres que já estão aqui para chegarem à liderança.”

Em meio à crise de desemprego que assola o país nos últimos anos, um dos maiores desafios enfrentados pelos recrutadores envolve a falta de capacitação. É neste ponto que a empresa também busca marcar presença.

“Muitas vezes você se depara com questionamento do tipo ‘A gente não contrata mulheres porque não tem mulheres’. Então se não tem mulheres, a gente vai ajudar a capacitá-las nessas determinadas funções. Porque grande parte da mão de obra qualificada é feminina e isso deveria ser o reflexo do mercado. Infelizmente não é”, enfatiza Ana Luisa Monteiro. “E é por isso que a gente olha muito para a retenção e ascensão das mulheres para que elas possam chegar de fato onde elas merecem chegar.”



Profissionais gestantes

Outro tema sensível à contratação de mulheres no mercado de trabalho diz respeito à maternidade. Beatriz reflete sobre o que ela chama de autoboicote de profissionais que, ao optarem por ter filhos, abrem mão da carreira. “Muitas mulheres quando chegam à idade de ter filhos começam a perder confiança na ambição profissional. O que representa um autoboicote muito forte.”

“Por isso é importante incentivar para que essas mulheres tenham essas ferramentas para continuar crescendo, sendo ambiciosas e chegar ao topo e mesmo assim ter uma família”, ressalta Beatriz.

Marcella Ungaretti, analista ESG do time de Research na XP Investimentos
Crédito: Divulgação“O que a gente tem visto no mercado é que, cada vez mais, esse pilar de diversidade e inclusão dentro do aspecto ESG ganha relevância nas companhias”, Marcella Ungaretti, analista ESG do time de Research na XP Investimentos

Ainda sobre a questão da maternidade, Ana Luisa exalta a importância do home office nesta fase, permitindo maior presença dos pais na primeira infância dos filhos. Lembra ainda a importância da quebra de alguns tabus como a contratação de gestantes:

“A flexibilidade ajuda muito. Recentemente a gente fez algumas contratações de mulheres grávidas, o que é muito incomum no mercado financeiro. Porque nosso discurso não é sobre ter a pessoa a curto prazo. A gente quer a pessoa para um projeto de vida. Profissionais a longo prazo. Não importa se está grávida agora e vai ficar 6 meses afastada. O que vale é mostrar que você estar grávida e ter filhos não é impeditivo para crescer na carreira.”

Marcella enfatiza ainda o papel da diversidade e inclusão no mercado de trabalho e os benefícios que o conceito ESG pode oferecer às empresas. “O que a gente tem visto no mercado é que, cada vez mais, esse pilar de diversidade e inclusão dentro do aspecto ESG ganha relevância nas companhias.”

“Um ambiente diverso é benéfico em todos os sentidos. Você tem ideias diferentes que se complementam, debates mais ricos, comprovados inclusive por estudos que mostram isso. Empresas mais diversas tendem a ser mais inovadoras e performam melhor a longo prazo. E cultivar isso em todas as etapas desde a atração, retenção, promoção e desenvolvimento desses talentos é imprescindível para incentivar outras pessoas a entrar no mercado. Isso contribui para que as empresas evoluam muito”, conclui Marcella.

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