Cidade e escola: quanto que uma é extensão da outra?

A última roda de conversa da Ciranda de Filmes ocorreu no último dia 10 de junho. “A maestria do chão” trouxe um assunto que vem sendo bastante discutido desde os anos 90: as cidades como espaços educadores. A expansão deste conceito no Brasil  tem influenciado muito pesquisas acadêmicas, projetos e práticas escolares e políticas públicas por todo Brasil, propagando a ideia de que os espaços além dos muros escolares também ensinam (Confira várias matérias do Catraquinha sobre o assunto aqui). Para conversar sobre como o “chão” é mestre da infância e como formamos nossa geografia em lugares que nos ensinam, formam e inspiram foram convidados o Coletivo Contrafilé, a arquiteta Bia Goulart, e a educadora Monica Passarinho, do Instituto Toca. O bate-papo foi mediado pela produtora e roteirista Vanessa Fort.

crédito: Aline Arruda
Joana Zatz , Cibele Lucena, Vanessa Fort ,Beatriz Goulart e Mônica Passarinho.

Grupo Contrafilé

crédito: Divulgação Contrafilé
Parque para Pensar e Brincar no Jardim Miriam.

“A maior obra de arte do homem é a cidade e ela é viva. Uma obra feita para viver dentro”, é o que acredita o grupo Contrafilé. Fundado há mais de 15 anos, o coletivo investiga relações entre a arte, política e educação. A artista Joana Zatz representou o grupo exemplificando que “o chão tem muito a ver com espaço vivo, com força viva”.  Também falou sobre a urgência em se conectar com o mundo como força viva.

O trabalho do grupo consiste em criar “dispositivos de engajamento com o mundo”, como o Movimento para Descatracalização da própria Vida, o Parque para Pensar e Brincar e a Árvore-Escola. Todas estas produções surgiram da urgência sentida em cada corpo do grupo. “Neste momento, por exemplo estamos sentindo muito em nosso corpo a questão da segregação”, afirmou Cibele Lucena também presente na roda. Sendo assim, o grupo não entende as cidades e os ambientes urbanos como suporte de trabalho. “A cidade é matéria prima para o nosso trabalho”.

Beatriz Goulart

crédito: reprodução
Escolas e cidades brasileiras cada vez mais atraentes e integradas: educadoras!

“O chão como mestre é quando a gente aprende a ouvir e entender o chão, como a que horas chove e onde o sol nasce”. A frase é o pontapé inicial para a arquiteta Beatriz Goulart contar como os espaços podem ser educadores. Beatriz é especialista em criar projetos que integrem as escolas às cidades. Para ela, a criança e o brincar são um corpo único. “As pessoas falam em criar tempo e espaço para brincar como se ele fosse fora vida. Temos que falar de infância e brincar como uma coisa só”.

Autora de projetos arquitetônicos que integram espaços educativos com as cidades, ela acredita que as crianças precisam gostar da cidade e revolucionar a construção das escolas faz-se necessário. “Naturalizou-se um projeto de escola. A normatização impede o movimento de renovação de um espaço”. No seu ateliê “Cenários Pedagógicos”, ela desenvolve pesquisas e projetos de espaços educativos escolares e urbanos por meio de metodologias participativas. “Está cheio de escola sustentável que não é escola, é presídio. A escola precisa ser sustentável nas suas relações”, disse.

Instituto Toca

crédito: divulgação / Facebook
Crédito: Olodum/ DivulgaçãoEscola Toca do Futuro.

A Escola Toca do Futuro fica localizada em Brasília e “entende o chão como um solo fértil de grande abundância”. “Basta olhar para a natureza para ver o quanto  podemos aprender com ela”, defende a educadora para sustentabilidade Monica Passarinho. A Toca tem intuito de colaborar com a disseminação de metodologias pedagógicas embasadas em princípios e práticas sustentáveis.  A partir desse contexto, a missão do Instituto é construir um centro de aprendizagem e pesquisa de excelência que dissemine os saberes da natureza e a formação do ser integral através do ensino formal, vivências, visitas e cursos para a comunidade da Fazenda Toca, sede da instituição e grande produtora de alimentos orgânicos.

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