Descubra o que essas escolas públicas têm a ensinar

O Programa Escolas Transformadoras é uma iniciativa para identificar, conectar e apoiar escolas com práticas inovadoras na formação de crianças e jovens como transformadores.

Iniciada pela Ashoka em 2011, a comunidade conta hoje com mais de 200 escolas em todo mundo. No Brasil esta iniciativa é uma correalização com o Instituto Alana.

“A mudança na educação passa pelo reconhecimento de boas experiências já realizadas. Há muita escola interessante nos diferentes cantos do Brasil, e o Escolas Transformadoras da luz para dar luz a estas iniciativas como forma de inspiração e mobilização de outras escolas e equipes”, ressalta Ana Cláudia Leite, coordenadora de Educação e Cultura da Infância do Instituto Alana.

Para ser considerada uma escola transformadora, a instituição deve atender quatro critérios do programa: ter alinhamento com a visão de que todos podem ser transformadores; olhar para os educandos como sujeitos ativos de suas aprendizagens; demonstrar capacidade de inovação; e, por fim, ter condições para influenciar o ecossistema da educação no Brasil.

Além disso, a instituição deve ter uma equipe comprometida com uma educação transformadora e com entusiasmo para compartilhar e aprender, incentivando o desenvolvimento de habilidades e competências transformadoras, como o trabalho em equipe, criatividade, empatia e protagonismo social.

Atualmente são mais de 10 escolas transformadoras reconhecidas pelo programa. O Catraquinha selecionou as escolas públicas para que você conheça e se inspire.

Confira

EMEF
crédito: divulgação
Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima

Por que a EMEF Desembargador Amorim Lima é uma Escola Transformadora? A  Amorim Lima é reconhecida em todo Brasil como uma escola inovadora por ser a primeira escola pública no Brasil a adotar o modelo da Escola da Ponte de José Pacheco e ter, efetivamente, derrubado seus muros internos entre as salas de aula.

A pedagogia da escola está em contínua construção e deriva de um trabalho comunitário, que envolve não apenas a equipe da escola, mas também alunos e pais. Segundo Ana Elisa, diretora da Escola, envolver a comunidade é primordial, pois ela que se configura como a verdadeira mantenedora do projeto.

A escola é gerida pelo conselho de escola, com participação ativa da comunidade, que delibera sobre as principais diretrizes da escola: projeto político pedagógico, regimento interno, etc. Mas possui também uma comissão pedagógica menor, formada por pais, professores, alunos e gestores que se reúne semanalmente para tomar as decisões mais cotidianas.

Escola
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Escola localizada na periferia de Belo Horizonte (MG).

A Escola Municipal Professor Paulo Freire nasceu em 2001, no bairro Ribeiro de Abreu, uma região marcada por extrema vulnerabilidade social, localizada na periferia de Belo Horizonte (MG). Pela carência de oportunidades, muitas crianças da comunidade viam-se excluídas da educação básica e vulneráveis à violência. O sonho de ver um espaço de formação às crianças e jovens mobilizou lideranças locais e, após empenho de diferentes atores, nasceu a escola, assumindo como identidade o nome do mestre homenageado e a visão de Educação Popular. O poder de articulação, que possibilitou a criação da escola, se tornou uma marca expressiva no programa político-pedagógico adotado. Há uma aposta permanente no acolhimento e respeito ao outro e na valorização da escola como ambiente democrático, produzido e cuidado por todos. O prédio conta com sala audiovisual, biblioteca, informática, laboratório, quadra poliesportiva e horta e todos são responsáveis por sua manutenção.

A crença na educação significativa para o aluno supõe o reconhecimento e a valorização do indivíduo como um ser único. E isto, segundo a diretora da escola, é sinal de respeito pela criança e pelo jovem. Desde a fundação da escola, a equipe se propõe a trabalhar em torno da pedagogia de projetos, de modo que o conhecimento desperte a curiosidade e o entusiasmo. Segundo a publicação comemorativa dos dez anos da escola, “as atividades começavam com um detonador, que despertava a atenção do estudante e o levava a sair do lugar, através da curiosidade ou mesmo do rompimento com o que já estava construído”. Ainda que atualmente, segundo a diretora, nem toda a equipe docente se disponha a trabalhar exclusivamente por projetos, há uma unidade de pensamento e de reflexão para a formação integral do aluno.

O espaço democrático pode ser ilustrado com diversos exemplos em que os alunos se expressam espontaneamente. Nas Assembleias, que acontecem, pelo menos, uma vez por mês, os alunos expõem suas ideias frente às propostas dos professores e também sugerem outras demandas para a reflexão coletiva do grupo. Na medida em que as diversas opiniões são consideradas e pontuadas e as decisões eleitas em votação para, posteriormente, virarem documentos, a escola exercita a cidadania. As questões são debatidas entre os estudantes, entre os pais, entre os funcionários e professores, em igualdade de direitos e deveres. Discutem, por exemplo, a qualidade da merenda escolar, a necessidade de revitalização da praça e da despoluição do córrego. Para a diretora, é preciso criar identidade com a comunidade. “Isto é fundamental para o trabalho. Gosto de ouvi-los”. Assim, as deliberações da Assembleia guiam o funcionamento da escola

Escola
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A escola posiciona-se claramente como um polo de construção de uma cultura de paz.

A Escola Municipal Anne Frank está localizada no bairro Confisco, comunidade de alta vulnerabilidade social na região da Pampulha em Belo Horizonte (MG). O terreno foi doado pelo médico pediatra Marx Golgher que, por sua origem judaica, deu à escola o nome de Anne Frank. A curiosidade dos alunos sobre a origem do nome culminou na criação, em 2008, do Projeto Anne Frank Viva, que contempla pesquisa ativa sobre a história da família Golgher e estudo sistematizado sobre o holocausto. A partir destas pesquisas, as crianças são apresentadas às questões de justiça, igualdade, respeito, diversidade étnica e cultural e direitos humanos. Por meio do projeto, os alunos aproximam-se da história de vida de Anne Frank, inspirando-se e transpondo muitas das vivências da pequena menina judia para as particularidades de seus cotidianos, muitas vezes marcados por relações de conflito e violência.

A escola posiciona-se claramente como um polo de construção de uma cultura de paz, que engloba relações além-muros. A comunidade escolar construiu, na praça em frente à escola, o Bosque da Paz, onde acontecem, mensalmente, eventos e festas da escola, como a Festa Junina. Esta ocupação do espaço público é entendida como fundamental dentro do programa político-pedagógico da escola, pois amplia o repertório e as vivências dos alunos, além de contribuir para que o lazer e o conhecimento tomem conta do espaço, combatendo a violência local. Além das aulas regulares, os alunos também podem permanecer no período de contraturno para oficinas de dança, capoeira, esportes, entre outras atividades lúdicas que, geralmente, são ministradas por jovens da própria comunidade. A escola constitui um espaço expressivo de atuação política da comunidade e foi reconhecida, por suas práticas, pelo Centro de Referências em Educação Integral, além de ser uma das escolas referência do Programa Escola Integrada da Prefeitura de Belo Horizonte.

Cieja
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Os educandos têm voz e escolha dentro da escola.

O Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) Campo Limpo, situado na Zona Sul da cidade de São Paulo, é um espaço acolhedor, e permanentemente de portas abertas para toda comunidade. Surgiu com a proposta de atender alunos excluídos da educação e, por meio da educação popular, atende a um público bastante diverso: adultos, jovens e alunos em inclusão. Para tanto, a escola tem estreito vínculo com a comunidade, uma vez que oferece escuta aos estudantes, para decidir coletivamente todos os assuntos pertinentes à tentativa de qualificar a educação oferecida.

Os educandos têm voz e escolha dentro da escola. A cada início de um ciclo (módulo), é proposta uma nova situação-problema, a partir da realidade do grupo. Partindo da problemática, fazem o levantamento de hipóteses, deliberam e analisam, para, por fim, formarem o conceito. Segundo Êda Luiz, “o processo tem que ser significativo ao aluno”. Para isso, “a escola tem que conhecer seu público e seu espaço, para finalmente, perguntar: qual é o seu papel?

E.M.
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O processo de inclusão de alunos que possuem dificuldades específicas se dá de forma consciente e responsável.

A Escola Aclimea de Oliveira Nascimento é uma escola pública localizada no município de Teresópolis (RJ), bairro de São Pedro, dentro do Complexo do Tiro da Guerra. Configura-se como uma região de alta vulnerabilidade social e a mais populosa do município, sendo composta por diversas comunidades e poucos equipamentos públicos. Atualmente ela atende a 250 crianças, oriundas predominantemente de famílias das classes D e E. Em função do contexto social, a escola tem como foco a educação integral das crianças e famílias e um olhar intersetorial, envolvendo profissionais e parceiros da área da saúde, assistência social, entre outros.

Desde o início, a escola se propôs ao desafio de funcionar em período integral de forma não fragmentada, promovendo um diálogo entre as oficinas de múltiplas linguagens e o currículo oficial. As atividades ocorrem em dois turnos; no matutino, os conteúdos das diretrizes curriculares de cada ano e no vespertino, as oficinas.

O processo de inclusão de alunos que possuem dificuldades específicas se dá de forma consciente e responsável. A partir de um mapeamento dos alunos, a escola identifica as necessidades individuais e oferece um suporte especial a cada um. Atualmente a escola tem 35 crianças nesta categoria, que recebem cuidados específicos, seja em relação à saúde (higiene, doenças, peso e alimentação), ou às dificuldades de aprendizagem. Há também alunos com deficiência física e intelectual que são acompanhados por um profissional dentro e fora da sala. Eles convivem no coletivo da escola e são motivados a aprender dentro de suas possibilidades. A escola exige dos alunos um bom desempenho acadêmico e disposição constante para os processos de aprendizagem, em detrimento de um olhar assistencialista. Como consequência, os alunos demonstram motivação e maior consciência do próprio desenvolvimento.

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