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Arrecadação de absorventes para presidiárias mobiliza campanha

Por: Fernanda Miranda

De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Justiça, divulgados em 2013, pouco mais de 36 mil mulheres estão presas no Brasil — o que corresponde a 7% da população carcerária total. 22.666 é a capacidade das prisões femininas brasileiras, revelando uma superlotação de cerca de 13 mil presidiárias.

Entre elas, estão mulheres com seus bebês recém-nascidos, que estão lá por conta da lei que garante à criança o direito de ser amamentada pela mãe até, ao menos, os seis meses de idade. Hoje, 345 crianças vivem dentro de presídios.

A superlotação e a situação degradante dentro dos presídios faz com que as mulheres presas — e seus filhos — sobrevivam em prisões encardidas e escuras, onde vasos sanitários não têm portas, canos estourados deixam vazar resíduos de excremento humano e itens básicos de higiene como xampu e sabonete não são suficientes.

Debruçada sobre esses números e indignada com essa realidade, a jornalista Nana Queiroz, criadora da campanha “Não Mereço Ser Estuprada”, resolveu dar voz a quem vive em presídios femininos e lançou neste mês um livro-reportagem sobre a vida das presidiárias brasileiras, o “Presos Que Menstruam“, publicado pela Editora Record.

Divulgação / Presos Que Menstruam
Livro fala sobre o cotidiano das prisões femininas no Brasil

Como a jornalista já lembrou em entrevistas, muitas são as histórias relatadas sobre os presídios masculinos — como o best seller “Estação Carandiru”, publicado em 1999 pelo médico Drauzio Varella —, mas quase nada havia sido dito até então sobre os presídios femininos. Era hora de trazer visibilidade e lutar pela dignidade dessas mulheres.

Em quatro anos, Nana visitou dez presídios femininos em todas as regiões do Brasil e conversou com mais de cem mulheres. No livro, ela conta que as prisioneiras recebem um kit básico que inclui, geralmente, dois rolos de papel higiênico e dois pacotes com oito absorventes cada.

Para resolver o problema de falta de produtos de higiene, as detentas costumam caçar jornal velho do chão para se limpar e usam miolo de pão como absorvente íntimo.

Depois que o livro foi lançado divulgando essa realidade, internautas mobilizaram a internet e criaram campanhas no Facebook para arrecadar absorventes para as detentas em estados como o Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

“Eu estou profundamente emocionada. Em um primeiro momento, assim que as matérias sobre o livro começaram a viralizar, os comentários de pessoas intolerantes tinham me destruído. Agora, essa mobilização foi um afago e encheu meu coração de esperança por nós, brasileiros”, afirma a jornalista ao Catraca Livre.

A campanha foi organizada por coletivos, organizações e pessoas que se sensibilizaram com as condições desumanas e o desrespeito com as necessidades mais básicas dessas mulheres.

Veja outras formas de ajudar

Além dessa iniciativa nas redes sociais, há outras formas de dar auxílio às detentas brasileiras. Nana alerta, por exemplo, que é possível se mobilizar para ajudar as crianças que vivem dentro dos presídios com suas mães.

“Eu vi no Rio Grande do Sul um projeto bem legal de pessoas que se voluntariavam para levar os bebês presos para passear, conhecer suas famílias e ir ao zoológico ou algum parquinho. Essas crianças ficam presas junto com as mães, mas não precisam perder a liberdade. Elas também sofrem a falta de fraldas, leite e papinha, outros itens que seriam legais para doação”, conclui.

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