Ativista transexual denuncia jornalista da Band por homofobia

Durante entrevista com Cinara Vianna Dutra Braga, promotora de Infância e Juventude, sobre o processo de adoção, o jornalista disse: "Aí não é família"

Por: Redação
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Natasha Ferreira, ativista pelos direitos da comunidade LGBTQIA+, denunciou o jornalista Milton Cardoso ao Ministério Público pelo crime de homofobia. No programa “Live News”, da emissora Band no Rio Grande do Sul, em 17 de outubro, o jornalista teria fez discurso de ódio contra famílias formadas por homossexuais.

Ativista transexual denuncia jornalista da Band por homofobia
Crédito: Reprodução/InstagramAtivista transexual denuncia jornalista da Band por homofobia

O documento encaminhada ao MP pela ativista exige que comunicador seja processado criminalmente por homofobia, conforme a lei 7.716/1989.

“Não vamos assistir caladas ao discurso de ódio sendo proferido em rede de televisão. Quem deseja ser LGBTfóbico precisa entender que suas atitudes terão consequências, já que após a decisão do STF a LGBTfobia passou a ser um crime no Brasil. Espero que o Ministério Público acolha minha denúncia e que esse jornalista seja responsabilizado por sua conduta criminosa”, disse Natasha ao veículo Sul 21.

Entenda o caso

Durante entrevista com Cinara Vianna Dutra Braga, promotora de Infância e Juventude, sobre o processo de adoção no Estado, Milton Cardoso reagiu à possibilidade de adoção de crianças por casais LGBTQIA+. Neste dia, ao vivo, o jornalista disse:

“Aí a senhora me desculpa, porque aí não é família. É o meu ponto de vista. Homem com homem, mulher com mulher não é a história… Pera aí um pouquinho. O Supremo Tribunal Federal, numa decisão irresponsável, homoafetividade… Resolveu, enfim. Quem é que procria? Que que é a família? O que é o homem, a mulher, a família, constituição da família? Dois homens, duas mulheres juntas criar uma criar uma criança, pegar uma criança de 1 ano, de dois nos?”, falou.

Continuando a destilar o discurso homofóbico, o jornalista pediu para que a entrevistada não levasse ele “mal”. “É meu ponto de vista. Não é gostar. É que isso não existe. Claro que não. Eu te provo, pode pegar psiquiatras, psicólogos, pessoas assim altamente preparadas e qualificadas no planeta. E quem tá falando, sabe quem tá falando disso?”, questiona.

Para tentar justificar suas falas homofóbicas, ele utiliza de seu filho, que segundo ele, é um homem gay.

“Quem tá falando isso é pai de homossexual. Eu tenho um filho homossexual. Eu tô falando que não tem como você formar uma criança… Dois homens ou duas mulheres. Ou é família… Não tem como. O telespectador vai dizer que eu sou um louco, não tem problema nenhum. Eu quero resgatar os valores de família e não é por aí. Não é por aí que nós vamos resgatar valores de família. Não. O politicamente correto não. Ladeira abaixo”, conclui.

Veja o vídeo da entrevista

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Impactante participar do Live News da Band e ouvir o Milton Cardoso dizer que casais homoafetivos não têm condições de formar Familia! Igual a ele, infelizmente, muitos ainda pensam desta forma. Estão alheios à legislação e às inúmeras lindas histórias das adoções homoafetivas, como a da Laurinha e do Guilherme, que postei neste mês, ou a do Lucas, filho do querido Peterson, que criou a ELO, Grupo de Apoio à Adoção. Então, vamos, novamente, esclarecer a quem quiser aprender: para adotar, a pessoa deve ter mais de 18 anos; ter condições materiais suficientes para atender o filho; pode ser solteira, casada ou estar em união estável; não importa a orientação sexual, mas o PROPÓSITO DE FORMAR FAMÍLIA, com muito AMOR! Queremos muitas novas Famílias, de todos os formatos, para as quase 5 (cinco) mil crianças e adolescentes institucionalizados no nosso Brasil!

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Homofobia é crime

Infelizmente, ainda hoje existem pessoas que têm aversão à comunidade LGBTQIA+ e que renegam a existência da classe na sociedade por puro preconceito. Desde junho de 2019, é previsto por lei que homofobia é considerado crime no Brasil. O ato criminoso é punido através da Lei de Racismo (7716/89), que hoje prevê crimes de discriminação ou preconceito por “raça, cor, etnia, religião e procedência nacional”.