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Áurea Carolina: negra, feminista e a mais votada na Câmara de BH

Com 17.420 votos, a vereadora do PSOL se tornou a candidata mais bem votada de Belo Horizonte (MG) nas últimas três eleições

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Negra, feminista, ex-cantora de rap e formada em escola pública, a vereadora Áurea Carolina (PSOL) conquistou, muito jovem, aos 32 anos de idade, um espaço de autoridade que, ao menos no Brasil, tem muita representatividade em meio ao conservadorismo e machismo tão presentes na esfera pública.

Com 17.420 mil votos, Áurea foi a candidata mais votada nas eleições para vereador de 2016 em Belo Horizonte (MG), alcançando a maior votação na Câmara Municipal da capital mineira das últimas três eleições.

“Essa vitória é uma responsabilidade de não abrirmos mão daquilo que defendemos e de ficar firme aconteça o que acontecer em relação aos nossos propósitos. É também defender as pessoas que confiaram em nós”, diz ao Catraca Livre.

Há pouco mais de três meses no poder, a vereadora começa a construir um projeto dedicado, principalmente, à defesa dos direitos humanos, com destaque para as pautas juvenis, negras e feministas. Para isso, ela organizou o que chama de “gabinetona”, espaço dentro da Câmara no qual foram reunidos dois gabinentes – o dela e o da vereadora Cida Falabella, também eleita pelo PSOL. Nesse esquema, foram retiradas todas as divisórias entre a equipe dos dois gabinetes. “Nosso mandato é coletivo, fizemos um espaço amplo de trabalho com uma equipe formada por pessoas que vêm da luta, somos mulheres, negras, LGBTs e moradoras de ocupações urbanas”, conta.

As vereadoras Cida Falabella e Áurea Carolina

Vida de luta

Embora tenha crescido e iniciado sua trajetória profissional na capital mineira, Áurea Carolina é nascida em Tucuruí, no Pará.

Sua família morou por algum tempo na cidade, que fica a cerca de 500 km de Belém, por motivos profissionais. “Sou filha de uma técnica em edificações e de um eletricista. Meus pais trabalharam na construção da hidrelétrica de Tucuruí na década de 1980”, relembra a vereadora.

Em 1986, a família, que é mineira, retornou a Belo Horizonte. Áurea então foi criada no bairro João Pinheiro, onde vive até hoje. “Meus pais se separaram logo que depois voltamos para cá. Minha mãe passou momentos difíceis, desempregada e cuidando de mim e de minhas duas irmãs. Tivemos uma vida que não era de privação exatamente, não chegamos a viver na miséria, mas era uma vida humilde”, conta.

Áurea Carolina na década de 1990 com a mãe

A vereadora costuma dizer que não houve um marco definitivo em sua decisão de se dedicar à carreira política. Para ela, o desejo veio de um processo, de algo que foi sendo assimilado aos poucos.

“Estudei em escola pública praticamente a vida inteira. Sempre fui muito questionadora, curiosa e muito sensível à arte, à música, à poesia. Essas coisas foram me despertando para entender a realidade que me cercava. Por isso acho que a arte e a cultura têm papel fundamental na construção política das pessoas.”

Ela diz também que seu contato com o universo hip hop foi determinante para a expansão de sua percepção sobre resistência, direitos e política. “Fui cantora por cerca de 7 anos. Isso me apresentou para um mundo de luta, de vivência na cidade, de produção artística, algo que foi totalmente novo para mim.”

Durante campanha eleitoral do ano passado

Direitos humanos e dos animais

Formada em ciências sociais pela Universidade Federal de Minais Gerais (UFMG), com especialização em Gênero e Igualdade pela Universidade Autônoma de Barcelona, Áurea Carolina assumiu uma missão não só com os direitos humanos, mas também com os direitos dos animais.

Seu compromisso ético com os animais surgiu ainda na adolescência, aos 16 anos, quando ela virou vegetariana. Em janeiro de 2015, decidiu dar um passo adiante: deixou de consumir qualquer alimento de origem animal, tornando-se vegana. “Minha conduta é aquilo que eu quero para o mundo. Para mim, é uma questão de compromisso com a justiça”, diz. Nesse começo de gestão, a vereadora passou a integrar a Comissão Especial de Estudo sobre políticas de proteção e defesa dos animais da Câmara.

Áurea e parte da equipe de sua “gabinetona”

Outro passo dado pela equipe da vereadora no Poder Legislativo foi a construção do LabPop – Laboratório Popular de Leis, uma proposta de participação e acompanhamento popular para qualificar a atuação parlamentar da vereadora tanto na incidência sobre Projetos de Lei em tramitação na Câmara quanto na proposição de novos projetos.

“Grande parte dos projetos que encontramos são redigidos sem debate, participação e conhecimento amplo da população. Por isso convidamos colaboradoras de diversas áreas para participar e analisar PLs em tramitação”, diz a vereadora, finalizando: “São coisas como essas que justificam nossa presença na Câmara. Quanto mais transparência, quanto mais envolvimento da população, mais teremos de fato uma construção democrática”.

  • Neste Mês da Mulher, o Catraca Livre vai prestar homenagens diárias a personagens do gênero feminino que nos inspiram. Saiba mais sobre a campanha #MulheresInspiradoras e leia outros perfis aqui.

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