Brasileira faz vaquinha para estudar engenharia espacial nos EUA

Juliana Clara sempre estudou em escola pública e aprendeu inglês sozinha aos 11 anos

Por: Heloisa Aun
A estudante dá aulas de inglês para juntar dinheiro e poder viajar

A brasileira Juliana Clara, de 22 anos, sempre sonhou em estudar Engenharia de Petróleo para trabalhar em uma plataforma da Petrobrás, mas seus pais não apoiaram a escolha por medo do mar.

“Então, eu decidi trocar o ‘mar’ pelo ‘ar’ e ir para o lado Aeroespacial”, relata ao Catraca Livre a estudante de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Antes disso, ela ainda tentou cursar Engenharia Elétrica em Blumenau, mas sofreu preconceito tanto por ser mulher, quanto por ser negra, e desistiu da faculdade.

Juliana, então, se inscreveu em universidades nos Estados Unidos e foi aceita em 11 delas, mas decidiu estudar Engenharia Espacial na Florida Institute of Technology, que fica em Melbourne (FL), próximo à unidade ao Kennedy Space Center, da NASA, em Cape Canaveral.

Embora tenha conseguido uma bolsa de estudos de US$ 15 mil por suas notas altas, a jovem precisa de US$ 57 mil por ano para estudar na universidade. Por isso, ela e os amigos criaram uma vaquinha para arrecadar dinheiro e conseguir dar entrada no visto de estudante.

“Eu estudei em escola pública e nunca fui a melhor aluna da sala. Mas eu sempre me dediquei muito, pois sabia que tudo o que eu fizesse teria uma consequência. Comecei a estudar inglês sozinha quando tinha 11 anos. Meus pais não tinham condições de me colocar em um curso, mas usei as ferramentas que tinha na época. Com 13 anos comecei a dar aula de inglês para crianças em uma escola como trabalho voluntário e fiz isso por 4 anos”, conta.

No entanto, Juliana relata que sempre ouviu comentários machistas desde que escolheu ser engenheira. “A área é extremamente masculinizada. E sempre ouvi comentários desanimadores do tipo: ‘nossa, VOCÊ quer cursar Engenharia?’, pois tenho piercings no nariz e costumava ter os cabelos roxos.”

Hoje, para alcançar seus objetivos, ela mantém vários empregos: dá aulas de inglês na Fisk, às quartas-feiras vai para outra cidade lecionar aos alunos de ensino médio e também é professora particular de um rapaz via Skype. Além disso, está rifando 200 picolés que ganhou de uma sorveteria da cidade onde mora, em Dourados.

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