Caso João de Deus: por que precisamos do feminismo

As acusações de abuso sexual crescem a cada dia, revelando o machismo praticado por anos pelo médium

Por: Superela | Comunicar erro

É normal para uma mulher ouvir, em pleno século XXI, que o feminismo é pura vitimização. “Estamos em uma geração mimimi. O machismo não existe”, muitos dizem. Porém, diversas situações provam o contrário. De menina a moça, sim, todas nós precisamos dele. A prova disso (mais uma) são as acusações contra o médium João de Deus.

Para quem não o conhece, João Teixeira de Faria é um dos médiuns mais famosos do Brasil. Nascido em Cachoeira da Fumaça, interior de Goiás, ele atualmente reside e trabalha em Abadiânia, no mesmo estado, na Casa Dom Inácio de Loyola, no qual é fundador . Para se ter ideia, João de Deus já recebeu em seu hospital espiritual milhares de celebridades. Dentre elas, Xuxa, Luciana Gimenez e Naomi Campbell. Já atendeu, inclusive, os ex-presidentes Dilma Roussef, Lula e Bill Clinton.

Crédito: Divulgação/ Marcelo Camargo/Ag. BrasilCasa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, Goiás, onde aconteciam os atendimentos e os abusos cometidos pelo médium.

Com o tempo, ele foi ganhando fama devido aos seus dons sobrenaturais até que, como em um pulo, atingiu a fama internacional ao ser entrevistado por Oprah Winfrey em 2012. Muitas pessoas (e celebridades) procuravam-no (e ainda o fazem) em busca de curas para problemas de saúde, físicos e, claro, espirituais.

O machismo disfarçado de crença

Porém, no último sábado, 8, sua fama pareceu tomar outro rumo.  Durante o programa Conversa com Bial, da Rede Globo, 13 mulheres contaram suas experiências com João de Deus e, acredite, os relatos são terríveis.

Elas e milhares de outras pessoas, inclusive sua própria filha, tomaram coragem para denunciá-lo por abuso sexual. De crianças a adultas, muitas foram vítimas de um machismo velado e, pior que isso, de uma crença que deveria servir apenas para o bem.

O médium se aproveitava de suas consultas particulares para abusar dessas pessoas. O comportamento variava entre mandar uma paciente tirar suas calças e tocá-la, pois o centro só permitia o uso de roupas brancas. Até estuprá-la como fez, com sua própria filha, e ameaçá-la depois.

João de Deus atendia cerca de 1000 pessoas por dia na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, Goiás.

Mais uma celebridade “blindada”

As acusações estão sendo estudadas e, a cada dia, novas denúncias chegam ao Ministério Público. Para se ter ideia, até a última segunda-feira, 10, foram computados 40 relatos contra João de Deus. E como se isso não bastasse, sua filha conta que, durante toda a vida, foi ameaçada ‘pelos capangas de seu pai’ a não contar nada sobre o abuso. Aliás, não só ela, mas diversas outras vítimas. Ele usava argumentos como “eu sei onde sua família mora. Vou matar um a um”, e coisas do gênero.

Aí vai um dos depoimentos, dado pela coreógrafa Zahira Lieneke Mous. É só clicar aqui. Em um momento do vídeo, seu relato me tocou bastante. Ela desabafa:

“Você está sendo manipulada a acreditar (…) Isso está tão longe de ser uma cura. (…) Você é arrastada pra dentro disso. Não sei quanto tempo passou, ele me puxou para o banheiro de novo. (…) Ele me penetrou por trás, não consigo nem descrever.”

A defesa de João de Deus

Continue lendo aqui: Da série “por que precisamos do Feminismo”: caso João de Deus

Texto escrito por Mariah Rocha e publicado no Superela

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Autor: Superela

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