Crivella debocha de jornal da Globo e nega escândalos na Saúde

O prefeito do Rio e candidato a reeleição usou seu tempo no horário eleitoral para fazer uma paródia com a emissora que revelou esquemas na Prefeitura

Por: Redação
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O prefeito do Rio de Janeiro e candidato a reeleição Marcelo Crivella usou seu tempo no horário eleitoral gratuito veiculado na TV e no Rádio para debochar da Rede Globo e negar os escândalos na área da Saúde em que sua gestão estaria envolvida conforme denunciou em diversas reportagens e emissora fundada por Roberto Marinho.

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Crédito: ReproduçãoCrivella debocha de jornal da Globo e nega escândalos na Saúde

Nesta semana, Crivella fez uma paródia com o jornal local da TV Globo, o Bom Dia Rio. “Neste programa, você vai ver a verdade que esta emissora [Globo] nunca mostrou”, disse o ator contratado pela campanha para interpretar um apresentador de jornal. O personagem se chama Michel – numa referência ao âncora real do telejornal, Flávio Fachel. “Você lembra que falavam que a saúde estava um caos e até o hospital que estava funcionando diziam que estava fechado”, afirmou o ator.

Em seguida, o jornal fake de Crivella apresenta a Saúde no Rio de Janeiro como exemplo a ser seguido em todo o Brasil, inclusive, quando o tema é relacionado ao combate a pandemia do novo coronavírus.

Porém a realidade é outra. O resultado do colapso do sistema de saúde do Rio de Janeiro, segundo dados do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade) do Ministério da Saúde mostram que três em cada dez vítimas confirmadas de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, morreram antes de receber atendimento adequado em hospitais de referência para a enfermidade.

Os dados foram levantados pelo médico sanitarista Daniel Soranz, pesquisador da ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública) da Fiocruz e ex-secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro. O levantamento considerou 383 mortes confirmadas até 21 de abril em todo o estado.

A Saúde se tornou o grande tema dos jornais no Rio, especialmente após, a TV Globo denunciar agentes públicos que estariam sendo pagos para impedir que jornalistas fizessem reportagens na frente de hospitais da cidade para mostrar a situação calamitosa. O WhatsApp do grupo organizado para defender Crivella e evitar que informações negativas sobre a Saúde na capital fluminense chegassem a população, foi batizado de “Guardiões do Crivella”.

A repercussão do caso fez chegar na Câmara Municipal dois pedidos de impeachment contra Crivella. Eles foram votados pelos vereadores e apesar da enorme pressão da sociedade, os legisladores optaram por arquivar as denúncias.