Deputado defende assédio sexual e diz que é ‘direito’ de mulheres

Já que Jessé Lopes parece não entender sobre o tema, a Catraca Livre ilustrou as diferenças entre paquera e assédio sexual

13/01/2020 18:18
O deputado estadual Jessé Lopes causou revolta nas redes sociais
O deputado estadual Jessé Lopes causou revolta nas redes sociais - Reprodução / Facebook

O deputado estadual Jessé Lopes (PSL), de Santa Catarina, causou revolta nas redes sociais após fazer um post em que critica o Não é Não, movimento de luta contra o assédio sexual no Carnaval.

Neste sábado, 11, Lopes publicou um texto em seu Facebook afirmando que o assédio “massageia o ego” e que ser assediada é um “direito” da mulher. “Não sejamos hipócritas! Quem, seja homem ou mulher, não gosta de ser ‘assediado(a)’? Massageia o ego, mesmo que não se tenha interesse na pessoa que tomou a atitude”, escreveu.

“Em Santa Catarina, tattoo escrito ‘Não é não’ devem ser distribuídos (APENAS para mulheres) no intuito de confundir as pessoas entre o limite do que é assédio e do que é um simples ‘dar em cima’. (Logo logo, ser homem será crime)”, disse.

Segundo o deputado, o movimento Não é Não é “segregador”, pois “exclui” os homens. “O feminismo, ao contrário do que muitos pensam, só tirou direitos das mulheres: deixou-as menos cuidadosas com a aparência e imbecilizou o comportamento”, reafirmou em outro post.

O Não é Não foi criado em 2017, no Rio de Janeiro, e lançou uma campanha de financiamento coletivo para distribuir tatuagens temporárias em 15 estados pelo país com a frase que dá nome ao coletivo. A campanha chegará em Florianópolis pela primeira vez este ano.

Depois da polêmica, Lopes voltou a comentar o assunto e declarou que o feminismo não contribui em nada com o fim da violência. “O movimento FEMINISTA conseguiu a proeza de transformar as coisas mais naturais e saudáveis das relações humanas em PROBLEMAS. Namoro, paquera, cantadas. Tudo isso virou ‘ASSÉDIO'”, comentou.

Assédio x Paquera

Já que o deputado parece não entender nada sobre o tema, a Catraca Livre ilustrou as diferenças entre assédio sexual e paquera, como parte da campanha #CarnavalSemAssédio, criada em 2016. Confira abaixo:

  • 1. Um casal de mulheres que está junto não quer um homem no meio

  • 2. Não toque sem permissão no corpo de nenhuma mulher

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  • 3. Fantasia não é convite para o assédio

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  • 4. Se uma mulher não quiser ficar com você, não insista

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  • 5. Nunca force uma mulher a beijar ou ter relações sexuais

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  • 6. Não se aproveite de aglomerações nos blocos para abusar das minas

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  • 7. Não trate mulheres negras com estereótipos e racismo

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*As ilustrações foram inspiradas no Guia didático da diferença entre paquera e assédio, feito pela revista “AzMina”.

*Ilustrações de Helô D’Angelo para a Catraca Livre.