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Djamila Ribeiro é atacada no Twitter após comparar Palestina ao Brasil

Filósofa fez reflexão sobre a violência racial no Brasil em publicação que envolveu os músicos Roger Waters e Milton Nascimento

Por: Redação

Djamila Ribeiro não tem papas na língua quando o assunto é racismo. A escritora e filósofa paulista, de 38 anos, fez duas publicações em sua conta no Instagram que a fizeram figurar os trending topics do Twitter como um dos assuntos mais comentados do Brasil na manhã desta terça-feira, 2.

Na primeira, Djamila fez uma reflexão sobre uma fala controversa do músico Roger Waters, um dos fundadores da lendária banda Pink Floyd. O britânico teria escrito uma carta a Milton Nascimento, pedindo que o cantor brasileiro cancelasse seu show em Israel, devido ao conflito histórico entre o país e a Palestina.

Em resposta, Djamila cutucou o ex-Pink Floyd em post no Instagram: “Por que Roger Waters não boicotou o Brasil? Aqui, também vivemos em guerra”.

djamila ribeiro post no instagram
Crédito: Reprodução/Instagram/@djamilaribeiro1Djamila Ribeiro faz reflexão sobre violência policial contra negros e é atacada no Twitter

Em seu texto, a filósofa afirmou que entende o pedido do músico, mas não entende o tom agressivo e “arrogante”. Ainda, Djamila apontou uma incoerência no discurso de Waters.

“O que não entendi foi Waters cobrar coerência de Milton e ter vindo cantar no Maracanã no ano passado, com ingressos caríssimos. Num estado em que há favelas militarizadas, onde tanques de guerra passam por vielas, em que a população negra morre cotidianamente vítima de uma polícia assassina.”, escreveu.

Uma matéria de 2017 da revista Veja mostra que o Brasil registra quase 3 vezes mais assassinatos por dia do que o conflito entre Israel e Palestina.

Djamila ainda cobrou coerência de Waters, e disse que “não dá pra pagar de militudo”. “Vivemos em um Estado autoritário e estamos em guerra faz tempo, uma guerra contra as populações negras, indígenas e periféricas.
Por que Roger não boicotou o Brasil em respeito à população negra que é exterminada cotidianamente?”, refletiu.

Após a publicação, Djamila virou alvo de severos ataques nas redes sociais, e buscou responder a algum deles.

No segundo post, feito 12 horas após a polêmica envolvendo Roger Water, Djamila desabafou, e chamou os internautas que a criticaram de “desonestos num nível impressionante”.

A escritora refletiu sobre a violência racial no Brasil, e endossou seus argumentos a favor da Palestina e contra Israel. Leia:

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As pessoas são desonestas num nível impressionante. Quem realmente leu meu post anterior, viu que eu sou contra o Estado de Israel, inclusive já recusei convites para ir a Israel. Respeito e muito a luta do povo palestino. Meu ponto foi tão somente a seletividade, como não acreditar que estamos em guerra num país em que a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado? Tá tudo bem cantar num país que compra armas de Israel e depois apontar o dedo para os outros? Esse foi meu ponto. Não estou discutindo a vida de quem vai pra outro país ou não, eu mesma vou para vários e seguirei indo, esse mundo nos deve, meu ponto é: se você cobra posicionamento, e eu concordo, você também precisa entender que pode ser cobrado. E as pessoas precisam parar de tratar o Brasil como negócios estrangeiros, como quarto de despejo do mundo, como colônia de exploração. Todo mundo vem pra cá e sequer questiona nossa situação. Faz um telão com "Ele não" e já era. E ai de nós se não aplaudir e achar revolucionário. Mas aí, comprovando o que venho dizendo há algum tempo, o comportamento de manada surge. As pessoas preferem distorcer, mentir, ofender, só pra ter razão. E juram que são de esquerda. O nível é tão baixo que, não faz muito tempo, até que estavam sendo processadas por mim, inventaram. Num país em pessoas negras são criminalizadas todos os dias, teve gente inventando fake News se dizendo criminalizada. No país do encarceramento. Tudo isso para não assumir que mentiu para passar pano pra humorista racista. E foi realmente muito importante ver como as pessoas agem de modo que dizem combater. Agem como se não pudéssemos questionar um rock star rico e chegam na loucura de comparar a vida de um cara rico que mora nos EUA, com a de uma mulher preta trabalhadora do sul do mundo. Como se estivéssemos em igualdade de oportunidades. A galera não tem vergonha na cara. Apoiar os projetos pretos, cadê? Discutir branquitude, cadê? O ódio que destilam a quem questiona seus ídolos, sobretudo se quem questiona não é a norma, mostra bem o caráter dessas pessoas. Acho sempre bom isso acontecer, é preciso nomear os bois. Deixar essas pessoas saírem dos bueiros. Eu quero mais é estar longe delas.

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