Em Niterói, mulher trans é espancada na rua por vários homens

Por deboche e demora no atendimento Lua Guerreiro precisou ir duas vezes à delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência

Por: Redação | Comunicar erro
Crédito: ReproduçãoLua esperando atendimento depois de ser agredida

Lua Guerreiro, uma transexual de 24 anos, foi agredida, em Niteroi (RJ), Região Metropolitana do Rio, depois dela pedir um isqueiro em uma barraca e não ficar calada ao ser verbalmente agredida por um vendedor.

Seu relato do que aconteceu no domingo, 24, viralizou nas redes sociais entre segunda e terça-feira, 25 e 26.  “Fui agredida. Mas, não somente. Sofri uma tentativa de homicídio. Vários homens cis me batendo de forma covarde, suja e baixa como sabemos que fazem. Quebraram uma cadeira na minha cabeça. Me derrubaram por trás várias vezes pra ser um alvo mais fácil. Fui espancada. Sangrei da cabeça aos pés”, escreveu a produtora de cinema em uma rede social.

Lua contou que outros homens se aproveitaram da situação para agredi-la. “Eu não sei quantos foram. Vieram pessoas aleatórias me agredir também. Quebraram uma cadeira na minha cabeça. A briga só acabou quando a polícia chegou e eu estava ensanguentada no chão”, declarou ao jornal O Globo.

Além da agressão, Lua teve que lidar com o tratamento transfóbico dos enfermeiros no Hospital Azevedo e Lima e de policiais na sua primeira tentativa de registrar um Boletim de Ocorrência. “Eles fizeram piadas. No Hospital Azevedo Lima, uma enfermeira fez piadas com meu nome social, me tratou no gênero errado e discutiu com minhas amigas que tentaram me defender. Tive que ficar na delegacia ao lado de alguns dos meus agressores, intactos, rindo, descontraídos enquanto eu e minhas amigas — traumatizadas, sujas do meu sangue pelo corpo inteiro — sentávamos lá esperando por horas pra prestar nosso depoimento”, contou ao jornal O Dia.

Crédito: Reprodução/Instagram@afroamericanimeLua Guerreiro antes de sofrer a agressão, em foto publicada em seu Instagram

Segundo Lua, ela decidiu ir embora sem prestar depoimento no domingo. Na terça-feira, acompanhada de testemunhas e de uma advogada que viu seu relato na internet, a roteirista e produtora de cinema foi à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, na Lapa, para finalmente registrar a ocorrência.

A Comissão de Direitos Humanos, da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal de Niterói informou que vem oferevendo à Lua “apoio jurídico para a devida identificação e responsabilização dos autores desse ato covarde de barbárie”. Presidente da comissão, o vereador Renatinho do PSOL lembrou que “o Brasil é o país onde mais trans morrem assassinadas no mundo”, referindo-se a dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), segundo os quais 163 pessoas trans foram assassinadas no país em 2018.

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