Frimesa, Fran’s Café e Casa do Pão de Queijo seguem ignorando compromissos de respeito aos animais
Enquanto a quarta maior produtora de carne suína sequer assumiu o compromisso demandado, as duas franquias não cumpriram as promessas feitas em 2017
Porcas grávidas confinadas em gaiolas apertadas por muitos dias e galinhas que passam a vida inteira trancadas em grades menores do que uma folha A4 parecem cenas tiradas de filmes de terror. Mas essas situações precárias de sofrimento animal infelizmente ainda são mais comuns do que você pensa.
Na tentativa de acabar com essas práticas terríveis, desde 2017, a ONG Sinergia Animal tem pressionado criadores de animais, produtores de carne e até redes de supermercados e restaurantes a assumirem compromissos com o bem-estar animal, seja na própria produção ou na cadeia de fornecimento.

Porcas grávidas confinadas em gaiolas apertadas por muitos dias e galinhas que passam a vida inteira trancadas em grades menores do que uma folha A4 parecem cenas tiradas de filmes de terror. Mas essas situações precárias de sofrimento animal infelizmente ainda são mais comuns do que você pensa.
Na tentativa de acabar com essas práticas terríveis, desde 2017, a ONG Sinergia Animal tem pressionado criadores de animais, produtores de carne e até redes de supermercados e restaurantes a assumirem compromissos com o bem-estar animal, seja na própria produção ou na cadeia de fornecimento.
Por galinhas livres
Você já deve ter ouvido falar do movimento cage-free, que ganhou bastante força no Brasil nos últimos anos, ou observado no mercado caixas de ovos de “galinhas felizes” ou “criadas soltas”. Mas, talvez, não conheça a realidade terrível que essas campanhas visam combater na indústria dos ovos.

Em toda a América Latina, cerca de 500 milhões de galinhas poedeiras são criadas em gaiolas com espaço menor do que uma folha de papel A4 e passam toda a vida sem poder expressar seus comportamentos naturais, como abrir completamente as asas, caminhar e fazer seus ninhos.
Essa situação severa leva os animais a níveis extremos de frustração e dor, já que, sem se exercitarem, as galinhas desenvolvem ossos frágeis e fraturas, por conta de doenças como osteoporose.
Outro agravante é que, às vezes, aves mortas são deixadas apodrecendo durante vários dias na gaiola, o que obriga as sobreviventes a conviver com os corpos (o que também pode ser uma causa para novas doenças).
Além de evitar mais de 7 mil horas de dor e sofrimento para cada galinha, o sistema livre de gaiolas garante ovos com menor prevalência de salmonella, em comparação com aves criadas nos sistemas de gaiolas, de acordo com dado da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).
Embora o Brasil tenha avançado entre 5 e 10% na indústria livre de gaiolas na América Latina nos últimos anos, algumas empresas e redes, como o Fran’s Café e a Casa do Pão de Queijo, comprada pelo gigante Grupo Trigo, insistem em não cumprir seu compromisso com a causa, cuja transição para o uso de 100% de ovos livres de gaiola deveria ter sido finalizada até o final do ano passado.
É preciso mencionar que o não cumprimento com compromissos públicos pode até violar os Códigos Civil e de Defesa do Consumidor, cujo artigo 37 (Lei Federal nº 8.078/1990) diz que a veiculação de informação ou publicidade enganosa constitui prática abusiva e passível de sanções administrativas, civis e penais.
Quer contribuir para a pressão pública para que o Fran’s Café e a Casa do Pão de Queijo adotem ovos de galinhas livres? Então, clique aqui e aqui e assine a petições da Sinergia Animal.
Pelo fim das gaiolas de gestação
Você sabia que só nas granjas da Frimesa, mais de 120 mil porcas grávidas sofrem todos os dias confinadas em gaiolas minúsculas, sem sequer conseguir se virar?
A empresa, que faz uso dessa que é uma das práticas que mais causa sofrimento animal na indústria, é a 4ª maior produtora de carne suína no Brasil e uma das 20 maiores do mundo, com um faturamento recorde que ultrapassa os R$7 bilhões por ano!

E o pior é que, enquanto suas concorrentes diretas, como JBS, BRF, Aurora, Pamplona e Alibem, já assumiram o compromisso de eliminar totalmente o uso de gaiolas de gestação em novos projetos, a Frimesa se recusa a evoluir.
Além do enorme desconforto físico e da frustração por não poderem buscar alimento, andar e explorar o ambiente, as minúsculas gaiolas de confinamento provocam enfraquecimento dos ossos, infecções urinárias e outras lesões nas porcas, o que pode levá-las até à morte.
As matrizes suínas passam até 35 dias presas e isoladas a cada gestação e são inseminadas cerca de 2,5 vezes ao ano pelos criadores. Ou seja, é um ciclo incessante de sofrimento.
Na contramão de países como Noruega, Reino Unido, Suíça, Suécia e em diversos estados dos EUA, por exemplo, no Brasil ainda é permitido o confinamento de porcas em gaiolas de gestação até 2045, graças à Instrução Normativa nº 113, de 16 de dezembro de 2020 (IN 113/2020) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
É inaceitável que uma corporação do porte da Frimesa, responsável pelas vidas de tantos animais, siga permitindo as piores práticas do mercado. Imagine só o impacto que essa mudança traria para esses animais?
Bora pressionar a Frimesa para que assuma o compromisso de eliminar completamente as gaiolas de gestação? É só clicar aqui e assinar a petição da Sinergia Animal.
Sobre a Sinergia Animal
A Sinergia Animal é uma organização internacional sem fins lucrativos fundada em 2017, com o objetivo de reduzir o sofrimento animal causado pela pecuária industrial e promover sistemas alimentares mais compassivos e sustentáveis.
Por meio do diálogo com empresas, a entidade tem pressionado grandes marcas a adotarem políticas de bem-estar animal, como o fim do confinamento em gaiolas nas cadeias produtivas.
Sua atuação tem sido reconhecida por organizações internacionais como a Animal Charity Evaluators, que a classifica entre as ONGs mais eficazes do mundo na defesa dos animais criados para consumo.