Ideb: Para diretor, leitura incrementa repertório do aluno

Por: Keila Baraçal

O diretor Flávio José Dionysio, 48, é o homem que está por trás do trabalho bem sucedido da Escola Estadual Professora Rita Pinto de Araújo, em  São Matheus, extremo da zona leste de São Paulo. Com cerca de 800 estudantes, foi para este local que saiu a classificação de melhor escola pública paulistana – média de 7,6. O número foi revelado nesta segunda-feira, 5, pela avaliação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) – indicador do MEC usado para avaliar a qualidade da educação no país.

O fato de a escola estar na liderança do podium pode ser justificado com algumas simples ações, pensadas pelo diretor, ao lado de sua equipe. Uma delas é a inclusão de leituras  em sala de aula. Duas vezes por semana, os alunos  junto com a professora vão até a sala de leitura e fazem a leitura de um livro. Depois, cada estudante é convidado e manusear e ler as obras, individualmente. “Um bom aluno só conseguirá escrever bem se tiver tido uma boa leitura”, afirma Dionysio.

O uso da leitura ultrapassa as barreiras físicas da escola e se apropria de alguns elementos da cidade. Por exemplo: se o professor, numa aula de ciências, apresenta para a turma o tema meio ambiente, é no zoológico que a classe verá, na prática, o conteúdo aprendido. “O apoio em materiais como revistas, desenhos em quadrinhos e jornais também conta muito para o estímulo à leitura”, conta.

Dionysio, aliás, percebeu desde cedo que ler seria o caminho ideal para chegar ao seu objetivo – o de dirigir uma escola. Começou a carreira como inspetor, passou para professor primário, depois coordenador e, por fim, diretor. Quando jovem, ainda nas escolas de Mauá,  lia romances e obras de ficção. Já na graduação, dedicou-se para a leitura de obras que abordassem, especificamente, o tema da pedagogia.

Atualmente, morador do bairro de Aricanduva, também na zona leste da cidade, o educador afirma que aprendeu a gostar do “caos da cidade”. Embora prefira a tranquilidade de cidades do interior, ele não abre mão de visitar museus e frequentar salas de cinema. São nestes lugares que, vez ou outra,  encontra alunos que já passaram pela escola em que trabalha. “É muito gratificante encontrar esses meninos e meninas. Perceber que eles lembram da escola com carinho e que estão bem encaminhados na vida, continuando seus estudos”, conclui.

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