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Russomano acusado de humilhar funcionária de mercado

Por: Redação

Mostramos aqui um vídeo polêmico de Celso Russomano fazendo reportagem num supermercado, levantando críticas dos leitores sobre a atitude do então apresentador.

A mulher que estava na caixa de supermercado resolveu agora falar. Afirma que se sentiu humilhada. E diz mais: foi suspensa da empresa e transferida após o caso.

As imagens feitas em 2005, em um mercado na Vila Formosa (zona leste), mostram Russomanno fazendo matéria sobre problemas na compra de itens avulsos na loja. Ele rasga um pacote de papel higiênico, um de papel toalha e um pacote de caixas de fósforos, querendo comprar as unidades.

A jovem diz alguma coisa inaudível. Ao que Russomanno responde: “Isso é problema seu ou nós vamos chamar a polícia. Eu quero uma toalha de papel, como manda a lei. Eu quero uma caixa de fósforo”. Momentos depois a PM chega ao local.

“Quando estava indo embora, fiquei lá sentada desolada. Cheguei em casa e desabei. Contei para o meu marido e chorei”, diz Cleide Cruz, 36, que na época do vídeo tinha 25.

A chefia de Cleide considerou que ela não soube lidar com a situação, segundo ela. A primeira transferência foi da Vila Formosa para Ferraz de Vasconcelos (Grande SP), longe da casa dela.

“Eles foram claros que eu deveria ter sido mais simpática, que eu deveria ter sido mais educada. Teria que ter feito alguma coisa para contornar a situação”, diz ela, que considera que as exigências do apresentador estavam acima do alcance dela.

Cleide, que hoje é vocalista de uma banda de reggae, afirma que ficou engasgada com a história. Após o vídeo editado do programa passar a circular na internet por causa do período de eleições, amigos a aconselharam a falar sobre o caso.

Ela publicou, então, um vídeo no YouTube. Na gravação, ela afirmou que o deputado foi “autoritário” e “arrogante”. “O deputado Celso Russomanno não é uma pessoa democrática. Ele não quis nos ouvir. Chegou lá gritando, apontando o dedo na nossa cara, esfregando o Código do Consumidor na cara das pessoas. Esqueceu que éramos simples funcionários”.

Russomanno nega ter humilhado Cleide. O canal do candidato no YouTube publicou em 2009 dois vídeos com a íntegra da reportagem, que totalizam 17min58s. A versão que circula atualmente em redes sociais, com 8min32s, tem apenas os trechos em que o repórter fala de maneira mais séria com as atendentes de um supermercado.

Na gravação, o deputado chega a chamar a polícia, numa situação constrangedora para a jovem.

“Às vezes, com grandes corporações, temos que ser firmes e nos colocar no lugar de quem precisa”, diz o candidato na nota.

Momento em que Russomanno insiste em comprar apenas 1 papel higiênico
Momento em que Russomanno insiste em comprar apenas 1 papel higiênico

Neste episódio, em que ele já exercia o cargo público de deputado e ainda arranjava tempo para ser apresentador de TV, Celso entra num supermercado e intimida as funcionárias a venderem produtos fracionados, ou seja, apenas 1 palito de fósforo, apenas 1 rolo da embalagem de papel higiênico e assim por diante.

Uma das funcionárias, visivelmente constrangida, ainda pede desculpas no final do programa. Isso depois de Russomanno ligar para a Polícia Militar do Estado de São Paulo e ameaçar prender quem, segundo ele, fosse “contra a lei” do código do consumidor que ele carrega nas mãos.

Momento em que Russomanno conversa com a PM
Momento em que Russomanno conversa com a PM

Depois disso, duas viaturas foram designadas para garantir que a vontade do atual candidato à prefeitura de São Paulo fosse feita.

Porém, segundo o próprio código do consumidor que você pode ler abaixo, fica claro que o produto não pode ser fracionado durante a venda.

“A embalagem elaborada pelo fabricante deve ser desenvolvida e apresentada para revenda com todas as informações a respeito dos produtos.

A embalagem original de fábrica, lacrada, deve possuir as condições ideais para acondicionamento dos produtos, mantendo-os próprios para o consumo.

Deste modo, a apresentação do produto, como elaborada pelo fabricante, deve ser preservada, não sendo adequado que o produto seja fracionado para a venda.

(art. 30 do Código de Defesa do Consumidor)”.

Ainda segundo Jean Wyllys, “Para denunciar uma suposta irregularidade na venda de um produto, em vez de ir ao escritório dos empresários donos do supermercado escolhido para sua peça televisada ou até mesmo aos fabricantes dos produtos, Celso Russomanno humilhou e maltratou ao vivo uma funcionária que provavelmente recebe um salário equivalente ao que pessoas como Russomano gastam em um jantar. Covarde com os ricos e os poderosos e arrogante e violento com os pobres, os trabalhadores e as minorias oprimidas!”.

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