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Jogadores negros do Fortaleza fazem ato contra o racismo antes de jogo

Campanha faz parte de reivindicação por mudanças na lei do esporte em relação à injúria racial

Por: Redação
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Os jogadores negros do Fortaleza fizeram um protesto contra o racismo antes da partida contra o Corinthians, noite de quarta-feira, 2, pelo Campeonato Brasileiro.

Os atletas, como Bergson e David, usaram uma camiseta com as cores do clube cearense –azul, vermelho e branco–, mas no lugar das tradicionais listras, círculos que formavam um alvo nas costas.

racismo
Crédito: Dudu Oliveira/Fortaleza EC Jogadores negros do Fortaleza fazem ato contra o racismo antes de jogo

A iniciativa dos jogadores do Fortaleza, conhecido como Leão do Pici, é para reivindicar mudanças na lei do esporte para que a injúria racial, quando praticada pelos torcedores, seja enquadrada como crime de racismo.

“Os atletas negros do nosso elenco entraram com uma camisa que representa como os negros se sentem todos os dias: com um alvo nas costas. A cada 100 vítimas de homicídio no Brasil, 75 são negras”, disse o clube no Facebook.

Hoje, os atletas negros do nosso elenco entraram com uma camisa que representa como os negros se sentem todos os dias:…

Posted by Fortaleza Esporte Clube on Wednesday, December 2, 2020

“Nossa ação acontece para apoiar todos os atletas negros que já sofreram ataques racistas dentro e fora do campo e também para protestar por uma revisão de lei do esporte, que não pune a injúria racial como crime de racismo, quando vinda de torcedores (CBJD – artigo 243-G)”, acrescentou o clube na postagem feita no Facebook.

Racismo nosso de cada dia

No Brasil, o racismo se manifesta de diferentes formas. No acesso à educação, na violência contra a mulher, no mercado de trabalho e, sobretudo, no genocídio em curso que a cada 23 minutos tira a vida de um jovem negro, segundo dados apresentados pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Petterson, uma das vítimas no restaurante Esquina da Praça, destaca que nunca havia passado por situação parecida. Para ele, algo inaceitável. “A gente sabe que isso é uma coisa frequente, mas nunca tinha vivido nada parecido. É uma revolta muito grande. Arremessaram cadeiras sobre mim, agrediram meu primo com uma paulada na cabeça. Quem chama de vitimismo é porque nunca passou por isso ou nunca passará.”

Enfatiza ainda que busca apenas valorização e tratamento justo na sociedade. Acredita que o cenário de exclusão e intolerância só mudará quando as pessoas não deixarem de denunciar. “Nós ficamos triste com tudo o que aconteceu, por ser mais um caso de racismo. Mas não podemos desistir. Temos que denunciar e buscar justiça até o fim.”

Pretos no topo

Lucas reforça a opinião do primo e destaca outro fator fundamental para o fim da racismo no Brasil: a união entre as pessoas. Sobretudo as de pele preta. “Quando vejo pessoas de pele negra concordando que isso é vitimismo é o que mais me revolta. Nem tanto as pessoas brancas, porque elas nunca vão entender o que significa. É uma luta diária, que devemos travar todos os dias.”

Apesar disso, ressalta que o episódio o tornou ainda mais forte para alcançar seu objetivo: chegar ao topo e criar novas frentes, profissões, pólos negros, para unir e gerar força para a população afrodescendente. “Agora que fui impedido de entrar naquele restaurante por causa minha cor, vou lutar pra comprar um lugar onde quero que as pessoas da minha pele entrem. Isso só me torna mais forte para chegar ao topo”.

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