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Na periferia de Fortaleza, laboratório de inovação ajuda comunidades a criarem economia solidária

O PalmasLab surgiu da experiência de sucesso do Banco Palmas, o primeiro banco comunitário do país

Por: Redação

Em 1998, alguns moradores do Conjunto Palmeiras, na periferia de Fortaleza, resolveram criar um meio de equilibrar as finanças da comunidade e incentivar o comércio local. Nasceu assim o Banco Palmas, o primeiro banco comunitário de crédito do Brasil. O banco oferece aos membros da comunidade todos os serviços que podem ser encontrados em um banco convencional, mas sua intenção não é lucrar em cima disso. Ao contrário, é propor um aumento da qualidade de vida local.

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O Palmas é um Banco Comunitário de Desenvolvimento (BCD) que presta à população de sua comunidade os serviços que comumente são encontrados nos bancos convencionais. Mas sua intenção maior é prover a segurança financeira local.

A iniciativa deu tão certo que mais de 50 outros bancos comunitários foram criados no Brasil espelhados no modelo cearense. Para ajudar no estabelecimento dessas novas instituições financeiras, os criadores do Banco Palmas fundaram também o Instituto Palmas, que faz a gestão do conhecimento e a difusão das práticas de economia solidária pelo país. Assim surgiria também a Rede Brasileira de Bancos Comunitários, que consiste na articulação de todas essas entidades. Formados e instruídos pelo Instituto Palmas, todos os Bancos comunitários têm obrigação de “prestar contas” de suas atividades anualmente no Encontro Nacional da Rede de Bancos Comunitários.

Dentro do Instituto fica uma parte fundamental para esse processo de implantação de ideias e de formação comunitária, que é o Laboratório de Inovação e Pesquisa em Finanças Solidárias, mais conhecido como PalmasLab.

Passo a passo

Em síntese, a atividade do laboratório consiste em prover soluções tecnológicas para o desenvolvimento solidário das comunidades periféricas. Em outras palavras, dar oportunidade às comunidades pobres para que elas criem suas próprias ferramentas de geração de riqueza.

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Além de espalhar os conhecimentos para que cada comunidade consiga implementar suas cédulas, o objetivo do laboratório é capacitar, nessas comunidades, jovens que possam colocar em prática a economia solidária.

Seus objetivos principais, portanto, são criar e melhorar o acesso a serviços financeiros dentro das comunidades, capacitar a população local para que ela mesma possa criar essas soluções tecnológicas e, também como consequência disso, contribuir para a criação de políticas públicas que pensem na inclusão financeira e na erradicação da pobreza.

O projeto, que tem apoio da organização indiana Mahiti Infotech e da Universidade de Columbia, além do Ministério do trabalho e Emprego e da Secretaria Nacional de Economia Solidária, recebeu o primeiro programador em setembro de 2012. Hoje, depois de um ano de funcionamento, o laboratório já desenvolveu ferramentas para que várias comunidades possam seguir os passos do Conjunto Palmeiras.

O esquema abaixo mostra como funciona o PalmasLab.

Economia solidária na mão

O PalmasLab já desenvolveu dois aplicativos. O primeiro é o Palmap, que já funciona no Conjunto Palmeiras. Ele permite o mapeamento de toda a atividade comercial local, por meio de um banco de dados que reúne informações sobre os empreendimentos produtivos do bairro (como localizações, faturamento, situação jurídica) e seu relacionamento com o Banco Palmas. O app surgiu para substituir os mapeamentos que, até então, eram feit0s manualmente pelo Instituto Palmas, com questionários e visitas.

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A equipe do PalmasLab conseguiu desenvolver dois aplicativos que ajudam os bancos comunitários a terem, com tecnologia móvel e simples, maior controle sobre a movimentação financeira de sua comunidade. Com essa tecnologia a rede ainda poderia se comunicar com cada cliente por SMS e gravações de voz.

O segundo aplicativo foi pensado para computador e permite que cada banco ou comércio crie o seu próprio questionário para o celular, adaptando as perguntas à pesquisa que eles têm a intenção de fazer em suas respectivas comunidades. Ele ainda está em processo de desenvolvimento, mas seu objetivo, assim como o do Palmap, é desenvolver a rede de tecnologias da informação (TI) dentro dos locais que estão iniciando ou pensam em iniciar políticas comunitárias de economia solidária.

Fortalecer para crescer

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A estratégia da economia solidária pode correr o perigo e se limitar somente a uma pequena área. O Banco da Periferia tenta escapar dessa tendência.

Apesar do Instituto e de seu laboratório, os responsáveis pelo Banco Palmas reconhecem que apenas a articulação e o incentivo mútuo entre os bancos, não garantem que eles escapem da “armadilha da pequena escala“. Isso acontece quando essas entidades ficam restritas às suas comunidades, isto é, quando elas não conseguem atingir uma escala de operação grande o suficiente para gerar recursos além do autossustento. Nesse caso elas também têm dificuldade para procurar por parceiros e investidores dispostos a desenvolver novos serviços e projetos.

Mas o banco está iniciando um projeto que pode ser uma boa estratégia para fugir dessa armadilha. Trata-se do “Banco da Periferia”, uma rede de bancos comunitários que colaboram entre si no desenvolvimento de novos produtos e compartilham serviços de back office (informática, contabilidade, recursos humanos). Ao mesmo tempo, o sistema decisório colaborativo mantém a governança comunitária e a atuação local.

A intenção do novo projeto é criar melhores posições de negociação compartilhando a rede de clientes do crédito comunitário. O Banco da Periferia pretende, assim, começar a funcionar na região do Ceará para depois se espalhar pelo país.

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