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Mãe defende filho trans que foi vítima de preconceito e viraliza

'Peço que todas as mães abram o coração e a mente, e vamos a luta por nossos filhos!' pede Deborah Alaman, mãe do jovem trans Hugo Alaman

Por: Redação

A manicure Deborah Alaman e seu filho trans Hugo Alaman Fabrício, de 15 anos, têm enfrentado uma batalha diária contra o preconceito. Infelizmente no Brasil, casos de transfobia são um recorde mundial. Desde o início de sua transição o jovem vem sentindo o peso dessa estatística. Ele foi atacado nas redes sociais, em festas e em outros momentos, pelo simples fato de assumir quem é.

Ao portal de notícias BHAZ a mãe conta emocionada como é fundamental o apoio das mães para que seus filhos sejam minimamente respeitados:  “Meu filho é incrível, uma pessoa acima da média. Quando a gente demonstra nosso apoio publicamente, as pessoas respeitam muito mais. Se eu abaixasse minha cabeça, seria muito mais difícil. Peço que todas as mães abram o coração e a mente, e vamos a luta por nossos filhos!”.

Crédito: Reprodução / BHAZMãe ajuda o filho trans a enfrentar o preconceito

Desde criança Hugo se sentia diferente e sofria muito bullying na escola. Era xingado de diversos nomes. Na adolescência ele recebeu ofensas constantes nas redes sociais. Veja aqui algumas delas. Um dos episódios mais graves foi durante uma festa de uma amiga. O pai da menina chegou bêbado e começou a ofender Hugo falando coisas transfóbicas. Em seguida ele empurrou o adolescente e começou a pegar nos seios dele (que ficam enrolados na cinta que ele usa). A atitude era para provar que Hugo era menina. A mãe não registou boletim de ocorrência, pois Hugo tem medo e não fala o nome do agressor.

Em todos esses momentos Deborah tentou mostrar seu apoio e seu amor por ele: “Uma das coisas que o Hugo falou para mim é que a família tinha vergonha dele. Eu sempre penso a respeito disso. Parece que as pessoas LGBTs não têm família, que são sempre rejeitados. Eu quis mostrar para ele que não é assim. Fiquei pensando no que falar, disse que precisava falar com ele que o Hugo tem quem o ama incondicionalmente”, explica a mãe.

A transição de Hugo teve início por volta de seus 12 anos de idade. Ele gostava de roupas masculinas e de usar o cabelo curtinho. Por suas preferências ele acreditava ser bissexual. Porém com acompanhamento psicológico, ele foi até uma associação de homens trans. Teve a oportunidade de conversar com vários e isto contribuiu para ele entender que era trans. O estudante trans conta a BHAZ que durante a transição foi bem difícil tanto para ele quanto para sua mãe, mas ela o apoiou desde o início. Para ele o maior desafio ainda é a família. “Fiquei sozinho na minha família, a maioria respeita, mas não me entende. Meu pai ainda não consegue aceitar, é complicado”, conta o estudante trans.

A manicure Deborah relata que só após o nascimento de sua segunda filha teve a certeza de que Hugo poderia trans. Diferente da irmã, ele não se interessava por absolutamente nada do universo feminino. Na verdade ele gostava de usar as roupas do pai. Tanto que comprar roupas para ele, era sempre um momento difícil na família.

Por trabalhar num salão de beleza e conviver com trans e homossexuais, Deborah sempre teve a cabeça aberta em relação a orientação sexual das pessoas. Ainda assim, quando se tratou de seu filho ela ficou um pouco assustada. Apesar de conversar com ele e apoiá-lo ela sentiu a necessidade de uma visão profissional sobre o assunto. Por isso sugeriu o acompanhamento psicológico, para que Hugo conseguisse esclarecer o que estava vivendo e conta que isso ajudou muito ao longo da trajetória. O grupo do Facebook Mães pela Diversidade também foi um apoio fundamental para ela.

Hugo está ciente da batalha que precisa enfrentar contra o preconceito, mas de qualquer forma tem tentado lutar por sua felicidade: “No começo eu ligava mais, eu pensava que eu era uma aberração. Me chamavam de esquisito, dizendo que eu estava mudando os planos de Deus, que eu jamais poderia ser um homem. Temos que lutar para ser nós mesmos, pela nossa felicidade, tentar ignorar essas pessoas”, conta.

Transfobia é crime e se combate com informação!

Para te ajudar a entender um pouco mais sobre o tema, veja abaixo:

O que é identidade de gênero

Identidade de gênero é como a pessoa se enxerga no espelho, seja como mulher, homem ou outra denominação dentro do espectro de gênero.

Pessoas que se identificam com o gênero que lhe foi atribuído ao nascer são consideradas cisgênero ou cis, na abreviação. Por exemplo, se ao nascer o bebê é registrado como menino e ao longo da vida ele continua se identificando dessa forma, ela é uma homem cis. Se essa pessoa não se identificar com seu sexo biológico, ela é transgênero ou somente trans.

Há também aqueles que não se identificam com nenhum gênero em específico. Essas pessoas são denominadas não-binárias, ou seja, não se identificam como homem ou como mulher.

Vale lembrar duas coisinhas: identidade de gênero não é uma ideologia e, muito menos, tem a ver com a orientação sexual de uma pessoa. Tanto pessoas cis quanto pessoas trans podem ser hétero, bi ou homossexuais.

Transexual x Transgênero x Travesti

Transexual

Há um tempo, esse termo era usado para falar sobre pessoas transgênero mas caiu em desuso para não dar a impressão de que ser trans é uma orientação sexual.

Transgênero

Este termo é usado atualmente para abarcar as pessoas trans. Por exemplo: um homem transgênero é aquele que foi identificado como mulher ao nascer e passou a se reconhecer como homem, enquanto, da mesma forma, a mulher transgênero é aquela que foi designada homem ao nascer mas, na verdade, se identifica como uma mulher.

Travesti

Travesti é um termo mais comum no Brasil, na Espanha e em Portugal (e em pesquisas do RedTube), e já foi usado como xingamento transfóbico e também para denominar uma mulher trans que não desejava passar pelo processo de readequação genital, mas não se aplica mais. Hoje o termo travesti é comumente usado para empoderamento e resistência da comunidade.

A diferença entre as três denominações é de auto identificação. Caso esteja na dúvida e não quer cometer um ato de transfobia, use apenas o prefixo trans ou pergunte à pessoa como ela se identifica.

Meu corpo, minhas regras!

Evite fazer perguntas sobre o corpo da pessoa trans, se já fez cirurgia ou hormonioterapia principalmente. Um homem ou uma mulher transgênero não necessariamente deseja mudar sua aparência ou genitais para se identificar com seu gênero, e questioná-los é desrespeitoso. Para mais informações, clique aqui.

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