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Mulher denuncia assédio e agressão no pré-Carnaval do Rio

"Senti o meu nariz inchar e notei que havia levado um soco. Caí no choro", afirma a vítima

Por: Heloisa Aun | Comunicar erro

A atendente de telemarketing Lorraine Nezi, de 25 anos, foi agredida por dois homens quando voltava para casa de ônibus na semana anterior ao Carnaval do Rio de Janeiro. A jovem estava acompanhada da namorada, Julia, com quem havia ido a um bloco de rua e à praia de Copacabana durante o dia.

Na estação Central do Brasil, centro da cidade, um grupo de seis rapazes subiu no veículo por volta das 19h. “Eles estavam visivelmente alterados, não sei se por efeito de bebida ou pela folia. Sentaram no fundo do ônibus, em bancos atrás dos nossos. Fiquei incomodada pela bagunça, porém relaxei achando que havíamos passado despercebidas”, relata Nezi ao Catraca Livre.

Em certo momento, quando as duas estavam sonolentas, a carioca ouviu um dos homens se referir a elas e dizer: “as minas estavam ‘morgadonas'”. “Na mesma hora despertei. Continuei com a cabeça encostada no banco seguindo viagem, até o ônibus pegar a Av. Brasil, que foi quando senti o primeiro puxão de cabelo de maneira agressiva”, conta.

A atendente de telemarketing foi vítima de agressão depois de reagir ao assédio
A atendente de telemarketing foi vítima de agressão depois de reagir ao assédio

Lorraine, então, perguntou se havia algum problema para eles estarem puxando seu cabelo. “Se estivesse com problemas estaria no hospital”, respondeu um dos passageiros. “Minha namorada acordou sem entender muita coisa e pediu para que eu me sentasse. Me sentei com o coração já acelerado”, afirma.

Poucos minutos depois, a atendente sentiu outro puxão de cabelo, ainda mais forte, e uma passada de mão em sua nuca. Ela se levantou e pediu para que parassem, pois só queria seguir viagem em paz. “O mesmo rapaz disse que eu deveria estar voltando de bloco de Carnaval e que ele iria, sim, passar a mão em mim porque eu era rodada.”

“O agressor falou pra eu sentar e parar de reclamar porque eu era ‘feia pra caralho’ e estava me sentindo gostosa. Respondi que não estava ali pra agradar a ele e nem ninguém. Tudo isso em tom bastante alterado e com a Julia me puxando pra sentar”, continua.

O homem ainda deu um terceiro puxão de cabelo na jovem e a chamou de “vadia” e “prostituta”. Inesperadamente, sua namorada reagiu e socou o rosto dele. Na tentativa de protegê-la, Nezi acabou sendo agredida por um dos rapazes.

O caso ocorreu na semana anterior ao Carnaval deste ano
O caso ocorreu na semana anterior ao Carnaval deste ano

Os outros quatro do grupo tentaram ajudá-las e chegaram até mesmo a brigar com os dois agressores. Diante do ocorrido, uma senhora deu seu lugar na frente do ônibus às mulheres e as acalmou.

“Senti o meu nariz inchar e notei que havia levado um soco. Caí no choro. A Julia tentava me acalmar, mas eu estava com bastante medo de no momento em que fôssemos descer, eles fossem atrás e a covardia viesse a ser maior”, completa a atendente de telemarketing.

Após algum tempo, o casal conseguiu descer do ônibus e chegar em casa. Lorraine e Julia ainda não registraram boletim de ocorrência.

Campanha #CarnavalSemAssédio

Pelo segundo ano consecutivo, o Catraca Livre promove a campanha #CarnavalSemAssédio com o objetivo de lutar por respeito na folia e pelo fim da violência contra a mulher. Quem está com a gente: a revista “Azmina” e os coletivos “Agora é que são elas”, “Nós, Mulheres da Periferia” e “Vamos juntas?”.

  • Como parte da campanha, produzimos vários materiais que podem ser compartilhados nas redes sociais com a hashtag #CarnavalSemAssédio. Participe você também. Confira o conteúdo neste link.

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Autor: Heloisa Aun

Feminista, vegetariana e repórter de Cidadania no Catraca Livre. ("nossas costas / contam histórias / que a lombada / de nenhum livro / pode carregar" - Rupi Kaur)