Mulher morta pelo marido desabafou na web horas antes do crime

Por: Redação

A mulher, de 30 anos, que foi morta pelo marido asfixiada com um mata-leão, por ciúmes, e teve seu corpo abandonado em um canavial, em Fernandópolis, interior de São Paulo, usou suas redes sociais para fazer um desabafo horas antes do crime, que acontece na noite de terça-feira, 7.

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Crédito: Reprodução/TVGloboMulher morta pelo marido desabafou na web horas antes do crime

Aline Gonzales, mãe de dois filhos, escreveu: “Um dia a gente aprende”.

Crédito: Reprodução/FacebookMulher morta pelo marido desabafou na web horas antes do crime

A Polícia Civil informou que o marido da vítima, Bruno Leal, de 31 anos, já havia agredido e ameaçado a mulher e parentes dela nos últimos meses. Ele era investigado em liberdade.

“Observamos que ele praticou lesão corporal na vítima em janeiro. Ele foi autuado em flagrante e, segundo consta, foi liberado na audiência de custódia. Já no ano passado, ele agrediu a mãe da vítima e ameaçou a irmã dela”, afirmou o delegado Oreste Carósio Neto.

Ainda de acordo com a polícia, o casal brigou na tarde de terça-feira por ciúme, o que foi confirmado por Bruno posteriormente. Durante a discussão, ele acabou empurrando Aline. A mulher afirmou que prestaria queixa e levou um soco. Em seguida foi asfixiada com um golpe de mata-leão até morrer.

Bruno abandonou o corpo da mulher em um canavial em Fernandópolis e fugiu.

“A vítima não pode deixar de registrar o fato, comunicar a polícia para apurar. Quer seja uma ameaça ou agressão. A gente observa que esses casos começam com ameaça depois lesão corporal e depois, infelizmente, a morte”, afirmou o delegado.

Bruno foi encontrado pela polícia e está preso na cadeia de Santa Fé do Sul (SP). As autoridades encontraram o corpo da vítima com as indicações dadas pelo marido após confessar o crime. Ele poderá responder por feminicídio e ocultação de cadáver.

Aline Gonzales deixa dois filhos, um deles com Bruno, que ficarão sob guarda da avó materna.

Feminicídio

Por dia, três mulheres são assassinadas, vítimas do feminicídio, no Brasil. A cada dois segundos, uma mulher é agredida no país. Quase 80% dos casos, os agressores são o atual ou o ex-companheiro, que não se conformam com o fim do relacionamento.

Em 2018, o crime teve aumento de 12% em relação a 2017. Ao todo, foram registrados 1.173 feminicídios em todo o território brasileiro.

Em 2019, os números não são otimistas. Em São Paulo, por exemplo, há um aumento de 76% dos casos: 37 mulheres foram mortas só no primeiro trimestre do ano. No ano passado, tinham sido 21 vítimas.

Mas o que é feminicídio?

O feminicídio é o homicídio praticado contra a mulher em decorrência do fato de ela ser mulher ou em decorrência de violência doméstica.

Quando o assassinato de uma mulher é decorrente, por exemplo, de latrocínio (roubo seguido de morte) ou de uma briga entre desconhecidos ou é praticado por outra mulher, não há a configuração de feminicídio.

Para mais informações sobre feminicídio, clique aqui. Para saber mais sobre relacionamentos abusivos que levam milhares de mulheres a morte, clique aqui.