‘Negra e pobre’ de vídeo de Bolsonaro é canadense e executiva

A versão original do vídeo é datada de 2011

Por: Redação | Comunicar erro
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Crédito: Reprodução/Shutterstock Atriz negra que aparece em vídeo de Bolsonaro mora no Canadá e é executiva

Na última terça-feira, 17, um vídeo de campanha favorável ao candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL-RJ), divulgado por Eduardo Bolsonaro, trazendo uma mulher “negra e pobre”, supostamente brasileira, que apoia o deputado na corrida pelo Planalto, causou polêmica nas redes sociais, justamente pela credibilidade da propaganda.

Nela, uma “mulher negra e pobre” que rejeita o “vitimismo”, declara seu apoio a Bolsonaro. No entanto, a “mulher negra e pobre” não é brasileira e as imagens são pertencentes ao banco de dados Shutterstock, podendo ser adquiridas ao preço de 79 dólares.

De acordo com informações da BBC News Brasil, a ex-atriz usada na peça publicitária em favor de Bolsonaro, tem origem etíope, mora no Canadá e é uma executiva. O vídeo em questão foi gravado em 2011, produzido por um diretor também canadense.

Procurada, ela não quis se manifestar sobre o assunto. Já o responsável pela produção, Robert Howard, contestou o uso das imagens pela campanha, ou, no caso, pelos apoiadores de Jair Bolsonaro.

“É bastante triste. Eu sou completamente contra qualquer política de divisão, de ódio. Me sinto mal e sinto que fui roubado. E não me parece muito patriótico usar as imagens de uma estrangeira, sem prévia autorização, em um vídeo que supostamente fala pelas mulheres negras brasileiras”, declarou Howard.

“Não há ilegalidade”

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Crédito: Reprodução/TwitterEduardo Bolsonaro compartilhou vídeo de campanha do Bolsonaro que traz imagem de mulher negra comprada em banco de imagens on-line

Questionada sobre o assunto, a advogada Karina Kufa, que representa Eduardo Bolsonaro, afirmou que “não há qualquer ilegalidade no vídeo do ponto de vista eleitoral”.

“Este foi um vídeo de um apoiador que o Eduardo gostou e republicou. A gente não consegue nem rastrear o autor. Tecnicamente, da parte de campanha, não há nenhum questionamento quanto à produção. O apoiador, sob o ponto de vista eleitoral, pode produzir materiais com favorecimento a determinada campanha”, disse a advogada.

Entenda

Recentemente, o filho de Jair Bolsonaro, e candidato a deputado federal por São Paulo, Eduardo Bolsonaro, divulgou um vídeo de um campanha do presidenciável que traz a imagem de uma “mulher negra e pobre” que declara apoio ao parlamentar.

Ao longo de um minuto e dez segundos, uma voz-narradora conta a suposta história da “mulher negra e pobre” que se considera livre do “vitimismo” e que, por isso mesmo, vota em Bolsonaro.

A imagem da “mulher negra e pobre”, no entanto, não é real. Pelo menos, ao que tudo indica, ela não é brasileira e, se de fato ela se manifesta favorável ao político, foi porque recebeu para tal. Isso porque a foto da “mulher negra e pobre” pertence ao banco de imagens Shutterstock e pode ser comprada aqui ao preço de 79 dólares.

Veja íntegra da fala da “mulher negra e pobre” da campanha de Bolsonaro.

“Sim, sou mulher negra e vinda de família pobre, mas não passei procuração para que ninguém fale em meu nome. Há muito me libertei do vitimismo que ainda insistem em me colocar sobre os ombros… Sim, sou mulher negra, de família pobre, mas que aprendeu a lutar com as próprias forças para realizar suas conquistas. E será assim que também ensinarei aos meus filhos e será assim que em 2018 elegerei o próximo presidente do Brasil.

Um presidente que não aceitará o fato de, por sermos mulheres e negras, devamos nos manter pobres para manter o jogo da velha política do voto por esmola. Meu voto é pelo brasil. Meu voto é Bolsonaro.”

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