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Oito pessoas que vão invocar sua consciência negra

Por: Redação

O Catraca Livre fez uma seleção de personagens que estão relacionadas, de uma forma ou de outra, com o Dia da Consciência Negra. Seja por lutarem contra colonizadores, racistas, segregacionistas ou por ironizarem e se recusarem a fazer o que lhes era cabido, estes negros contribuíram para mudar a história da sociedade. Quem mais você acha que poderia estar na lista?

1. Rosa Parks

Em 1955, Rosa Louise McCauley, uma costureira negra do Alabama, pegou um ônibus e, por estar muito cansada, optou por não ficar de pé na área reservada para os negros, na parte de trás do automóvel. Sentou-se em um banco e, diante da indignação dos presentes brancos, recusou-se a se levantar para ceder o lugar a um deles. A atitude de Rosa Parks foi o estopim do Boicote aos Ônibus de Montgomery, que teve o apoio do pastor Martin Luther King, e é considerada até hoje um momento histórico da luta pelos direitos civis nos EUA.

2. Abdias do Nascimento

Ativista desde a década de 1930, Abdias fundou o Teatro Experimental do Negro (TEN), em 1944, e criou o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros (Ipeafro), em 1981, para continuar sua luta pelos direitos do povo negro, sobretudo nas áreas da educação e da cultura. Abdias também foi deputado federal, senador e secretário de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Estado do Rio de Janeiro, de 1991 a 1994.

3. Jesse Owens

Os jogos olímpicos de 1936 foram realizados em Berlim. A Alemanha encontrava-se sob o regime nazista de Adolf Hitler e, para o führer, um bom desempenho dos atletas alemães seria uma ótima propaganda política. O atleta norte-americano Jesse Owens venceu quatro medalhas no atletismo e, durante a cerimônia de um de seus pódios (e ao lado de um atleta alemão saudando Hitler), fez uma continência à situação.

Jesse entrou para a história por ter desafiado o racismo nazista, mas sempre alegou que o enfrentava também em seu próprio país – lamentava, por exemplo, nunca ter recebido nem um simples telegrama de parabenizarão do presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt.

4. Ngola Ana Nzinga Mbandi

Também conhecida como Ana de Sousa, pelos portugueses, ela foi a rainha dos reinos de Ndongo e de Matamba, que hoje formam a região de Angola. Foi de seu título real (“Ngola”) que veio o nome do país. Distinguindo-se como chefe militar, Nzinga adotou o quilombo – que teria ainda larga inserção no Brasil – como estratégia na luta anticolonial. A tática constituía em ataques e recuos estratégicos, com marchas e contramarchas que confundiam o avanço dos colonizadores. Seu nome originou, no Brasil, a expressão “ginga”, que representa uma forma de enganar a adversidade, ser ágil e aproveitar a hesitação do adversário.

5. João Cândido

Em novembro de 1922, cerca de 2.400 marinheiros (a maioria negros) se rebelaram contra a aplicação de castigos físicos a eles impostos – a faltas graves eram punidas com 25 chibatadas –, ameaçando bombardear o Rio de Janeiro. Eles tomaram o Encouraçado Minas Geraes e, sob a liderança de João Cândido Felisberto, conhecido como “Almirante Negro”, passaram cinco dias com os canhões voltados para a cidade. João Cândido, diante da atitude do governo de negar-se às negociações, deu disparos para demonstrar que não estava blefando, e comandou a esquadra a se posicionar fora do alcance do fogo das fortalezas da barra, mas a uma distância suficiente para atacar e destruir a cidade se fosse necessário.

O governo aceitou o fim dos castigos físicos, mas expulsou da marinha os amotinados. Alguns foram mandados para a prisão, onde morreram. Outros foram enviados à região amazônica para trabalharem como seringueiros. Outros ainda foram fuzilados. João Cândido sobreviveu à prisão. Personagem controverso, principalmente por ter apoiado a Ação Integralista Brasileira (AIB, movimento nacionalista e moralista de tendências fascistas), faleceu pobre e esquecido, vítima de câncer, em 1969, aos 89 anos de idade.

6. Steve Biko

A luta contra o Apartheid na África do Sul é geralmente associada à figura de Nelson Mandela, mas a história do combate ao racismo e ao estado segregacionista também é composta por outros personagens. Um deles é Steve Biko, ativista que fundou, em 1968, a Organização dos Estudantes Sul-africanos (South African Students’ Organisation) e, em 1972, tornou-se presidente honorário da Convenção dos Negros (Black People’s Convention).

Biko foi “banido” pelo governo em 1973 – ele não poderia ser pego conversando com mais de duas pessoas – e, em 1977, foi preso e acorrentado às janelas da prisão. Sofreu traumatismo craniano na cadeia e foi transferido, em um carro da polícia, para outra unidade prisional. Biko morreu durante o trajeto. Os cinco policiais que estavam presentes alegaram que o ativista morreu devido a uma greve de fome. Suspeita-se, até hoje, que ele teria sido assassinado.

7. Dandara

Dandara, mulher negra, viveu no século XVII. Foi guerreira do Quilombo dos Palmares, que, no seu auge, chegou a abrigar (ao todo e contando-se todos os mocambos pertencentes a Palmares) 50 mil pessoas. Foi mulher de Zumbi e mãe de seus três filhos. Auxiliou-o com táticas e estratégias de guerra durante a luta contra as forças governamentais e escravocratas.

8. Tia Ciata

No registro de nascimento era uma, Hilária Batista de Almeida. No samba, era três: Tia Ciata, Tia Asseata ou ainda Tia Assiata. Nascida em Salvador (BA), em 1854, Tia Ciata foi responsável por consolidar o samba no Brasil. Na época, as rodas de samba – e as seções de candomblé – só podiam ocorrer com aval e vigia da polícia. Aos 22 anos, firmou-se em terras cariocas e fez de sua moradia a “casa dos sambistas” e berço da primeira filha do gênero musical: a canção “Pelo Telefone”, de Donga e Mauro de Almeida, gravada em 1916.

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