Pesquisa comprova aumento de violência com LGBTs desde a eleição

92,5% dos entrevistados relataram terem percebido o crescimento da violência para este grupo

Pesquisa “Violência LGBT+ no período eleitoral e pós-eleitoral” comprova escalada de violência contra a população LGBT no Brasil desde a eleição no ano passado.

De acordo com a pesquisa, divulgada pela Folha de S. Paulo e organizada pela organização de mídia Gênero e Número e financiada pela Fundação Ford, 92,5% de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros entrevistados relataram terem percebido um crescimento na violência para este grupo.

Crédito: Istok/IltonRogerioParada do Orgulho Gay, em São Paulo

Mais da metade dos entrevistados (51%) afirmou ter sofrido algum tipo de violência motivada por sua orientação sexual ou identidade de gênero desde as eleições do ano passado.

“O objetivo da pesquisa era entender como o discurso de ódio, disseminado a partir das eleições, foi percebido pelas pessoas LGBT, e se havia ocorrido uma escalada na violência contra essa população a partir de sua percepção”, explicou Giulliana Bianconi, diretora da Gênero e Número a Folha.

Segundo Julio Cardia, ex-coordenador de Promoção dos Direitos LGBT, do Ministério de Direitos Humanos, o Disque 100 recebeu, em outubro no ano passado, 272% mais denúncias de violência LGBTfóbica do que no mesmo período do ano anterior. Foram 330 casos em outubro de 2018 contra 131 no mesmo mês de 2017.  Os dados constam de relatório enviado pela coordenadoria para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos).

De acordo com a pesquisa da Gênero e Número, entre as pessoas LGBT entrevistadas que foram alvo de agressões, 94% foram vítimas de violência verbal e 13%, de violência física e que os grupos mais vulneráveis, dentro deste contexto, são  lésbicas, transexuais e travestis.

“Apesar de sub-representadas na amostra, 76% das travestis, mulheres trans e homens trans que responderam à pesquisa consideraram que a violência contra eles aumentou muito durante as eleições de 2018”, afirmou o antropólogo e coordenador da pesquisa, Lucas Bulgarelli à Folha.

“A violência contra pessoas LGBT no Brasil já é grande e cotidiana”, disse ele. “Mas houve um crescimento nas denúncias de organizações LGBT a partir do período eleitoral, quando debates morais, com conteúdo de gênero e sexualidade, foram privilegiados”, completou.

Segundo Bulgarelli, boa parte das denúncias surgiram atreladas “a gestos e maneirismos identificados com a campanha do presidente Jair Bolsonaro” (PSL), como o gesto de armas com as mãos. “Nosso objetivo foi colocar números numa violência que foi muito disputada durante as campanhas.”

Os locais apontados como de ocorrência dessas agressões foram as ruas e os espaços públicos (83%), os comércios e serviços públicos (46%), e os ambientes familiares (38,5%).

Entre os que sofreram violência, 44% apontou ter sido agredido por alguém desconhecido, enquanto 16% diz ter sido agredido por parentes ou familiares.

O estudo entrevistou 400 pessoas LGBT em São Paulo, Rio e Salvador.

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