Policial investigado na morte de João Pedro teve contato com provas

O agente é justamente o que mais fez disparos dentro da casa onde o menino foi morto no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ).

Por: Redação

Um dos policiais civis investigados pela morte do garoto João Pedro Matos, 14 anos, teve contato e transportou provas que fazem parte da investigação que apura o crime. As informações são do jornal O Globo.

O policial –o que mais fez disparos dentro da casa onde o menino foi morto– foi nomeado pelo delegado responsável pelo inquérito depositário de três granadas que os agentes afirmam ter encontrado no local.

Crédito: ReproduçãoJoão Pedro Mattos Pinto foi morto durante operação policial em São Gonçalo (RJ)

Segundo a reportagem, o policial transportou as granadas da DHNSGI (Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí) até a perícia no mesmo dia da operação das polícias civil e federal no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, no dia 18 de maio.

Mesmo com seus agentes sendo investigados, foi a própria Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) que fez a perícia das granadas.

De acordo com laudo do EAB (Esquadrão Antibombas), um dos artefatos, era uma granada de mão modelo M3, um produto controlado pelo Exército, de uso restrito. Os outros dois eram explosivos de fabricação caseira. Nenhum deles estava detonado. Todos os artefatos foram destruídos durante a perícia “tendo em vista o risco em potencial que representa o seu manuseio, transporte e armazenamento”.

Tiro nas costas

O laudo cadavérico de João Pedro, divulgado na semana passada, indica que o jovem foi atingido por um único disparo nas costas. O tiro acertou a parte posterior das costas, na altura das costelas, do lado direito.

O projétil penetrou no corpo de baixo para cima, na direção diagonal, causou lesões nos pulmões e na base do coração do adolescente e ficou alojada na região da escápula esquerda, próxima ao ombro.

A polícia aguarda o resultado do exame balístico do projétil que atingiu João Pedro e as armas três policiais que participaram da ação. Os três agentes cuja as armas foram apreendidas foram afastados dos serviços nas ruas.

Em nota, a Polícia Civil disse que, após todos os depoimentos serem realizados, fará uma reconstituição da operação que resultou na morte do adolescente no último dia 18.

Operações policiais na pandemia

A morte de João Pedro revela a postura beligerante do governo fluminense mesmo durante a pandemia do novo coronavírus.

Desde a última sexta-feira, 15, ao menos três operações policiais foram deflagradas em diferentes comunidades da capital fluminense.

No complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, agentes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e da Desarme (Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos), realizaram uma incursão na favela que resultou na morte de 13 pessoas.

Nas redes sociais, o jornalista e ativista do coletivo Papo Reto, Raull Santiago, postou um vídeo onde denuncia a ação policial. Nas imagens, ele destaca a aglomeração de pessoas diante dos corpos das vítimas e lembrou a dificuldade de cumprir medidas de prevenção  em meio à uma chacina.

Tiros no Vidigal e morte em Acari

Na manhã da última segunda-feira, 18, moradores do Vidigal denunciaram intensa troca de tiros entre policiais e traficantes pelas vielas da comunidade. A operação buscava armas, drogas e bandidos.

Duas incursões também foram registradas em outros bairros da zona norte: Manguinhos e Acari, onde moradores acusam policiais de matarem Iago César Gonzaga, de apenas 21 anos.

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