Propina de Angra 3 custeou reforma na casa de filha de Temer

Obra foi paga por Coronel Lima, operador do ex-presidente

Por: Redação | Comunicar erro

Reformas realizadas na casa filha do ex-presidente Michel Temer, Maristela Temer, foram custeadas com dinheiro de propina obtida a partir da obra na usina nuclear Angra 3, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

Essa informação consta na denúncia apresentada pelo MPF, nesta quinta-feira 21, embasou o pedido de prisão preventiva de Temer , determinada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Segundo o MPF, que se baseou na delação premiada do executivo José Antunes Sobrinho, da empreiteira Engevix, o pagamento de vantagens indevidas ao ex-presidente Michel Temer a partir da obra de Angra 3 foi “muito mais sofisticado do que esquemas anteriores”.

A Engevix se associou a uma empresa finlandesa, a AF Consult Ltd, para executar o projeto. De acordo com a delação de Antunes, a Argeplan foi subcontratada por pressão de Coronel Lima, que teria ingerência sobre a direção da Eletronuclear, estatal responsável por gerir usinas nucleares. O poder de Lima, ainda segundo o delator, devia-se à sua proximidade com Temer.

A quantia usada na reforma, segundo a Polícia Federal, teria sido recebida por dois operadores financeiros de Michel Temer, João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, e Maria Rita Fratezi, em nome do presidente, diretamente na empresa Argeplan.

Maria Rita era responsável pela reforma da casa e teria pedido a Maristela que fizesse os pagamentos em dinheiro. De acordo com a PF, um diálogo de 2014, interceptado com autorização judicial, deixa clara a ligação entre os citados:

Maria Rita Fratezi – “Olá Maristela te enviei por mail, os descontos da indusparquet. Bj. Rita.

Maristela – Ok. Passo para o papai?

Maria Rita Fratezi – Passei os preços para João, que disse que vai aprovar com ele. Fica bem assim?

Maristela – Claro! Obrigada.”

Maristela, em depoimento na Polícia Federal, afirmou que o valor da obra foi de R$ 700 mil, porém sem apresentar quaisquer comprovantes das obras. No entanto, segundo a PF, as notas fiscais emitidas pelos fornecedores ultrapassaram R$ 1, 2 milhão. O custo final orçado ficou em R$ 1,6 milhão.

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