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RJ: Idosa é resgatada após 72 anos em situação análoga à escravidão

É o caso mais longo desse tipo de exploração que se tem notícia no Brasil

Por: Redação

Uma idosa foi resgatada após 72 anos em situação análoga à escravidão, em uma casa na Zona Norte do Rio de Janeiro. É o caso mais longo desse tipo de exploração que se tem notícia no Brasil, segundo o Ministério de Trabalho.

Crédito: Reprodução/TVGloboRJ: Idosa é resgatada após 72 anos em situação análoga à escravidão

Segundo o órgão, a idosa viveu toda sua vida trabalhando para a mesma família sem receber um único salário sequer, nem benefícios.

As autoridades do Ministério de Trabalho chegaram até a vítima através de uma denúncia. Quando chegaram no imóvel, as autoridades encontraram a idosa trabalhando como cuidadora da dona da casa e dormia em um sofá, na entrada do quarto principal.

A idosa, que não teve a identidade revelada para preservá-la, não casou, não teve filhos e perdeu o contato com os familiares.

De acordo com o Ministério do Trabalho, casos como o dela, 134 anos após a Abolição da Escravatura, não são raros. “Ela não tem a noção que ela foi escravizada. Ela não tem. Ela não tem noção alguma disso”, afirmou Cristiane Lessa, assistente social e diretora do centro de recepção de idosos onde a idosa está abrigada.

“Essa senhora, que os empregadores alegam que é da família — e não é —, fica absolutamente submissa. O empregador que fala por ela. Qualquer resposta que a gente solicita dela, é o empregador que responde. Os documentos dela não estão de posse dela mesma. O empregador que tem esses documentos”, contou Alexandre Lyra, auditor fiscal do trabalho.

“Aquele que explora o trabalho escravo terá que pagar, primeiro, todos os direitos devidos àquele trabalhador que foram sonegados. Essa submissão do trabalho escravo acaba sendo um meio de enriquecimento ilícito”, disse Thiago Gurjão, procurador do Trabalho e integrante do Núcleo Regional da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete).

Além de ter que pagar dano moral, manter trabalhadores em condições análogas à de escravo é considerado crime, assinalado no código penal brasileiro. A pena é de dois a oito anos de prisão, e pagamento de multa.

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