Um panorama da representatividade negra na política brasileira

Por History

Por: HISTORY

Assista à entrevista com Fernando Holiday, o vereador negro que luta contra as cotas:

Homens brancos, ricos, empresários e com idade acima de 50 anos. Este é o perfil de quase 80% dos políticos em atividade no Brasil atualmente. Num país onde mais da metade da população é negra (54%, segundo o IBGE), pode-se afirmar que falta representatividade na política nacional.

O sociólogo Augusto Campos, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), explica que a mudança de políticos no poder não tem trazido consigo uma renovação ideológica. “Se os negros não têm acesso a grandes partidos, eles não têm representação.”

A outra razão é a distribuição desigual de recursos de campanha. O candidato negro tem dificuldade grande de chegar ao patamar de uma elite mais competitiva e, por isso, tem o acesso prejudicado por financiamento de campanha”, explica, em entrevista à PUC-Rio Digital. A falta de representatividade na política tende a reproduzir a histórica diferença entre brancos e negros no Brasil.

O racismo torna o candidato negro invisível – e não há como culpar o eleitorado por isso. “Se você vive num grupo social que é declarado o tempo todo como inferior, com o passar do tempo, acredita que a raça negra é inferior. Por isso o próprio negro não vota no negro.”

“O problema é ideológico. É preciso um conjunto de ações afirmativas que partam do poder político e que deixem claro que aquilo que acontece é um absurdo, e que é possível mudar a ideologia presente da sociedade”, afirma Antônio Marcelo Jackson, cientista político da Universidade Federal de Ouro Preto (MG). No Brasil, o número de negros entre a população mais pobre saltou de 73,2% em 2004 para 76% em 2014.

Ou seja: três a cada quatro pessoas pobres são negras. A presença do branco nesse grupo caiu de 26,5% para 22,5%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Uma curiosidade para encerrar: a deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP) foi apenas a segunda mulher negra, em 180 anos, a ser eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo! Ela foi reeleita nas eleições de 2014.

FONTES: IBGE e PUC-Rio Digital

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