Dimenstein: a polêmica sobre o visto de Olavo de Carvalho

A dúvida é saber quais documentos Olavo Carvalho entregou ao governo americano para pedir o visto de "habilidade extraordinário".

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro

Indagado sobre o visto que apresenta em seu currículo – o chamado “genius visa – conferido a pessoas com talentos extraordinários, o filósofo Olavo de Carvalho afirma que, em algum momento, seria divulgado. Mas sem dizer quando.

Olavo de Carvalho se ofereceu a Jair Bolsonaro como embaixador nos Estados Unidos.

Esse seria o documento que comprovaria o visto EB 1 para habilidades extraordinárias.  A questão, porém, é quais documentos foram mostrados: afinal, Olavo de Carvalho não preenche os requisitos, segundo vários advogados consultados pela Catraca Livre.

Ele foi no Brasil, durante muito tempo, astrólogo profissional, não tem curso superior nem obra reconhecida no Exterior.

Olavo de Carvalho chegou a se apresentar em seu currículo americano como ex-professor de pós-graduação da PUC do Paraná.

Qualquer informação errada fornecida ao governo americano é considerada legalmente uma fraude.

Nos Estados Unidos, há muitas acusações de que esse tipo de visto é vítima de fraude, a tal ponto que houve mobilizações no Congresso americana para ser mais rigoroso – fraude o currículo do pretendente não correspondem à verdade.

No documento, quem solicita é Adonis Baptista. Segundo o linkedin, Adonis teria ligações com o Banco Mercantil na Florida.

Quem apresentou ao governo americano as credenciais de Olavo de Carvalho foi Adonis. Esse visto é, geralmente, dado a atletas, artistas, pesquisadores, professores ou empreendedores.

sabrina, duda e filha

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Crédito: Reprodução/TV GloboManifestantes protestaram em supermercado após morte de cachorro em Osasco

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Crédito: Reprodução/TV GloboJoão de Deus negou as acusações por meio de sua assessoria
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Crédito: Reprodução/TV GloboJair Bolsonaro comentou sobre o empréstimo a amigo

Olavo de Carvalho teve no Brasil, durante muito tempo, a profissão de astrólogo, não tem curso superior nem obra reconhecida no Exterior.
A questão, segundo os advogados, é saber quais os documentos que o filósofo apresentou para o governo e se são corretos.

Ensaio fotográfico de Melania ( esq).

Esse tipo de visto gerou  polêmica com Melania, mulher de Trump, que só tinha como vida profissional a condição de modelo. Ela entrou no pais com visto de turista, trabalho como modelo e, depois de casar com o atual presidente, ganhou o “genius visa”. É um assunto abordado exaustivamente na imprensa americana, como The New York Times

Melania Trump quando modelo

Segundo advogados americanos, se foram apresentados documentos errados para justificar o pedido tanto Adonis como Olavo de Carvalho correm o risco de serem deportados.

Até esse momento, Adonias não respondeu as mensagens enviadas. Olavo de Carvalho de recusa a dar informações.

O que se sabe é que, por muito tempo, Olavo de Carvalho vivia nos Estados Unidos, em 2005 com o visto de jornalista.

O filósofo se orgulhava, em 16 de maio de 2018,  de seu visto de “special abilities”.  A categoria se chama, na verdade, “extraodinary ability”.

Um post dele informa seu visto encerraria em 2016.

Nos Estados Unidos, Olavo de Carvalho criou e presidiu admite a  “Inter-American Institute of Philosophy” – o que, segundo mostram documento, estava habilitado a ser empregador.

O filósofo Olavo de Carvalho, guru de Jair Bolsonaro, criou e presidiu nos Estados Unidos uma entidade chamada “Inter-American Institute For Philosophy”.
Mas a entidade, na qual ele se apresenta como ex-professor de filosofia da “Universidade Católica do Paraná” – provavelmente o que seria a PUC – desapareceu. O site da entidade dá agora apenas dicas de alimentação saudável, exercícios e perda de peso.

Fazendo uma pesquisa, é possível encontrar o site antigo.
A missão do instituto seria, entre outras coisas, promover a melhor do ensino de filosofia.

O instituto tinha um board aparentemente respeitável, com nomes da vida acadêmica americana.

A entidade estava inclusive, na condição de empregador, a ajuda a tirar vistos de trabalho para estrangeiros.

Mas ele reclamava as limitações para empregar pessoas.

Um board desse nível servia como vitrine para captação de dinheiro com o objetivo de unir e conectar líderes e intelectuais conservadores das Américas. Era uma versão à direita do “Foro São Paulo “- a reunião de partidos, intelectuais e governantes de esquerda da América Latina. Uma das grandes obsessões do filósofo era atacar esse grupo, que comandaria a revolução comunista na América Latina.

Por que uma entidade com um board desse nível, cuja missão é fazer altas pesquisas de filosofia, vira um site de auto-ajuda em qualidade de vida, sem nenhuma referência sobre seus responsáveis?

Uma possível explicação é dada por Heloísa Carvalho, filha de Olavo de Carvalho. Ambos são brigados – o pai chegou a processá-la.
Segundo Heloísa, o desaparecimento da entidade seria por  denúncias feitas do ex-alunos de Olavo ao board da entidade.
As denúncias seriam de que ele não tem curso superior, sua atividade profissional no Brasil foi por muito tempo astrólogo, além de seu envolvimento com seitas místicas islâmicas.
Um dossiê, segundo ela, foi entregue com documentos.

O que se pode comprar, porém, são as postagens de um ex-colaborador de Olavo Carvalho chamado Júlio Severo, que alega ter feito informes nos Estados Unidos sobre o filósofo.

Severo traduziu para o inglês frases polêmicas de Carvalho sobre religião.

Se esse documento foi o responsável pelo desaparecimento do instituto ainda não se sabe. Mas desapareceu – mas deixou rastro.
Para obter um visto permanente americano chamado “genius visa” ele teria de provar ao governo não apenas o que eles classificam como “habilidades extraordinárias”, mas que essas habilidades ajudariam o pais.
Essa seria uma das motivações para a criação do Instituto, criador em 2009 nos Estados Unidos.

Ele se apresentava como ex-professor da PUC do Paraná, apesar de não ter nem mesmo diploma de ensino médio.

Ele informa num de seus perfis que, entre 2002 e 2005, ter sido “senior lecturer”, o que não corresponde ao que ele afirma no currículo americano.

Entenda o que é um “senior lecturer”

O que ele tem mostrado em várias de suas postagens é desprezo pelo ensino superior no Brasil.

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Autor: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.

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