Por que Danilo Gentili me chama de decrépito, burro e estúpido

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro
 

Escrevi um texto mostrando que fãs do Danilo Gentili se dividiram por causa de seu comentário de que ele iria processar um internauta que o chamou de “quarentão e traveco”.
Muitos dos seus fãs apoiaram o processo – mas a maioria viu ali uma brincadeira.
Irritado, Danilo me atacou:  de “decrépito” e, em outro post, de “burro”. Nas suas visão, haveria um problema sexual: eu seria “gay” e, no fundo, gostaria de “dar” para ele.
Tive até mudar o texto original porque muitos dos seguidores de Danilo não entenderam a ironia.

 

Para entender. O conflito com Gentili surgiu por causa de um debate sobre politicamente correto. Afinal, Bolsonaro, fã do humorista, disse que iria “livrar” o Brasil do politicamente correto.

Lembrei posts do humorista que faziam elogio ao estupro, ridicularizavam negros, debochavam da causa gay e até riam das vítimas do holocausto.

Lembrei também que Gentili massacrou psicologicamente uma humilde enfermeira do interior do Nordeste, que doava leite materno. Por causa do deboche, ela teve crise de depressão e ansiedade, obrigada a se trata com remédios.
A Justiça mandou ele pagar uma indenização.
Como revide, ele disse que eu era “caloteiro” porque lhe devia dinheiro. Mostrei que se tratava de uma mentira.
A verdade: perdi um processo contra ele e a juíza disse que os advogados de Gentili, para cobrir os custos do processo, teriam direito a receber mil reais. Mas eles simplesmente não apresentaram a conta. O que mostra que falar em calote é um Fake News.

Veja aqui a matéria que escrevi sobre o processo e a ironia.

Se era para ser uma ironia, como certamente era, muito fãs não entenderam.

O humorista Danilo Gentili anunciou em seu perfil no twitter que vai processar o internauta Bruno Wilker que, nas redes sociais, publicou uma foto manipulada do humorista em viagem pelo exterior.
Na legenda da foto, as palavras “quarentão e traveco”.

Gentili não deu mais explicações: apenas anunciou o processo, apoiado pelos seus fãs. Alguns fãs acharam ironia, mas muitos levaram a sério e apoiaram o humorista.

O humorista teria, em tese, todo o direito de entrar na Justiça: afinal, ele poderia alegar que se sentiu ofendido ao ser chamado de “traveco”.

Só lembro que, muitas vezes, ele se defendeu as ofensas a outras pessoas, alegando liberdade de expressão.

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Autor: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.

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