Leia trecho do novo livro de Fernando Morais, “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”

25/08/2011 23:50 / Atualizado em 04/05/2020 10:48

Autor de legítimos clássicos da literatura nacional à esquerda, o jornalista Fernando Morais já foi um efusivo simpatizante da combalida União Soviética. Em 1975 apresentou ao Brasil, que à época padecia sob a ditadura militar de Ernesto Geisel, um verossímil retrato da triunfante Cuba, enfatizando os méritos da revolução de Sierra Maestra – no emblemático “A Ilha”. Após mais de 30 anos, o país caribenho volta a ser tema de seu novo livro-reportagem, com o lançamento de  “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”.

O relato que rendeu ao jornalista um verdadeiro dossiê – 360 páginas acompanhado de 123 fotografias – pode ser comparado aos clássicos títulos de espionagem do cinema, com direito a identidades falsificadas, profissões de fachada e dezenas de agentes secretos cubanos (Rede Vespa) infiltrados nas obstinadas milícias anticastristas, refugiadas na Flórida. No início dos anos 1990, 41 grupos radicais que pregavam a morte de Fidel Castro e a retomada do poder da ilha, protagonizavam violentos atentados contra a crescente indústria turística cubana, atacando hotéis, restaurantes e outros destinos do requisitado paraíso caribenho.

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Na obra, o jornalista remonta à década de 1990 para falar de um conflito que não se tornou capa  dos jornais, revistas ou telejornais da grande mídia brasileira. De notícias que tampouco tiveram uma repercussão significativa, como no caso do atentado terrorista ao Hotel Copacabana em 1997, que resultou na morte do turista italiano Fabio Di Celmo. Ou do episódio em que caças militares cubanos derrubaram dois aviões acusados de invadir o espaço aéreo do país para distribuir panfletos contra “El Comandante”, levando à morte de quatro pilotos do grupo anticastrista “Hermanos al Rescate” em 1996.

Publicado pela editora Companhia das Letras, “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” já está nas livrarias.