Descoberta de doença ajuda a explicar comportamento de Bolsonaro
Enfim, uma explicação lógica para desastrosa irritabilidade de Jair Bolsonaro – e revelada pelos seus médicos.
Já sabemos que Jair Bolsonaro tem o dom de gerar conflitos desnecessários.
É como se ele fosse sua própria oposição.
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Um deles grave ( bem grave, aliás): a briga sem nenhum motivo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, importante articular da reforma da previdência.
Sem contar uma série de tuítes que só geraram desgaste ao próprio presidente.
O papel do presidente é reduzir conflitos.
Não é aumentá-los.
A revelação é do jornalista Elio Gaspari, do O Globo e Folha.
Durante uma de suas internações, os médicos conferiram a qualidade do seu sono e registraram 89 breves alterações por hora. Nas suas palavras: “Um recorde. Os médicos disseram, ‘como é que você consegue raciocinar?’”
Suspeita do jornalista, baseada em estudos médicos.
Em dezembro do ano passado, Bolsonaro sentiu-se mal porque confundiu-se com os medicamentos e teve uma sonolência. Dormindo pouco, ou mal, ele compromete seu desempenho nas horas em que fica acordado, sobretudo se tiver um celular à mão. Nesse caso, o disparador de mensagens produz no meio político o efeito letal do revólver que mantém ao alcance mesmo quando está na cama.
É provado cientificamente que pessoas com distúrbios de sono tendem a ser mais irritáveis.
Além da irritabilidade, sonolência e dificuldade de concentração – que aumentam o risco de sofrer acidentes – pode surgir também dor de cabeça.
A isso se somam os sinais cada vez mais evidentes de que Bolsonaro sofre de outro distúrbio – esse mais difícil de lidar.
Mas quando passa do limite vira uma doença que nos impede de lidar com a realidade, gerando problemas desnecessários.
Daí se entende por que a paranoia deve ser tratada.
Duas definições:
Nesta patologia, o indivíduo desenvolve uma desconfiança ou suspeita exacerbada ou injustificada de que está sendo perseguido, acreditando que algo ruim está para acontecer ou que o perseguidor deseja lhe causar mal.
em>Perturbação mental que se caracteriza pela tendência para a interpretação errónea da realidade em consequência da suscetibilidade aguda e da desconfiança extrema do indivíduo, que pode chegar até ao delírio persecutório
Jair Bolsonaro vem demonstrando sintomas claros de paranoia.
Exemplo: ele se orgulhar de dormir com um revólver mesmo protegido por seguranças no Palácio da Alvorada.
Isso explica, por exemplo, por que Bolsonaro é fã de teorias conspiratórias. Ou se recusava a andar de avião particular durante a campanha, achando que iriam sabotá-lo.
Ou porque insiste, apesar da falta de evidências, que Adélio Bispo deu-lhe uma facada agindo a mando de alguma organização de esquerda.
Seu guru, o filósofo Olavo Carvalho, é um exemplo de veneração a teorias conspiratórios. Obama, segundo ele, teria sido um agente russo; a família real britânica teria vinculações com o Estado Islâmico; o aquecimento global é um complô para acabar com o capitalismo.
O estopim para Bolsonaro demitir seu secretário-geral Gustavo Bebianno foi ter marcado uma reunião com o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo, no Palácio do Planalto.
O presidente está convencido de que seu secretário-geral vazava informações para a Globo.
Daí teria surgido as revelações sobre as contas de seu filho Flávio.
Sabendo dessa paranoia, Bebianno disse a amigos:
“Perdi a confiança no Jair. Tenho vergonha de ter acreditado nele. É uma pessoa louca, um perigo para o Brasil.”
Loucura, no caso, seria como Bebianno chama paranoia.
Carlos Bolsonaro alimenta a paranoia do pai – e é alimentado pela paranoia do pai.
Ele escreveu que a Globo apenas critica o governo porque quer dinheiro público.
O que significa chantagem.
Também disse que eles torceram pela morte do pai.
Chegou a insinuar que Mourão também teria interesse na morte de Bolsonaro.
Sempre vai aparecer a paranoia Globo: Mourão recebe em seu gabinete jornalistas da Globo.
Logo, estaria aliado a inimigos.
Aliás, uma das razões que levou Bolsonaro a convidar o vice foi uma teoria da conspiração.
Ele achava que o Congresso iria logo promover um impeachment.
Mas pensariam duas vezes antes de colocar na presidência um general que já tinha defendido, na ativa, uma intervenção militar.
Para resumir o ambiente paranoico, basta conhecer uma revelação da Veja:
Uma nota publicada hoje por Lauro Jardim, do O Globo, informando que Carlos tinha ambição de inspirar um serviço secreto paralelo de espionagem.
Seria montado com com delegados e agentes da PF de sua confiança.
Desfecho do projeto, segundo o colunista do O Globo:
O general Augusto Heleno vetou a maluquice.
Um filho de presidente, sem cargo, querer montar um serviço secreto revela uma anomalia de quem vive em estado de paranoia, criando uma realidade paralela.
Mas Carlos não teria a ideia sem buscar alguma inspiração e autorização do pai.
Bolsonaro publicou um post informando que seu filho Carlos vai continuar influenciando seu governo.
O problema aparece quando ele revela, no post, um complô para afastá-lo do filho.
A realidade objetiva é que as pessoas sensatas, a começar de seu governo, advertiram para óbvio: a intromissão de Carlos, usado como um beligerante porta-voz de um governo, era inadequado e desgastante.
Afinal, o momento não é de campanha, mas de pacificação para enfrentar os desafios de governar.
Quem mais se preocupou com esse desgaste é o núcleo militar do Palácio do Planalto, sensível à disciplina.
A líder do governo na Câmara, Joice Hasselmann, pediu um muro separando a família e o governo.
Estariam participando de um complô?
Carlos comemorou, também vendo o complô e desafiando a todos:
A revista Veja fez um reportagem mostrando o perfil paranóico do presidente.
A revista mostrou como Bolsonaro tem mania de perseguição. Isto ficou comprovado com a divulgação do conteúdo dos áudios de WhatsApp (confira aqui) trocados entre Bebianno e Bolsonaro.
“Bolsonaro deixa entrever que é um líder dado a enxergar complôs e deslealdades em cada esquina e, talvez mais perigoso, apresenta-se como um político que faz questão de cultivar inimigos”, escreveu o jornalista Daniel Pereira.
Estes sinais de paranoia, segundo a Veja, vêm sendo demonstrados desde a campanha –Bolsonaro “reclamava de supostas conspirações orquestradas por inimigos declarados”. Agora empossado, “passou a desconfiar de traições também de integrantes graduados do governo”.
A reportagem da Veja também destaca ainda que, para o presidente, “as repartições públicas estão infestadas de esquerdistas, a imprensa quer derrubar o governo, a Igreja Católica conspira em nível mundial e há militares pensando em se sentar na cadeira do presidente”.