USP abre curso gratuito de ciência para pessoas com mais de 60 anos
As aulas serão presenciais e ocorrem às quartas-feiras de abril; inscrições vão até 31/03
A equipe iGEM-USP está com inscrições abertas para o curso gratuito “A Melhor Idade para a Ciência”, voltado exclusivamente a pessoas com 60 anos ou mais. As aulas ocorrerão nas manhãs das quartas-feiras, de 1º a 29 de abril, das 10h às 11h30, no Instituto de Química da Universidade de São Paulo, no campus Butantã da Universidade de São Paulo, em São Paulo.
Ao todo, são oferecidas 60 vagas. As inscrições podem ser feitas até 31 de março pelo site do projeto. Não é exigido conhecimento prévio, apenas saber ler e escrever. Os participantes que comparecerem a pelo menos três encontros receberão certificado digital.

A iniciativa é organizada por estudantes da universidade que integram a equipe iGEM-USP, grupo multidisciplinar que participa do International Genetically Engineered Machine Competition, programa internacional de biologia sintética criado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Em 2025, o time recebeu medalha de ouro e o prêmio de inclusão social na competição realizada em Paris.
O curso integra as ações de extensão do grupo e busca aproximar temas científicos do público fora do ambiente universitário.
Micro-organismos e vacinas
Em linguagem acessível, as aulas abordarão conceitos sobre vírus, bactérias, fungos e o uso correto de antibióticos. Entre os temas estão a diferença entre infecções virais e bacterianas, o funcionamento das vacinas e os riscos do uso inadequado de antibióticos.
Também serão discutidas formas de identificar informações confiáveis sobre saúde em meios como televisão, rádio, aplicativos de mensagens e internet. Cada encontro tratará de um assunto específico, de modo que a ausência em uma semana não impede o acompanhamento das demais.
Saúde e desinformação
Segundo os organizadores, o projeto responde a questões ligadas à saúde pública. Com o envelhecimento, o sistema imunológico passa por mudanças naturais que aumentam o risco de infecções e de formas mais graves de doenças preveníveis.
Durante a pandemia de covid-19, estudos brasileiros apontaram o fenômeno da “infodemia”, caracterizado pelo excesso de informações falsas ou distorcidas que podem levar a decisões equivocadas, como a recusa vacinal ou o uso de medicamentos sem orientação médica.
No caso dos antibióticos, a automedicação e o uso para tratar doenças virais também contribuem para efeitos adversos e para o avanço da resistência bacteriana.
Para definir o conteúdo do curso, a equipe aplicou previamente um formulário com pessoas com mais de 60 anos sobre percepções relacionadas a vacinas, antibióticos e micro-organismos. As respostas orientaram a escolha dos temas e a estrutura das aulas.
Aproximação com a universidade
De acordo com Alexey Dodsworth, coordenador estratégico do grupo, a proposta é aproximar o público mais velho do ambiente acadêmico. “A gente quer proporcionar um espaço de convivência para idosos em um contexto universitário. Queremos que eles conheçam o laboratório”, afirma.
Para ele, ampliar o acesso ao conhecimento científico também exige repensar a forma como a ciência se relaciona com a sociedade. “A ciência se queixa tanto de não ser ouvida, mas ao mesmo tempo cria situações que excluem. É difícil de entender”, diz.