Fui dançarino de uma drag queen por uma noite

Por: Catraca Livre Comunicar erro

Texto por Felippe Canale. Fotos por Anna Mascarenhas

O meu professor particular de inglês é drag queen. Isso não é segredo para ninguém: ele tem uma vida aberta e se orgulha disso. Quando o conheci, ele era apenas o Gui Terreri, mas, depois de uns meses, ele tirou a Rita von Hunty de dentro de um armário bem colorido e anunciou isso para os alunos, amigos e também para o mundo. No Facebook, ele tinha dois perfis: um dele garoto e outro como Rita. Pena que rolou uma treta, e o Mark Zuckerberg obrigou todo mundo, para o desespero das drags e dos transgêneros, a usar apenas o que a rede social considera como um “nome real”. Meses depois, pediu desculpas aos usuários, mas a parada já estava feita: vários perfis foram deletados, e outros tiveram os nomes alterados

Enfim, teve um dia em que eu me deparei com este post no meu feed de notícias:

Eu vi aí uma oportunidade de fazer algo que eu nunca havia feito antes: ser dançarino de uma drag queen por uma noite. Na mesma hora, liguei para o Gui. Ele me recusou, dizendo “vamos combinar que não é muito o seu perfil, né?! Te agradeço super, mas já consegui um dançarino. Beijos”. Percebi que seria mais fácil ser aprovado no vestibular de medicina do que convencer uma drag queen de que eu poderia ser um dançarino do dia para a noite. Com a autoestima mais baixa do que o nível de água da Cantareira, desisti da ideia. Mas só até o Guilherme me ligar de volta no dia seguinte: “Então, o outro dancer também desistiu. Mas eu acho que, com ensaios, no plural, você pode dar conta sim”.

Numa quarta-feira à tarde, lá estava eu de moletom para ensaiar a coreografia do show. Sem a iluminação de festa, a casa noturna parecia uma caverna bacana, já que não tinha janelas e muito menos ventilação. Isso fazia com que o forte cheiro de desinfetante deslizasse intensamente pelas minhas narinas. Naquele momento, pensei que o inferno não deveria cheirar a enxofre, mas, sim, a um mix de eucalipto com florais campestres. No palco da pista… [Continue lendo aqui.]

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